terça-feira, 28 de dezembro de 2010

MEDICINA TRADICIONAL IORUBÁ

Em nenhum período na História da Humanidade, esteve o homem sem algum tipo de Filosofia Médica, por mais curioso que isso possa parecer aos olhos da sociedade moderna. Nossos mais remotos ancestrais baseavam sua teorias médicas quase que inteiramente na magia, denominada entre o povo iorubá de idán, e tinham como certo, por exemplo, que a doença de um enfermo poderia ser transferida para um objeto inanimado como uma árvore ou mesmo para um animal. Os que detinham este poder eram denominados na antiguidade de bruxos ou feiticeiros e dentro da Cultura Iorubá, estes são chamados de Osó.

Outro princípio da Medicina Tradicional dos povos antigos, poderia ser chamado de Lei da Similaridade. De acordo com essa lei, acreditasse que seja possível determinar por certas características externa de uma planta, erva ou flor em particular, o tipo de doenças que se esperava que ela aliviasse ou curasse. Veremos mais adiante como a Medina Tradicional Iorubá, enquadra na referida Lei.

No centro da teoria primitiva está a doutrina de que a morte e a doença podem ser causadas por magia maléfica, por ordem de um inimigo contra uma pessoa ou comunidades. Um fato curioso que mesmo hoje existam comunidades no mundo para cujos os membros o termo “morte natural” não tenha significado, a morte sendo considerada como uma intervenção sobrenatural do processo da vida que normalmente continuaria para sempre.

O oficio de Onísègun, aqui denominado de médico curandeiro, preparavam suas receitas de uso medicinal denominados de oògùn baseados puramente nos elementos da natureza. Essa função exige deste um vasto conhecimento do uso das plantas para a preparação de receitas e remédios tradicionais; seus diversos nomes e as curtas frases, denominadas de ofò – encantação os quais enunciam suas qualidades terapêuticas. Essas encantações, definem a ação esperada da planta em questão comportam um verbo geralmente monossilábico que figuram no nome da planta, servindo assim para auxiliar a memorização, e que este “verbo atuante” da encantação pronunciada também, é uma das sílabas do nome da planta utilizada. O Onísègun se submetia a um longo e difícil aprendizado, já que uma mesma planta possuía nomes diferentes. Este se dava ao fato de caso a sílaba necessária para que uma receita ou ação se cumprisse não figurasse no nome da planta, este era substituído por outro nome onde a sílaba (verbo atuante) estivesse presente e, por conseqüência, outro nome era dado a mesma planta.

Na Medicina Ocidental o conhecimento do nome científico das plantas usadas e sua características farmacológicas são indispensável, contrário da Medicina Tradicional Iorubá, onde o conhecimento dos ofò transmitidos oralmente são o essencial, pois carregam em seu interior a definição da ação esperada de cada uma das plantas que entram na manipulação da receita. A Poesia Iorubá, inclui uma rima fonética, semelhante aos Mantras Hindu e essa rima fonética leva a força de realização do àse, induzido pela vibração mental daquele que o profere, afim de ativar as energias que necessárias para a elaboração dos complexos remédios e “trabalhos mágicos”. As rimas fonéticas serão pronunciadas rítmica e pausadamente ou simplesmente cantadas durante o processo de confecção de uma “medicina” em questão.

O Odù Ogbe Òtùrùkpòn nos revela que Òrúnmìlà saiu em busca de Òsányìn – A Divindade da Flora e da Fauna, habitante da floresta, Grande Sábio nos preparos de remédios e das magias, conhecedor dos encantamentos que davam suas poções curativas forças para vencer as enfermidades... ao que se sabe, ninguém poderia se aproximar de Òsányìn com risco de ser queimado com seus carvões incandescente... Òrúnmìlà tendo o devido conhecimento da questão, consulta o oráculo e realiza as oferendas determinadas por Ifá... neste citado Odù, Òrúnmìlà recolhe várias folhas e com estas prepara um Àgbo – De cocção vegetal e sai em busca do “Senhor das Folhas”... ao encontrar Òsányìn como de costume com todos aqueles que atrevessem entrar em seus domínios, lança suas brasas em direção a Òrúnmìlà, entretanto a sua frente encontrasse um pote com o líquido extraído das plantas e todas as brasas lançadas não atingiam Òrúnmìlà a não ser cair dentro do pote apagando-se por completo... foi então que Òsányìn indefeso contra Òrúnmìlà celebra um pacto em ajudá-lo a combater a todas as enfermidades, mas que em cada um dos preparos com o “sumo das folhas” deveria haver um carvão incandescente para transmitir a este “trabalho” o àse de Òsányìn...

Òsányìn passa a ser o principal assistente de Òrúnmìlà, mas de vez em quando, ousava em não obedece-lo, se escondendo na mata e não realizando os serviços ordenados por Òrúnmìlà. Essa não subordinação, se dava ao fato de que Òsányìn é o verdadeiro conhecedor das virtudes e das propriedades medicinais e mágicas das plantas e as vezes Òsányìn se sentia usado por Òrúnmìlà. O Odù Ìròsùn Òsé, menciona que Sàngó tomando conhecimento do fato de Òsányìn estar escondido de Òrúnmìlà na mata, este envia vários raios que atingem o deixando deformado e assim Òsányìn jura obedecer para sempre as ordens de Ifá. Após o fato ocorrido, fica estabelecido que Òsányìn para entregar seu poder completo, deveria expor ao fogo e ao calor as preparações medicinais.

Através dos tempos a Medicina Tradicional tem sido substituída pela Medicina Moderna e assim substituindo os remédios naturais e a Ciência da Curar, dos quais legaram nossos antepassados, por remédios sintetizados em laboratórios. Em todas as partes do mundo a Medicina Natural existe à séculos, mas não podemos negar o fato de que a Medicina Tradicional mais completa e exata conhecida é a Medicina Iorubá. A Medicina Iorubá está ressaltada por seu caráter científico , por sua ampla diversidade, sua lógica e sobretudo, pela beleza poética atribuídas aos encantamentos, que como vimos, dão o poder vital e mágico aos preparos medicinais.

Todas as enfermidades provêem de um vírus ou bactérias e esta palavra na Medicina Tradicional Iorubá significa “veneno”, baseado no sentido da toxina liberada por esses micro-organismos.

O Odù Òyèkù Ogbe, cita... Ode s'àpo yo ro Òsányìn m'oya tu àpo yo oògùn... “O Caçador abre a sacola e saca o veneno, Òsányìn abre a bolsa e saca o antídoto”

Esta metáfora significa que “cada veneno tem seu antidoto” e “cada enfermidade tem sua cura”. Esta Tradição Oral está especificamente no princípio da polaridade das Leis Herméticas e que neste caso pode-se afirmar categoricamente que através do mesmo “veneno” se elabora o “antídoto” como no caso das vacinas. Os que praticam a Medicina Tradicional Iorubá, acreditam que as enfermidades estão contidas em pequenas bolsas dentro do corpo, entende-se que essas “bolsas” são as centenas de glândulas espalhadas pelo corpo inteiro e que devido a vários fatores, tais como o consumo excessivo de álcool, substâncias tóxicas, exposição a substâncias cancerígenas, aqueles que excedem os limites de sua capacidade humana; quando isso e outros fatores ocorrem, essas “bolsinhas” se rompem, liberando os micro organismos na corrente sanguínea, que desencadeiam a doença até então inerte.

A principal base da Medicina Tradicional Iorubá, está estruturada na crença de não somente curar a doença como o de aniquilar estes micro organismos quando ainda estão inativos. Para que os remédios sejam eficaz, devem empregar uma combinação de substâncias amargas – o koro, picantes – o ta e ágria – o kon. Preparos esses que podem serem aplicados no corpo ou ingeridos de acordo com a receita prescrita, pois as substâncias que contém estas combinações matam os germes causadores de diversas enfermidades. Muito comum, observar nas mais diversas receitas de remédios tradicionais, a adição de ovos de aves, substâncias adocicadas e alcoólicas, pois essas substâncias tem o poder de atrair e agrupar os germes, seria como uma espécie de armadilha, para que os micro organismos “consumam” os ingredientes do medicamento e possam ser exterminados. Ao mesmo tempo cada remédio dentro da Medicina Tradicional, contém substâncias purgativas e depurativas do sangue, com a finalidade de provocar rápida e abundante evacuação intestinal e urinária para que os excesso de toxina viral seja liberada do corpo.

Se faz notar que quase todas as preparações da Medicina dos Iorubá incluem noz-de-cola – Obí e veneno-amargo – Orógbó, pois a princípio o sabor dessas sementes são adocicadas, em seguida apresentam um forte sabor amargo. Também utilizam pimenta-da-costa – ataare dos quais apresentam um sabor doce-picante que “camuflam” o sabor de outras substâncias.

A preparação de um determinado remédio, a princípio por determinação de Ifá, que através das figuras – Odù, revela a enfermidade que se padece, e prediz como curar e ou mesmo preveni-la, da mesma forma que os Ocidentais os Iorubás acreditam que “a prevenção é melhor do que a cura”. Nesta consulta oracular, será revelado as proibições e os tabu, denominados de eèwò numa espécie de “dieta”. Dentro do filosofia de Ifá, os eèwò pertencem aos Valores Éticos e Morais da Religião, violar uma proibição é cometer um sacrilégio, neste contexto devemos entender que afrontar um eèwò faria com que as doenças propensas se manifestem prontamente no individuo. A maior parte dos religiosos de nossa religião, baseiam-se no fato de determinar um tabu alimentar, pela forma que este molesta o corpo do individuo, seja uma indigestão, diarréia ou uma reação alérgica; sendo este um conceito equivocado, já que quando se estabelece um eewò é possível que este quando violado não faça mal algum de imediato, mas depois de um longo período este se manifeste de várias formas, inclusive em uma doença que poderia ter sido evitada com a obediência prescrita e determinada por Ifá.

Dentro da Medicina Tradicional, para a cura das mais diversas enfermidades se utilizam todos os elementos da natureza, ou seja, tudo aquilo que existem no Reino Animal, Vegetal e Mineral, e se fará uso de cada ingrediente, partindo como base as particularidades de cada Reino, a vibração ou a energia específica que os caracterizam. Para um melhor entendimento, se um individuo padece de uma enfermidade provocada pela ingestão de água infectada, deverá recorrer a certas plantas que vivem precisamente nesse meio ambiente, o que poderia retomar o pensamento de que o “veneno se transforma em antídoto”; da mesma forma que plantas de folhas e flores de coloração vermelha, são utilizadas para o preparo de remédios com a finalidade de curar enfermidades no sangue; plantas que florescem com suas flores amarelas, são utilizadas para o tratamento da icterícia; plantas cuja as folhas apresentem manchas tem a propriedade de curar várias doenças de pele; plantas de características ásperas, de coloração verde escura e com pequenos pontos pretos, tem a propriedade de curar a anemia. Todos esses métodos representavam uma percepção de que o meio ambiente tem “intenção e significado” e que os segredos da boa saúde se encontravam dentro dos limites do entendimento humano. Cabe salientar que as plantas dentro da Medicina Tradicional e da Litúrgica dos Iorubás são classificadas em quatro compartimentos: Folhas da Água, Folhas do Ar, Folhas da Terra e Folhas do Fogo.
Existem várias formas de preparações dentro da Medicina Tradicional, cito as cinco mais utilizadas:

1. ÀGÚNMÚ (Àba – porção + Gúnpò – macerar + Mú – beber) Como seu nome indica, este tipo de manipulação, consistem em certo ingredientes que após serem triturados em um almofariz, são secos ao sol, pulverizados e ingeridos com algum tipo de líquido.
2. ÈTÙ ( pó medicinal ) significa “medicina queimada”; este é o produto de certos ingredientes incinerados ao fogo lento que deve ser movido constantemente. Utilizado para ingeri-lo com algum tipo de líquido ou mel-de-abelha. Também se utiliza para colocar em pequenos cortes pelo corpo, denominados de gbéré.
3. ÀGBO (decocção vegetal) Este elaborado e complexo preparo não consiste somente em plantas e sim nos mais diversos ingredientes, inclusive o sangue de determinados animais. Existem duas classificações deste preparado:
ÀGBO TUTU – macera as folhas em um pilão, acrescenta-se os demais ingredientes, onde são deixados a descansar por um período em água, que podem variar dos mais diversos lugares.
ÀGBO GBÍGBÓNÁ – o mesmo procedimento anterior, porém são depositados em água fervente numa espécie de infusão. Neste são utilizadas determinadas espécies de plantas, pois sabemos que algumas delas são vetados o ato de calor. Aqui não trata-se de ferver ou cozinhar as plantas o que destruiria boa parte de sua propriedades mágico-medicinais. Ambos os tipos de preparos são prescritos para beber, banhar-se ou mesmo lavar apenas uma parte do corpo.
4. ÀSÈJE (Àba – porção + Sè – cozinhar + Je – comer) seu nome indica, cozinhar e comer, significa em outras palavras, alimento medicinal. Este preparo a base de pó com um ou mais ingredientes, são preparados numa espécie de caldo quente, que deverá conter, azeite-de-dendê, cebola, pimenta e sal. Esta sopa se assim podemos denominar, irá acompanhada com pedaços de inhame ou qualquer outro tubérculo, pedaços de carne vermelha ou branca, mas sempre em pratos separados, pois o recipiente do caldo deverá estar na mão esquerda, como em todas as preparações dentro da Medicina Tradicional e utilizará a mão direita para consumir os demais alimentos que acompanha a refeição medicinal.
5. OSE DÚDU (sabão medicinal) também conhecido popularmente como sabão-da-costa do qual serve de base para a maioria dos sabões medicinais. Sua coloração escura se da ao fato de ser elaborado com o óleo escuro de certas sementes e ingredientes pulverizados. Se utiliza para banhos, mas em determinadas ocasiões é preparado especialmente para lavar a boca em minúsculos pedaços sem ingerir ou mesmo sem enxaguar a boca. Neste tipo de “medicina” a mucosa da boca irá absorver as propriedades medicinais.

Cada tipo de medicina deverá ser preparada, através das indicações de Ifá, pois o remédio que cura um individuo, poderia ser prejudicial a outro. Também temos que levar em conta, que muitos dos ingredientes utilizados são antagônicos ou contrários entre si e não devem ser mesclados uns com os outros, pois se corre o risco de em vez de remédio confeccionar um veneno. Outras observações que deve ser feita, é a questão de muitas plantas utilizadas na Medicina Tradicional são consideradas tóxicas e altamente venenosa, então nesta se presta maior atenção na quantidade a ser utilizada na manipulação.

Podemos concluir que para se praticar a Medicina Tradicional dos Iorubás, necessita o Conhecimento, o Entendimento e a Sabedoria milenar de um povo naturalista, que detém o segredo das plantas, elementos naturais, assim com suas combinações precisas, encantamentos e rezas que dão a manipulação uma energia mítica para um perfeito e harmonioso funcionamento do qual consiste em segredos legados aos Babaláwo e aos Olúwo Òsanyìn.

Ewé njé
Oògùn njé
Oògùn ti kò jé
Ewé rè ní kò pé

As Folhas funcionamento
Os Remédios funcionamento
Remédio que não funcionamento
é que tem folha faltando.

Fonte: Guido

ENI ÒRÌSÀ NLÁ

Os Seres Sagrados do Criador dos Homens

Òrìsà Nlá foi designado por Olodùmáré para criar as características físicas humanas, afim de habitar a Terra nos primórdios de sua criação. Os mitos relatam que Òrìsà Nlá fez uso da lama primordial, denominada de amò o barro mítico de onde viemos e para onde retornaremos. A função desempenhada pela Grande Divindade Escultora, agora denominada de Alámòrere – Proprietário da Boa Lama, deu-lhe a prorrogativa de determinar a aparência humana perfeita ou deficiênte. No grupo dos seres que nascem com deficiência física encontram-se em ordem hierárquica os seguintes portadores:

1. ÀFÍN – Albinos
2. ABUKÉ – Corcundas
3. ARO – Aleijados
4. ARÀRÁ – Anões

As crianças que nascem dentro desta categoria são consideradas sagradas aos olhos do povo iorubá, acredita-se que são a personificação do próprio Òrìsà Nlá. Recebem a orientação de Ifá, onde de imediato são prescrita as oferendas e seus respectivos eèwò – tabus. Durante um longo período, essas crianças são banhadas com água de fonte, onde somente as mulheres virgens e que cessaram por completo o ciclo menstrual podem apanhar este tipo de água. A cada quatro dias elas levantam antes do nascer do sol e em silêncio absoluto partem para o local onde esta localizada a fonte sem mencionar uma palavra com quem quer que seja. O Oba Odù que relata a origem dos deficientes físicos menciona: Suas vidas serão puras e límpidas como água apanhada logo cedo pela manhã! Òrìsà Nlá dá a seus filhos motivo para serem felizes e torna seus filhos prósperos:

Por mais pesado que possa parecer o fardo que os pais de uma criança deficiente tem que carregar pela vida toda, os Eni Òrìsà-Nlá são vistos com bons olhos e que possam trazer a toda família as bençãos dos Òrìsà Funfun – Divindades Brancas. Em território iorubá, olhar para estes seres sagrados com olhares maliciosos, preconceituosos ou mesmo fazerem chacotas sobre a sua condição física, é motivo para ficar amaldiçoado por um bom tempo, até que se preste homenagem a Òrìsà-Nlá para que a praga seja extinguida.

Assim acredita o milenar povo iorubá, que em uma época muito remota sacrificavam estes seres ou abandonavam em florestas !

ÌTÒN ÀJÀLÁ

É com imensa satisfação que mostro um pouco daquilo que a Mitologia dos Òrìsá ensina Com grande sabedoria através desta lenda.

Ela conta que: Três jovens foram a procura de Elédùmarè em busca de autorização para poderem passar novas experiências no Àiyé (mundo). Pretendiam uma nova possibilidade de reencarnação. Justificando os motivos que os levaram a presença de Elédùmarè e acatadas as justificativas, Olóòrun autoriza que os três procurem ÀJÀLÁ, Alámò tomo Orí, o Oleiro de Cabeça, afim de que a Viagem para o Àiyé seja iniciada por eles. Na caminhada para a casa de Àjàlá dois dos meninos, mais afoitos, se adiantaram. Encontraram um senhor idoso que, sentado ao lado de um monte enorme de Isù (inhame) os amassava com uma agulha. Os dois garotos questionaram o velho para saber como chegar com mais rapidez a casa de Àjàlá. Pacientemente o velho diz:
- Aguardem que eu acabe de amassar estes isù e eu indico para vocês o caminho.
Impacientes os dois garotos reclamaram, pois o velho iria demorar muito tempo para concluir o seu trabalho e resolvem seguir a caminhada sem obter uma resposta, mesmo sem saber direito qual era o melhor caminho. Mas adiante, os garotos encontram um menino, sentado à beira de um rio com um minúsculo recipiente nas mãos. O menino pegava a água do rio e enchia um buraquinho feito na terra. Os garotos viajantes questionaram o menino sobre o caminho que os conduziria mais rapidamente a casa de Àjàlá. O menino olha e responde:
- Logo que eu terminar de passar toda a água do rio para este buraco eu informo como chegar a casa se Àjàlá. Os dois jovens viajantes impacientes resolvem, mais uma vez, não aguardam uma resposta e seguem a caminhada sem rumo certo. Após caminharem longamente indo e voltando, horas andando em círculo, quase que perdidos, já bastantes cansados, os dois jovens chegam ocasionalmente a casa de Àjàlá. Àjàlá era um velho ancião que trabalha modelando cabeças utilizando-se dos mais variados tipos de Elementos da Natureza. Homem muito endividado, cheio de credores, Àjàlá trabalha sempre preocupado de que, a qualquer momento, um credor bata a sua porta e lhe cobre as dívidas que possui. A larga idade e as preocupações com as dívidas e credores fazem com que Àjàlá raramente use da mesma fórmula para criação das cabeças. Sempre sua produção é diferente uma das outras. Nunca há duas iguais. Os dois jovens afoitos e desavisados, desconhecedores das intimidades de Àjàlá batem a porta da casa. Àjàlá se assusta pelas batidas e esconde-se no telhado acreditando tratar-se de mais um credor que lhe bate a porta cobrando. Novamente os jovens batem a porta. Àjàlá pergunta:
- Quem é?
Os jovens respondem:
- Somos enviados de Elédùmarè a fim de que recebamos nossas cabeças.
Sempre desconfiado Àjàlá sorrateiramente desce do telhado.
Ele abre a porta.
Rapidamente recolhe as duas primeiras cabeças que vê pela frente e entrega aos jovens, fechando a porta quase que na “cara” deles.
Sem entender quase nada, cada um deles pega uma cabeça e segue viajem com destino ao Àiyé.
Após andarem muito, em determinado momento inicia-se uma forte chuva.
Os dois jovens não têm onde se abrigar e caminham pela chuva.
As cabeças ficam molhadas, moles, disformes, tortas e rachadas, com pouca utilidade para eles.
Adiante, a chuva para e surge o sol, quente, escaldante.
As cabeças moles e disformes começam a secar.
E assim elas chegam ao Àiyé, com cabeças disformes, tortas e rachadas, com pouca utilidade para eles.
Enquanto isso, lá atrás vem o jovem solitário que, na mesma trilha, depara-se com o velho amassando inhames com uma agulha.
- Senhor como faço para chegar a casa de Àjàlá?
E o velho responde:
- Aguarde que eu amasse estes isù e eu indico para você o caminho.
O jovem pensa então: “se eu ajudar o velho, ele irá terminar mais rápido o trabalho e assim obterei logo a resposta que desejo. O jovem pega uma outra agulha, senta-se ao lado do velho e inicia seu trabalho de ajudar a amassar os inhames.
O velho satisfeito diz:
- Você é um bom rapaz! Vou lhe ensinar algo sobre aquele que procura. Àjàlá é endividado, portanto, não bata a porta dele de forma que o assuste. Quando já estiver próximo da casa dele, comece a chamá-lo pelo nome, grite bem alto que você vem em missão de paz determinada por Elédùmarè. Leve para ele muitos búzios como presente, isso vai ajudar o velho a pagar seus credores o que o fará satisfeito com você.
O jovem ouve atentamente os conselhos do velho enquanto trabalha amassando os inhames. Ao findar a tarefa, o velho ensina ao jovem o melhor e mais rápido caminho para chegar à casa de Àjàlá, e o jovem segue para seu destino.
O caminho ensinado pelo velho faz com que o jovem também passe pelo menino que, com sua pequena vasilha, trabalha enchendo de água o pequeno buraco.
Para cientificar-se de que estava no caminho certo, o jovem pergunta ao menino como fazer para chegar a casa de Àjàlá
E o menino responde:
- Logo que eu terminar de passar toda água do rio para este buraco eu informo como chegar a casa de Àjàlá.
Sempre com a intenção de estar no caminho certo, o jovem decide ajudar o menino e diz:
- Abra uma canaleta, ligando o rio ao buraco, Coloquemos pedras impedindo o curso do rio, desviando-o para a canaleta. Água, em novo rumo, encherá o buraco mais rapidamente.
O menino gosta da idéia do jovem e dois colocam em prática.
Satisfeito com o resultado obtido o menino diz ao jovem:
- Gostei de você! Siga a direção Leste, você encontrará uma trilha grande que o levará direto a casa de Àjàlá. Dou a você, pela sua ajuda, esse saco de búzios que eu colhi. Você deve entregá-lo à Àjàlá afim que ele venha a saudar um pouco dos seus débitos com seus credores.
E o jovem segue sua caminhada.
Avistando de longe a casa de Àjàlá ele já começa a gritar alto:
Sr. Àjàlá, não se assuste! Venho em missão de paz enviado por Elédùmarè e tenho um presente para o senhor.
Àjàlá temeroso, escondido no telhado, ouve a voz do jovem e olha o rapaz que chega
Vê que se trata de um jovem despreocupado, que nada parece com um credor.
Desce então tranquilo para atender o jovem.
Este, logo de chegada, já oferece como presente para Àjàlá o saco de búzios que havia ganho do menino da água.
Então Àjàlá lhe diz:
- Gostei de você meu jovem. O que deseja?
- Vim a mando de Elèdúmarè buscar uma cabeça para que eu tenha novas experiências ao cruzar as fronteiras com o Àiyé.
Àjàlá leva o garoto para dentro de casa.
Mostra-lhe várias prateleiras cheias de cabeças, e mais cabeças, modeladas.
Pega uma com as mãos e, ao acaso e com muita força, joga-a no chão.
A cabeça se esfacela e Àjàlá, balançando a cabeça negativamente, diz:
- Não!
- Tá vendo, meu jovem, aquela não era uma boa cabeça.
Àjàlá repete o ata novamente com outra cabeça que também se desmancha e repete o gesto de negação dizendo:
- Aquela cabeça também não era boa para você, meu bom jovem.
E assim Àjàlá repete a mesma atitude até que encontra uma cabaça que, ao ser atirada contra o chão, não se quebra e pula como uma bola.
Então Àjàlá, mostrando um sorriso, contentemente diz:
- Esta sim é uma boa cabeça meu jovem. Pegue-a e segue teu caminho em paz. Esta é a minha retribuição em troca de suas atitudes.
O jovem agradecido pega a cabeça a cabeça e segue em destino ao Àiyé.
Caminha muito e vem a chuva, mas não causa danos nenhum a sua cabeça.
Em seguida à chuva, vem o sol quente, escaldante e forte, que também não causa prejuízos a boa cabeça recebida de Àjàlá em troca da boa conduta do jovem.
E assim este jovem chega ao Àiyé com sua cabeça intacta, firme e boa, exatamente como havia recebido das mãos de Àjàlá. E assim ela lhe será útil em toda sua permanência no Àiyé.

CONCLUSÃO:
Todo Homem de boa vontade será prestigiado por Èlédùmaré.
A boa conduta; A falta de egoísmo; A compreensão e a ajuda mútua sempre geram recompensas.
Este é o exemplo que esta Ìtòn da Cultura Religiosa Yorùbá deseja que todos aprendam.
A Ìtòn fala por si só, sem necessidades de explicações e esclarecimentos, pois é muito simples e clara, assim como são todos os Òrìsá. Sua mensagem requer uma reflexão grande por parte daqueles que receberam a Graça de Èlédùmaré de poder conhecê-la através da Religião dos Òrìsá.
Esta Ìtòn é um grão de areia na praia dos ensinamentos e conhecimentos que os Òrìsá proporcionam.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O CULTO GELEDE



Segundo os mitos da tradição afro-descendente, já que o mito é o discurso em que se fundamentam todas as justificativas da ordem e da contra-ordem social negra, a luta pela supremacia entre os sexos é constante, simbolizada na ìgbá-dù (cabaça da criação), já que o òrì s à Y e m o ja Odùa, princípio feminino de onde tudo se cria - representação coletiva das Ìyámí ou mães ancestrais, é a metade inferior da cabaça e Obatálá ou Òòsààlà, princípio masculino, a metade superior. A relação Odùa/Obatalá, entendida simbolicamente, não representa uma simples relação de acasalamento do princípio feminino com o masculino.
Há um princípio de completude do outro, de que a vida se constrói de mãos dadas e de que cada um de nós à medida em que estabelece esta relação, estabelece um elo mais completo com as coisas que estão à volta.

Significa todo um processo de equilíbrio e de harmonia. Para se entender bem tal relação, se faz necessário situar as mulheres do ritual G È L È D È , que representam o culto às ÌYÁMÌ, as grandes mães ancestrais, encabeçadas por:Nàná ,Y e m o ja Odùa, Òs un Ijimu, Òs un Ìyánlá,Yewa e O ya. ODÙA simboliza a grande representante do princípio feminino, sendo o elemento responsável por todo o poder criador, do poder das mulheres, liderando o movimento das ÌYÁMÌ, grandes mães ancestrais, que tudo criaram, transformaram e transmutaram desde o princípio dos princípios da formação do universo.
A sociedade G È L È D È S, que já existiu no Brasil, é um ritual de mulheres que vestem panos coloridos - diferentes panos mostrando diferentes procedências. São as diferentes raízes que as pessoas podem ter na maternidade. A máscara È F É -G È L È D È que cobre a cabeça da mulher vai representar o mistério, o maravilhoso, na cultura negra. O uso da máscara significa o símbolo de outro espaço, um espaço vivo, um espaço invisível que não se conhece, mas sente-se!
No Brasil esta sociedade existiu, sua ultima sacerdotisa suprema foi O m ó ník é Ìyálóde-Erelú que tinha o nome católico Maria Julia Figueiredo, uma das Ìyálà se do Il è Ìyá-Nàsó , com sua morte cessaram-se as festividades , que eram realizadas no bairro da Boa Viagem. O propósito da sociedade G È L È D È é propiciar os poderes míticos das mulheres, cuja a boa vontade deve ser cultivada porque é essencial a continuidade da vida para esta sociedade.
Sem o poder feminino, sem o princípio de criação não brotam plantas, os animais não se reproduzem, a humanidade não tem continuidade. Assim, o princípio feminino é o princípio da criação e preservação do mundo: sem a mulher não existe vida, sendo, segundo os mitos, ser reverenciada e respeitada pelos orixás e pelos homens.
As G È L È D È e suas máscaras se tornam uma metáfora, sendo uma linguagem para a mãe natureza. O G È L È é um símbolo das G È L È D È porque personifica o útero, pois ele carrega as crianças e as protege. Através das Ìyámì (mães ancestrais) a arte das máscaras é usada para aglutinar as pessoas que se relacionam como filhos de uma mesma mãe, fazendo com que o espírito se manifeste através desta máscara, seguindo e alimentando o espírito humano. Representam o não uso da violência para resolver questões. Nas culturas negras a mulher está presente em todos os lugares.

As máscaras tem grande importância na vida religiosa, social e política da comunidade, mostrando as diferentes categorias de mulher:
- mulher secreta - ligada ao divino, serve como passagem e receptáculo do sagrado no mundo dos vivos, por gerar frutos.
-mulher símbolo político - não usa violência para resolver as questões, aglutinando as pessoas, vivendo o cotidiano.
- mulher sagrada - símbolo de todos os tempos, pois está virada para o futuro, sempre vulnerável e frágil, mas é aquela que abre o céu ( Ò run) e deixa lugar para a mudança, o futuro, e para a transformação.
A sexualidade da mulher negra faz parte da sua essência de princípio feminino, sendo muitos os mitos que representam a função e o papel mulher vista como útero fecundado, cabaça que contem e é contida, responsável pela continuidade da espécie e pela sobrevivência da comunidade. Não se encontra pecado nesta sexualidade.

Através das ÌYÁ as comunidades - terreiros se constituam num verdadeiro sistema de alianças. Desde a simples condição de irmão de santo até a mais complexa organização hierárquica, há o estabelecimento de um parentesco comunitário, como uma recriação das linhagens e da família extensiva africana. Os laços de sangue são substituídos pelos de participação na comunidade, de acordo com a antigüidade, as obrigações e a linhagem iniciática. Todos estão unidos por laços de iniciação às divindades cultuadas, aos demais iniciados, às autoridades, aos antepassados e aos ancestrais da comunidade.

Através do rito se tem todo um sentido de manifestação das mulheres do grupo: rodando, dançando, se integrando com o cosmos, mostrando que temos consciência de que somos elementos dinâmicos, de que o movimento da roda - já que as mulheres são os elementos que dançam em círculo - representa o altar da criação, da vida, já que a terra está em movimento, o universo está em movimento e só se conseguirá estar em sintonia com o universo através do movimento.
G È L È D È é originalmente uma forma de sociedade secreta feminina de caráter religioso, existente nas sociedades tradicionais yorubás , que expressam o poder feminino sobre a fertilidade da terra, a procriação e o bem estar da comunidade.
O culto Gèlèdè visa apaziguar e reverenciar as mães ancestrais para assegurar o equilíbrio do mundo. As principais representações do culto também nos fala um itòn de òséyèkú, que obàtálá e odù logbojé são uma única coisa e no culto a Obàtálá, Ò s òrongà é diretamente participante , o próprio it ò n nos fala: "tudo aquilo que o homem vier a conseguir na terra, o será através das mãos das mulheres . esta é uma tradição do culto a Obàtálá, pela relação direta de Y e m o ja Odùa. - ìtòn òsá méjì ( o mito da roupa de Éégún)- quanto ao culto È f é -G è l è d è , os homens participam , até nas chamadas "incorporações"- dàpò sòkan - e uma das principais diferenças, estão nas próprias danças rituais, quando "feminina" e lenta e nobre, quando "a masculina" é firme e agressiva, e cabe aos òsò de Òò s ààlà' esta função.- Seja ako, baká, mundiá, tetedè, okunriu, onilu e "às outras" .

Mas quando se trata da essência da filosofia, na relação Obàtálá (símbolo da ancestralidade masculina) e, Y e m o ja Odùa - (Ò s òròngà - símbolo da ancestralidade feminina) como uma relação perfeita, trazida por Òsé-òyèkú , e também pela relação de ambos com Ikú.
O culto anual de È f é -G è l è d è , originário da cidade de Ketu no décimo quarto século, é organizado no começo da estação agricultural exatamente por uma importante questão dentro da cultura Yorùbá - a Fertilidade. Este culto se organiza da seguinte forma- sua parte diurna é exatamente G è l è d è e sua parte noturna é È f é ( o pássaro ). Os dançarinos são homens, contudo representam homens e mulheres em suas representações.
Isto prova que o culto das G è l è d è não é vetado aos Homens.
Na dança feminina G è l è d è é poderosa e contida, entretanto, na dança masculina é violenta e agressiva.Os nomes citados são os próprios nomes das 9 principais G è l è d è em sua ordem de entrada na praça do mercado, pois este culto , e na verdade todos de acordo com a direção da cabaça de Odù que vai ser desperta( òséyèkú) deveriam ser feitos ao livre como nos ensina o antigo culto à Olòrun. Akò,Baká,Mundiá,Tetedè,Okunriu,Onilu,Isa-orò,Alopajanja-eledè e Woogbáwoobaarsan )
Sendo assim, é exatamente no conhecimento deste culto que podemos perceber que os homens principalmente os "òsò" participam de toda uma enorme variedade de fundamentos do culto na sociedade Ò s òròngà, pois se assim não o fosse, como explicar o tabu de que as mulheres não podem olhar Odù ( ìtòn irètégbè ), como entender que são os Bàbáláwo - filhos de Òrúnmílá que entregam as cabaças com os pássaros as mulheres iniciadas no culto à Ò s òròngà ( itòn irèté méjì )

“ È f é “são as máscaras rituais que simbolizam o espírito das ancestrais femininas e os diferentes aspectos de seu poder sobre a terrasimbolizados pelos pássaros.
As orixás femininas cultuadas nos candomblés brasileiros representam aspectos socializados deste poder conforme a visão de mundo negro africana segundo a qual homens e mulheres se equivalem e controlamdeterminadas forças da natureza Porém a continuidade da vida sobre a terra, atributo eminentemente feminino nesta tradição é reverenciado de modo especial.
Por isso O barì s à o grande ancestral masculino canta:
“E kúnl è o, e Kúnl è f’obinrin o
E obinrin l’ó bí wa, k’àwa tó d’enia
Ogbon àiyé t’obinrin ni, e kúnl è f’obinrin
E obinrin l’o bí wa o, k’àwa tó d’enia”
(Ajoelhem-se para as mulheres.A mulher nos colocou no mundo,nós somos seres humanos
A mulher é a inteligência da terra. A mulher nos colocou no mundo,nós somos seres humanos).

ÌYÁMÍ Ò S ÒRÒNGÀ
O f ó ( Encantamento)
Mo júbà ènyin ÌYÁMÍ Ò S ÒRÒNGÀ.
(Meus Respeitos a Vós Minha Mãe OXORONGA!)
Mo júbà è nyin Ìyámí Ò s òròngà
O T ò n ó n È j è e nun
O T òo k ó n è j è è d ò
Mo júbà è nyin Ìyámí Ò s òròngà
O T ò n ó n È j è e nun
O T òo k ó n è j è è d ò
È j è ó yè ní Kál è o
Ó yíyè, yíyè, yèyé kòkò
È j è ó yè ní Kál è o
Ó yíyè, yíyè, yèyé kòkò (Meus respeitos a vós minha mãe Oxoronga)
Vós que seguíeis os rastros do Sangue interior.
Vós que seguíeis os rastros do sangue do coração e do sangue do fígado.
Meus respeitos a vós minha mãe Oxoronga
Vós que seguíeis os rastros sangue interior
Vós que seguíeis os rastros do sangue do coração e do fígado
O sangue vivo que é recolhido pela terra cobre-se de fungos,e ele sobrevive, sobrevive ó mãe muito velha o Sangue vivo que é recolhido pela terra cobre-se de fungos e ele sobrevive,ó mãe muito velha)
Ìyámì Ò s òròngá não é um orixá, mas sim uma energia ancestral coletiva feminina, cultuada pelas GÈLÈDÈ; sociedade feminina fechada da Ìyámì El é ey e (minha mãe senhora dos pássaros), representada pela máscara dos pássaros. A sociedade Ò s òròngá congrega as àj é–feiticeiras que têm poderes de se
transformarem em determindos pássaros è hurù, e luùlú,àtióro,àgbìgbò e ò s òròngà ,este ultimo refere-se ao próprio som que a ave emite e da nome a Sociedade. Exercem sua força máxima nos horários mais críticos – meio-dia e meia-noite – ocasiões em que é preciso muita cautela para que elas não pousem na cabeça de ninguém.

Suas cerimônias são realizadas no início da
estação do plantio relacionado à fertilidade.
Estas cerimônias tiveram início na região de Ketú, dividindo-se em duas partes a diurna e anoturna. Segundo nos conta um ìtàn do Odù Ogbé Ò sá , diz que quando as Ìyámìs chegaram do Ò run pousaram em sete árvores.

Segundo um Ìt ò n as 7 ávores das Ìyámìs seriam:
Orobo - Garcinea Cola
Àjànrèré - Ficus Elegans
Iroko - Chlorophora Excelsis
Orò - Antiaris Africana
Ogun Bereké - Delonex Régia
Arere - Triplochiton Nigericum
Igi ope - Elaeis Guineensis

Porém outra ìtàn nos da outra apresenta uma relação diferente das sete árvores estas seria as árvores sagradas das Mães Ancestrais:
Ose - Adansanonia Digitalia
Iroko - Chlorophora Excelsis
Ìyá - Daniellia Olivieri
Asunrin - Erythrophelum Guineense
Obobo - Não identificada
Iwó - Não identificada
Arere - Triplochiton Nigericum

A contrario do que se pensa aqui no Brasil existe sim a presença masculina no culto a ìyámí.
São detentoras de poderes terríveis,consideradas as donas da barriga(por onde circularia a energia vital do corpo) Ninguém pode com seus E b o,dos quais, o Òjijì (sombra) é o mais fatal.São ligadas diretamente ao ODU ÒYEKU MEJI, são
propiciadoras para a alteração do destino de uma pessoa. Seus poderes são tamanhos que só se consegue no máximo apaziguá-las,vence-las jamais.Relacionam-se com as ìyámìs Òs un Ijumu e Òs un Ìyánlá a quem estão ligadas pela ancestralidade feminina, bem como a Y e m o ja Odúa, considerada fundadora do culto G È L È D È.

Deve-se lembrar portanto, que "òsò" é um título de quem trás o Égan (símbolo de È s ù o qual
foi dado através das mãos de Ò s òròngà( it ò n ò s éòtúrá )e mesmo assim se foi iniciado no tradicional culto de `Obàtálá /Y e m o ja Odùa e ainda tiver profunda relação com Ikú,através de algumas se suas principais ònifás,como Òyèkú méjì,Òbàrà méjì,Òtúrúpòn méjì e algumas outras poucas.O sangue( è j è )não é de nenhum Òrì s à a não ser de Ò s òròngà como vemos no Oriki ( è j è ó yè ní kál è o - o sangue fresco que recolhe na terra cobre-se de fungos )

Afirma a tradição que as Ìyámí segue o rastro do sangue do fígado e do coração, isto se deve por os chamados À se das oferendas são de Ò s òròngà! estes orgãos se classificam em comportamentos Ofú (aqueles que produzem a fazem circular a energia no corpo) estômago,
bexiga,vesícula biliar,intestino grosso e o intestino delgado,como também em comportamentos Osa (coração,pulmões,rins,
fígado e baço - pâncreas) Estes detalhes são importantíssimos no culto à Ò s òrongà e principalmente no culto È f é -G è l è d è ainda mais se falamos do sacrifício de e l é d é (porco )
Relacionam -se com Ò s òròngà:
È s ù : somente com sua ajuda é que conseguimos a comunicação com as Ìyámí,além de ser a prova viva do poder das Ìyámís.
Ògún: o senhor da cabaça de èédú (carvão) - onà iwó oòrùn (caminho do oeste) é bem mais íntimo de Ò s òròngà,se não fosse ele o senhor do sagrado ato da oferenda de animais,
juntamente com È s ù e Ò s òròngà .
Y e m o ja Odùa* :(Yemòwo) Grande Ìyá, Senhora do ìgbá- e y e (cabaça dos pássaros) é a Ìyá'nlá seu nome é modificação da palavra Odù Logboje, a mulher primordial, também denominada E l e yinjú E g é ,a dona dos olhos delicados fazendo parte das divindadesgeradoras representada pelo Preto, fundadora do culto e sociedade G è l è d è.

Òs un :Grande protetora da gestação, é a Ìyámí-Àkókó, mãe ancestral suprema.
Òs un Ìjimu e Ìyánla:A duas mais velhas Òs un, são as duas ancestrais das mulheres.
Nàná: patrona da lama e dos primórdios da criação do Àiyé,é a O m o Àtìóro oké O fa.
O ya e Yewa:são todas Ìyá- E l é y e possuidoras da cabaça com pássaro símbolo do poder
feminino.
Olórí ìyá-àgbà Àj é E l é y e ,chefe supremo de nossas mães ancestrais possuidoras d pássaros.
Ògágun ati Ò gájùlo ninu awon ìyámí ò s
òròngà.chefe supremo,comandante entre todas as Ìyámí.
Òrúnmìlà:Este foi o único òrì s à que quando as ìyámí estavam zangadas conseguiu apaziguar sua fúria e desta forma salvou o àiyé e
restabeleceu a Harmonia,entre os Homens e Mulheres.
Toda mulher é uma Ajé,porque as Ìyámí
controlam o sangue menstrual elas representamos poderes místicos das mulheres no seu aspecto mais perigoso.São as Avós,as mães em cólera que em sua boa vontade a
própria vida na terra não teria continuidade

Ìtàn do Odù Ò sá Méjì
* Odùa TORNA-SE Ìyámí *
Nos primórdios da criação,Olódùmarè, o Ser Supremo que vive no Ò run,mandou vir ao àiyé (universo conhecido) três divindades:Ògún (senhor do ferro),O barì s à (senhor da criação dos homens) (2 -Um dos òrìsà funfun, sto é,òrì s à que têm como principal preceito o uso do branco nos ritos e nas oferendas) e Odùa(Y e m o ja), a única mulher entre eles.Todos eles
tinham poderes,menos ela, que se queixou então a Olódúnmarè.

Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça (ìgbá e l é y e ) e ela se tornou então,através do poder emanado de Olódùmarè, Iyá Won,nossa mãe para eternidade (também chamada de Ìyámí Ò s òròngà,minha mãe Òshòròngà)
Mas Olódùmarè a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela sob pena de ele mesmo repreendê-la.
" Olódùmarè diz qual é o seu poder?
Ele diz: você será chamada para sempre de Mãe de todos.
Ele diz:você dará continuidade.
Olódùmarè lhe entrega o poder.
Ele entrega o poder de e l é iy e para ela.
Ela recebe,o pássaro de Olódùmarè.
Ela,recebe,então,o poder que utilizara com ele.
Ele diz:utilize com calma o poder que eu te dei a você.
Se você utilizar com violência,ele o retomara.
Porque aquela que recebeu o poder se chamar Odù.
O homem não poderá fazer nada sozinho na
ausência da mulher"
"Lati ìgbá náà ni Olódùmarè ti fun obirin l'à se"
(Desde aquela época,Olódùmarè outorgou axé as mulheres)
Elas exerciam todas as atividades secretas:
"O mú Éégún jáde
O mú Orò jáde
Gbogbo nkan,kò si ohun ti ki se nigba náà"
(Ela conduz Egun
Ela conduz Orò
todas as coisas,não ha nada que ela não faça nesse tempo)

Mas ela abusou do poder do pássaro.Preocupado e humilhado,O barì s à foi até Òrúnmìlà fazer o jogo de Ifá,e ele o ensinou como conquistar
apaziguar e vencer Odùa,através de sacrifícios,oferendas( e b o com ìgbín e pas ò n Haste de Àtòrì) e astúcia.
Ele lhe oferta e ela negligentemente, aceita,a carne dos ìgbín.
"Odù náà gba omi ìgbín,o mu ú
Nigbati Odù mu omi ìgbín tán ,inú Odù nr ò di e di e "
(Odù recebe a água de caracol para beber,
quando odù bebeu,o ventre de Odù se
apaziguou)
O barì s à e Odùa foram viver juntos.Ele então lhe revelou seus segredos e,após algum tempo,
ela lhe contou os seus, inclusive que cultuava
Éégún.Mostrou-lhe a roupa de Éégún,o qual não tinha corpo,rosto nem tampouco falava.Juntos eles cultuaram Éégún.
Aproveitando um dia quando Odùa saiu de casa, ele modificou e vestiu a roupa de http://xn--egngn-8uac.Com um bastão na mão (opa),O barì s à foi à cidade (o fato de Éégún carregar um bastão revela toda a sua ira) e falou com todas as pessoas.

Quando Odùa viu Éégún andando e falando,
percebeu que foi O barì s à quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou homenagem a Éégún e a O barì s à,conformando-se com a vitória dos homens e aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em Éégún, e lhe outorgou o poder: tudo o que Éégún disser acontecerá.Odùa retirou-se para sempre do culto de Egúngún, e partiu para partir o culto G è l è d è .Só e l é iy e , indicara seu poder e marcara a relação entre Egúngún e Ìyámí.
" Gbogbo agbára ti Egúngún si nlò agbára e l é iy e ni."
(Todo o poder que utilizara Egúngún é o poder do pássaro)
AS SENHORAS DO PÁSSARO DA NOITE
Iyami Oshorongá é o termo que designa as terríveis ajés, feiticeiras africanas, uma vez que ninguém as conhece por seus nomes. As Iyami representam o aspecto sombrio das coisas: a inveja, o ciúme, o poder pelo poder, a ambição, a fome, o caos o descontrole. No entanto, elas são capazes de realizar grandes feitos quando devidamente agradadas. Pode-se usar os ciúmes e a ambição das Iyami em favor próprio, embora não seja recomendável lidar com elas.
O poder de Iyami é atribuído às mulheres velhas, mas pensa-se que, em certos casos, ele pode pertencer igualmente a moças muito jovens, que o recebem como herança de sua mãe ou uma de suas avós.

Uma mulher de qualquer idade poderia também adquiri-lo, voluntariamente ou sem que o saiba, depois de um trabalho feito por alguma Iyami empenhada em fazer proselitismo.
Existem também feiticeiros entre os homens, os oxô, porém seriam infinitamente menos virulentos e cruéis que as ajé (feiticeiras).

Ao que se diz, ambos são capazes de matar, mas os primeiros jamais atacam membros de sua família, enquanto as segundas não hesitam em matar seus próprios filhos. As Iyami são tenazes, vingativas e atacam em segredo. Dizer seu nome em voz alta é perigoso, pois elas ouvem e se aproximam pra ver quem fala delas, trazendo sua influência.
Iyami é freqüentemente denominada eleyé, dona do pássaro. O pássaro é o poder da feiticeira; é recebendo-o que ela se torna ajé. É ao mesmo tempo o espírito e o pássaro que vão fazer os trabalhos maléficos.
Durante as expedições do pássaro, o corpo da feiticeira permanece em casa, inerte na cama até o momento do retorno da ave. Para combater uma ajé, bastaria, ao que se diz, esfregar pimenta vermelha no corpo deitado e indefeso. Quando o espírito voltasse não poderia mais ocupar o corpo maculado por seu interdito.
Iyami possui uma cabaça e um pássaro. A coruja é um de seus pássaros. É este pássaro quem leva os feitiços até seus destinos. Ele é pássaro bonito e elegante, pousa suavemente nos tetos das casas, e é silencioso.
"Se ela diz que é pra matar, eles matam, se ela diz pra levar os intestinos de alguém, levarão".
Ela envia pesadelos, fraqueza nos corpos, doenças, dor de barriga, levam embora os olhos e os pulmões das pessoas, dá dores de cabeça e febre, não deixa que as mulheres engravidem e não deixa as grávidas darem à luz.

As Iyami costumam se reunir e beber juntas o sangue de suas vítimas. Toda Iyami deve levar uma vítima ou o sangue de uma pessoa à reunião das feiticeiras. Mas elas têm seus protegidos, e uma Iyami não pode atacar os protegidos de outra Iyami.
Iyami Oshorongá está sempre encolerizada e sempre pronta a desencadear sua ira contra os seres humanos. Está sempre irritada, seja ou não maltratada, esteja em companhia numerosa ou solitária, quer se fale bem ou mal dela, ou até mesmo que não se fale, deixando-a assim num esquecimento desprovido de glória. Tudo é pretexto para que Iyami se sinta ofendida.
Iyami é muito astuciosa; para justificar sua cólera, ela institui proibições. Não as dá a conhecer voluntariamente, pois assim poderá alegar que os homens as transgridem e poderá punir com rigor, mesmo que as proibições não sejam violadas. Iyami fica ofendida se alguém leva uma vida muito
virtuosa, se alguém é muito feliz nos negócios e junta uma fortuna honesta, se uma pessoa é por demais bela ou agradável, se goza de muito boa saúde, se tem muitos filhos, e se essa pessoa não pensa em acalmar os sentimentos de ciúme dela com oferendas em segredo. É preciso muito cuidado com elas.
E só Orunmilá consegue acalmá-la.

Fragmentos sobre o culto Gelede e textos de:
Pierre F.Verger - do livro " As Senhoras do Pássaro da noite" e do art.publicado em 1965 no "Journal de la Societe des Africanisters"
..."Grandeur et decadence du culte de Iyami Osoronga "
Organização e tradução-Carlos Eugenio M.de Moura.

OFO OLÓOJÓ ÒNÍ






OFO OLÓOJÓ ÒNÍ
Olóojó òní Ifá, mo júbà rè
Olú dáyé, mo júbà rè
Mo júbà omodé
Mo júbà àgbà

Bí èkòló bá júbà ilè
Ilè ó l’énun
Kí ìbá mi sé
Mo júbà àwon àgbààgbà méérìndílógún

Mo júbà bàbá mi “Ogun “
Mo tum júbà àwon Ìyá mi eléeye
Mo júbà Òrúnmìlà, ó gbáayé, ó gbóòrun
Òhuntí mo bá wí lóojó òní
Kí ó rí béè fún mi

E jòwó, májé kí ònòn mi díì
Níìtorí yìí ònòn kò dí mòn ojó
Ònon kò dí mòn oògùn
Òhuntí a bá ti wí fú Ògbà, l’Ògbá ngbà

Ti Ìlákòse ni sé láàwújo igbi
Ti Ekese ni sé láàwùjo Òwú

Olóojó Òní kí ó gbà òrò mi yèwò

Àsé!

Senhor e dono do dia Ifá, apresento-vos meus respeitos.
Senhor da terra, apresento-vos meus respeitos.
Meus respeitos aos mais jovens (novos).
Meus respeitos aos mais velhos.

Se a minhoca vai à terra respeitosamente,
A terra abre a boca aceitando-a
Que a bênção me seja dada.
Meus respeitos ao dezesseis mais velhos (Odú Àgbà).

Meus respeitos, meu pai “ Ogun “
Eu tomo a benção às minhas mães Senhora dos pássaros.
Meus respeitos, Orunmilá, aquele que vive na terra e vive no céu.
Qualquer coisa que eu diga no dia de hoje,
Que eu possa vê-la acontecer para mim.

Por favor, não permita que meus caminhos se fechem,
Porque os caminhos não se fecham para quem entende o dia,
Os caminhos não se fecham para quem entende a magia.
Qualquer coisa que eu diga para Ògbà, que Ògbà aceite.

Ìlákòse tornou-se o mais importante na assembléia dos caracóis,
Ekese tornou-se o mais importante na assembléia do algodão.

Senhor e dono do dia, que você aceite minhas palavras e verifique.

Que assim seja !

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O acaçá segundo Ngangalecy.

As definições mais elementares do acaçá, dizem que se trata de uma pasta de milho branco ralado ou moído, envolvida ainda quente, em folha de bananeiras. A definição é correta, mas extremamente superficial, pois, o acaçá é de longe a comida mais importante do candomblé. Seu preparo e forma de utilização nos rituais de oferendas envolvem preceitos e regulamentos bem rígidos, que nunca podem deixar de ser observados.
Todos os Orixás de Exú à Oxalá recebem acaçá.todas as cerimônias, do ebó mais simples aos sacrifícios de animais, levam acaçá. em rituais de iniciação, de passagem, em tudo mais que ocorra em uma casa de candomblé só acontece com a presença do acaçá.
A pasta branca à base de farinha de milho, chama-se eco ( èko), depois de envolvida na folha de bananeira, aí sim, será acaçá
O acaçá, é um corpo um símbolo de um ser,. A única oferenda que restitui e redistribui o axé.
O acaçá remete ao maior significado que a vida pode ter: a própria vida. e por ser o grande elemento apaziguador, que arranca a morte, a doença, a pobreza e outras mazelas do seio da vida, tornou-e a comida e predileção de todos os orixás.
Nem todas as palavras do mundo são suficientes para decifrar o valor de um acaçá. Basta admitir que os segredos estão nas coisas mais simples para ver que muitos julgam insignificante, a comida mais importante do candomblé, banalizando o sagrado e privilegiando a intuição em detrimento do fundamento.
Fato é que quem não faz um bom acaçá não é um bom conhecedor de candomblé, pois, as regras e diretrizes da religião dos orixás nunca foram ditadas pela intuição.

Aos incautos vale afirmar que candomblé não é intuição, mas, fundamento sim, e fundamento se aprende.
fundamento é o segredo compartilhado, o mistério sagrado, o detalhe que faz a diferença e a prova de que ninguém pode enganar o orixá. Aqui o grande fundamento é que o sangue dos animais jamais pode jorrar sobre os ibás sem a presença do elemento pacificador, pois, o acaçá simboliza a paz. Quando ofertado e retirado do seu invólucro verde, tornando-se a comida de Oxalá que agrada a todos os orixás, a primeira oferenda que deve ser colocada diretamente no assentamento, juntamente com o obi e a água, antes de qualquer sacrifício.
O acaçá deve permanecer fechado,imaculado até o momento de ser entregue ao orixá. só então é retirado da folha.É como se o sagrado tivesse que ficar oculto até a hora da oferenda, prova de que o segredo é quase sempre um elemento consagrado. e o segredo do acaçá é enrolar o ekó na folha de bananeira, é o que manten um terreiro de candomblé, de pé.
NÃO EXISTE ACAÇÁ QUE NÃO SEJA ENROLADO NA FOLHA DE BANANEIRA.

Entretanto, a imprudencia vigora em muitos terreiros e não raras vezes se ouve falar de novas iguarias apresentadas como acaçá. Os mais comuns são os "acaçás de pia" e de "forma". No primeiro caso, a massa de ecó, mais grossa, é colocada às colheradas sobre o mármore das pias, onde os "bolinhos" esfriam antes de serem utilizados nos ritos. Na segunda "receita", a massa espalhada em uma forma é posteriormente cortada em quadradinhos..Este é procedimento incorreto e condenável, e as pessoas que agem assim estão fadadas ao insucesso e não podem ser consideradas pessoas de axé.
Não há candomblé sem acaçá, nem acaçá sem folha. A religião dos orixás não admite modificações na essência, e esta comida é essencial, portanto, inviolável.
Há sacerdotes que oferecem até bois em sacrifício a seus orixás e acabam se esquecendo que o acaçá traduz o saber, e de nada adianta o boi sem acaçá.

PRIMEIRO VEM O ACAÇÁ, ANTES DELE SÓ A VIDA.LOGO, A FOLHA DE BANANEIRA GUARDA UMA VIDA.DEIXAR O ECÓ EXPOSTO É O MESMO QUE DEIXAR A VIDA VULNERÁVEL. Eis o grande fundamento.

Que se arrependam, pois, os que menosprezam o maior entre todos os fundamentos do candomblé, lastimem para sempre essa imprudência e reconheçam que seu insucesso é decorrência de sua ignorância.Saibam agora, que nos lugares mais óbvios se escondem os maiores segredos.Jamais banalizem o sagrado. No mundo de hoje não há lugar para a incompetência nem para o despreparo,portanto, quem não souber fazer um acaçá, que saia do candomblé.
Na Bahia, não há quem não conheça, imprescindível nos rituais de candomblé.
Manter-se imaculado até o momento da oferenda é o que garante a eficácia do acaçá, portanto a folha da bananeira( no Brasil, nenhuma outra pode substituí-la)é fundamental e prova, acima de tudo quanto o babalorixá, yalorixá são conhecedores da religião que professam. Os grandes sacerdotes, conhecidos por sua seriedade, saber e sucesso, enrolam o ecó na folha, sabem fazer acaçá.
ESTE É O SEGREDO!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Yewá A serpente azul ou a senhora da visão

É uma Santa guerreira e dona da visão. É um Òrìsá um pouco raro no Brasil. Ela gosta que suas filhas sejam novas e virgens. Quando suas filhas casam ou perdem a virgindade, elas passam a ser ADÓSÙU de ÒSUN. Mais tarde, se elas se abstiberem de sexo ou ficarem viúvas, YEWÀ passa a rege-las, inclusive, a possuir suas cabeças. Ela, como NÀNÁ, não gostam de escolher homens para seus eleitos, podendo os mesmos serem seus OGÁN ( ALABES, ASOGUNS e outras funções que não seja incorporar a Deusa ) .É muito amiga dos pássaros, sendo os mesmos um de seus grandes fundamentos, porque ela é mãe dos pássaros. Todas as partes brancas lhe pertence, o branco do arco-iris, os raios brancos do sol, a neve e o leite das folhas. Também é um Òrìsá das florestas e comanda os astros como o sol, a lua e as estrelas.

YEWÀ quer dizer: - A serpente azul ou a senhora da visão

Usa o vermelho cristal e o amarelo gema, três contas vermelhas e duas amarelo gema.

-GEBEUYIN
A primeira a surgir no mundo. Faz os banhos de ervas darem positivamente e traz abundância nos alimentos. Veste vermelho maravilha e o amarelo claro. Come com OMOLÚ, OYA e ÒSUN. Nas tempestades essa YEWÀ tem o poder de transformar-se numa serpente azulada. Isto porque ao ser enganado por YEWÀ, sôbre onde encontrava-se ÒRÚNMÌLÀ, IKÙ ( a morte ) encantou uma serpente, para que quando ela visse ÒRÚNMÌLÀ, emitisse um som que onde estivesse IKÙ ouviria e comeria ÒRÚNMÌLÀ. YEWÀ sabedora do que IKÙ havia feito, matou a cobra e comeu, passando , assim, a emitir o mesmo som. Procurando mais uma vez enganar IKÙ, pois se ÒRÚNMÌLÀ estava presente, YEWÀ corria para putro lado e emitia o som da serpente, chamando IKÙ para outra parte.

- GYRAN
Ela é a deusa dos raios do sol. Controla os raios solares para que êles não destruam a terra. Ela é a formação de um arco-iris duplo que aparece em torno do sol. É ela quem ordena ao sol que ilumine a lua. Metade deste Òrìsá é YEWÀ e a outra é BESSEN. Possui fundamento com a pedra ametista. Seu OTÀ é esverdeado. A platina, o rubi, o ouro e o bronze vão em seu assentamento. Come com OMOLÚ, ÒSUN e ÒSÓÒSÌ.

- OMAJÈ
É a senhora do lagarto, comanda as mudanças de cores do lagarto. Caminha com ÒSUN KARÉ e uma qualidade de ÒÒSÀÀLÀ, que também é dono do lagarto. Sua pedra é a água marinha. Em seu assentamento leva rubi, ouro e opala. Vive na terra, pois perdeu o poder se subir ao ORUN ( CÉU ) ao tentar picar OSÀLÚFÓN. Ela encontra-se no arco-iris que se forma nas pedras molhadas das cachoeiras. Come com ÒSUN e OMOLÚ INTOTO.

- EREWÀ
Ela é vista no arco-iris que se forma em volta da lua. Foi ela quem encarou ÒGÚN e entrou em luta corporal. ÒGÚN ao derruba-la ao chão, o capacete caiu-lhe da cabeça e ela apavorada correu para escapar, pois êle havia visto o que ela jamais havia mostrado a ninguém, o seu rosto de cobra. Correndo de ÒGÚN que queria sua cabeça como premio, encontrou-se com BESSEM, que a levou para o interior do YILÉ YIBO YILU, a mata da morte, fugindo assim de ÒGÚN. Usa o bronze, o onix e a esmeralda. Em seu assentamento são colocados quatro cristais. Come com OMOLÚ INTOTO e BESSEN.

Lendas e ervas
SUAS FOLHAS

-Todas as de OSÙMÀRÈ e OBALÚWÀIYÉ, cana do brejo, ojuoro e a principal que é a da melancia.

LENDA

YEWÀ estava a banhar-se e a lavar roupas no rio quando ÒRÚNMÌLÀ apareceu fugindo de IKÙ ( amorte ) , relatando o que estava acontecendo e a pedir que o escondesse , pois estava muito novo para morrer. Ela atendeu escondendo-o sob um monte de roupas que estavem em baixo de sua saia. IKÙ surgiu e perguntou-lhe : Mulher, viste alguém passar por aqui ? - YEWÀ perguntou-lhe : Por que mulher ? - IKÙ respondeu-lhe : Sabes quem sou eu ? - YEWÀ ecrando a morte sem teme-la disse : Sei, és IKÙ a morte. E tu, sabes quem eu sou ? - Sim, respondeu IKÙ, és YEWÀ a mulher de OBALÚWÀIYÉ e estimo-lhe meus respeitos. Com ar soberano ela disse-lhe : Vi sim, alguém passou correndo para aquele lado, indicando a IKÙ o caminho errado, salvando assim a vida daquêle jovem . ÒRÚNMÌLÀ agradecido deu a YEWÀ o dom da vidência. Neste exato momento YEWÀ teve um pensamento e ÒRÚNMÌLÀ falou-lhe : YEWÀ tu serás mãe. Era justamente o que ela estava pensando. Este era o melhor presente dado a esta grande guerreira.

Off Topic:

Deixo claro que posto este artigo para conhecimento da grande diversidade e formas de se cultuar Orisá... o que não quer dizer que eu concorde com tais "qualidades de Orisá".

O EFEITO DAS OFERENDAS SACRIFICAIS EM NOSSAS VIDAS

Nos dicionários usuais, a definição de “sacrifício” é oferenda de alguma coisa para uma divindade.
Um ato de abnegação em favor de outrem, privação de uma coisa muito apreciada, por cobiçar uma
coisa valiosa ou por um pedido de máxima urgência.
Assim diz Addison: “Se tu preservas minha vida, teu sacrifício poderá ser ...” Sejam quais forem os
desejos pessoais tidos no céu ou na terra, envolvem algum sacrifício ou entrega de alguma coisa. A
vida não transcorre apenas com lucros. Também envolve doação, por isso se diz que a vida é um
processo de doar e receber.
O sacrifício mais simples que alguém pode fazer por algo é o tempo. Sacrificar tempo e esforço,
seja na quantia que for, sempre é tido como válido, obviamente em simples comparação ao pedido,
pode envolver sacrifícios de vaidade humana e de independência. Quantas coisas alguém pode
ganhar de outrem sem implorar por isto, subornando ou fazendo alguma compensação ou
gratificação maior, tendo mesmo até que comprometer sua palavra em adiantamento.
Quando existe portanto a necessidade de realização de um desejo ou pedido de proteção de uma
divindade, um grande sacrifício é exigido.
Não é suficiente merecer pedir por tais benefícios ou favores. Envolve obrigatOríamente sacrifício físico. Há sacrifícios envolvendo a oferta de objetos
animados ou inanimados.
Quando alguém solicita algum tipo de progresso ou de lucro, isto envolve alguma espécie de
investimento, assim como um fazendeiro que sacrifica parte de suas sementes para a plantação no
ano seguinte, a fim de colher uma safra no final do ano, ou então um negociante que investe suas
economias ou seus fundos de empréstimos em seus próprios negócios a fim de receber os
rendimentos que irão satisfazer as suas necessidades recorrentes.
Desta forma, se alguém se comporta bem na divinosfera, receberá deles o necessário, o que irá
facilitar no pedido de auxílio a outrem. Por isso, o último recurso na religião de Ifá é fazer um
sacrifício.
Ọrúnmìlá diz que sacrifício é resgate, quaisquer que sejam os problemas, pode se dispor de algum
tempo para solucioná-los ou para se dedicar a algo que venha a criar crédito, assim quando houver a
real necessidade de fazer um sacrifício de acordo com o oráculo e o fizer prontamente, haverá a
confiança de uma assistência.
Ọrúnmìlá revela que antes de alguém partir do céu para o mundo, ele aconselha a conseguir
autOrízação das divindades Oríentadoras. Se a pessoa aceitar o conselho dado para fazer o
sacrifício, certamente encontrará uma estadia tranqüila no mundo. Mas se ele se recusa, a menos
que faça o sacrifício depois de sua chegada ao mundo, ele estará propenso a ter problemas na terra.
Nós veremos nas vidas dos 256 Ọdus e Olodus, que virtualmente todos eles foram avisados a fazer
sacrifícios antes de deixarem o céu. Nós também veremos o que aconteceu com aqueles que fizeram
o que foi recomendado, assim como para aqueles que falharam em fazê-lo.
Todos esses sacrifícios envolvem a oferta de um ou mais bodes para Èşu, que pode ser muito útil
para aqueles que fazem oferendas para ele e trazer a destruição da sorte daqueles que se recusam a
fazê-lo. Esse é o motivo pelo qual algumas pessoas se referem a ele como a divindade do suborno,
porque ele não auxilia a ninguém gratuitamente.
A diferença fundamental entre Ọrúnmìlá e as outras divindades é que de certa forma na época em
que eles foram criados por Deus, ele foi o único que reconheceu os poderes destrutivos de Èşu e
concebeu uma estratégia para ter uma harmonia com ele. Esta estratégia foi o sacrifício, ele
compreendeu que Èşu estava interessado apenas em reconhecimento e comida. Èşu freqüentemente
diz a Ọrúnmìlá: “Meu amigo é aquele que me respeita e alimenta, enquanto que meus inimigos são
aqueles que desrespeitam e me fazem passar fome. Eu nem tenho uma fazenda ou um negócio
próprio. Minha fazenda é o universo e minhas mercadOrías são as criaturas de Deus.”
Veremos mais adiante que ele é capaz de se infiltrar e mutilar qualquer coisa criada por Deus. É por
este simples reconhecimento do poder dele e como ele tem feito uso disto para sua própria
vantagem, que Deus nomeou Ọrúnmìlá “Alguém que é sábio e sensato”.
Oyekumeji revelará adiante como a vida de um homem chamado Odo Agutan (o pastor celeste) ou
(JewÈsùn como Ifá o chama) teve uma vida curta na terra por conta de sua recusa em fazer as
oferendas a Èşu antes de sua partida para a terra. Depois dando lhe nova chance de mudar sua
opinião, por fim Èşu se infiltrou no seu rebanho e pôs fim a sua vida. Isto é a despeito do fato que
quando JewÈsùn foi diante de Deus para fazer seus pedidos para a estadia na terra, ele se
comprometeu em viver fisicamente no mundo por cem anos, e jurou que durante aquele período ele
estaria indo para liquidar qualquer vestígio do mal e da mão de Èşu da face da terra.
Mesmo assim ele foi advertido em fazer sacrifício para Èşu, o qual ele recusou enfaticamente a
fazer, por que ele não podia imaginar a lógica de fazer um sacrifício para um vilão que ele estava
indo combater. O resto da estória é história e as forças do mal continuam a ter sucesso na face da
terra.
Estas afirmações não são suficientes para sentenciar Èşu como o “demônio”; que não faz o bem, ele
pode ser um dispersador de boas novas, dependendo da atitude de alguém para com ele.
Da mesma forma, na vinda para o mundo, ao homem é exigido fazer ainda mias sacrifícios para
tudo o quanto ele desejar ter. Veremos que nenhum problema na vida pode resistir à eficácia do
sacrifício fornecido e feito pontualmente, veremos também a vida das pessoas que após recusar
fazerem os sacrifícios iniciais, foram obrigadas a fazê-los em dobro quando se viram entre o
demônio e o profundo mar azul.
Há tendência de se pensar freqüentemente que um sacerdote de Ifá que recomenda sacrifício com
animais como cabritos, carneiros ou bodes, simplesmente quer uma desculpa para ter carne para
comer às custas de um consulente desamparado. Longe disto! Qualquer sacerdote que recomende
mais sacrifício do que é ordenado por qualquer motivo, pagará por ele dez vezes mais. Do mesmo
modo, Ọrúnmìlá igualmente recomenda aos seus sacerdotes a usar o seu próprio dinheiro para
financiar sacrifícios para consulentes demonstravelmente destituídos. Ele apregoa desta maneira
que os sacerdotes serão recompensados dez vezes. Veremos de Ofun-Ogbe, como Ọrúnmìlá usou
seus próprios materiais e dinheiro para fazer sacrifício para Oríşá N’La e como ele foi
conseqüentemente compensado duzentas vezes.
Existem dois sacrifícios principais os quais não podem ser negligenciados, são para Èşu e para
Ògún. O escritor tem visto pessoas a quem foi recomendado fazer sacrifício assim para Èşu , mas
recusaram e apenas poucos dias depois passaram por grandes dificuldades.
Um jovem foi avisado a dar um bode a Èşu a fim de evitar ser preso por um delito que ele não
cometeu. Ele não se recusou a fazê-lo, mas prometeu ao sacerdote de Ifá que faria quando recebesse
seu salário no final do mês. O sacerdote preveniu o jovem de que o perigo previsto no oráculo era
muito iminente para o sacrifício poder esperar. O jovem que também era um homem (Aladura), me
contou á parte, que sua igreja tinha visto a mesma coisa para ele, mas que ele tinha sido avisado
para oferecer um jejum e orações especiais.
O sacerdote de Ifá, um homem muito velho em seus 90 anos, contou lhe que se ele mesmo tivesse o
dinheiro, faria por ele, deste modo ele poderia indenizá-lo no final do mês. O escritor também se
ofereceu para ajudá-lo, mas como o homem orgulhoso cujo pedido é lei, preferiu esperar até receber
seu próprio salário.
Exatamente três dias depois, um batalhão de policiais armados invadiram a casa na qual o jovem
morava, na busca de um ladrão armado. Todo mundo sabia que o jovem não tinha histórico de
comportamento criminoso. Mas ele foi inadvertidamente arrastado pelos policiais e levado embora.
Ele ficou em detenção por 23 dias. Tão logo o escritor foi informado do incidente, ele viajou ao
Benin par informar a mãe da vítima sobre o sacrifício que ele tinha sido recomendado a fazer. O
escritor finalmente financiou e o sacrifício foi feito rapidamente. Três dias depois do sacrifício ter
sido feito, o jovem foi solto, após o verdadeiro culpado ter sido capturado. Uma mera coincidência
alguém poderia imaginar.
Há também o caso de outro homem que foi avisado pelo sacerdote de Ifá a oferecer um galo e um
cão a Ògún pelo oráculo, ele fez num sábado de manhã. Foi recomendado a ele não viajar a lugar nenhum antes de fazer o sacrifício. Ele deu dinheiro a sua esposa para comprar o material sacrificial
e foi visitar um amigo. Na casa deste amigo ele recebeu a notícia de que a mãe de seu amigo estava
seriamente doente em uma vila chamada Igousodin, mais ou menos a 16 km de Benin. Esquecendo
o aviso que tinha sido dado e antes de fazer o sacrifício, decidiu conduzir o seu amigo em seu
próprio veículo até a vila de sua mãe.
No caminho para a vila, ele encontrou um cortejo fúnebre, e ele dirigiu no meio da multidão,
matando dois dos oficiantes do funeral. Seu carro não foi apenas queimado, como foi linchado para
morrer. Estas lembranças são dolorosas, porque a vítima infeliz era um amigo querido.
De igual importância é o sacrifício para seu próprio guardião (Eleeda ou Ehi). O próprio guardião
de alguém é um pouco mais paciente e favorável. Entretanto todo sacrifício que alguém é
recomendado a fazer para ele deve ser feito até se implicar em empréstimo de dinheiro para fazê-lo.
O guardião não pede sacrifício a não ser que tenha um motivo para usar o sacrifício para satisfazer a
outra divindade cuja proteção não pode ser angariada facilmente. Quanto a não alimentar o anjo
guardião de alguém com os sacrifícios prescritos, equivale a sua própria inanição.
O guardião é o conselheiro de alguém e advogado na divinosfera.

Fonte:
A OBRA COMPLETA DE ỌRÚNMÌLÁ
A SABEDORÍA DIVINA

Erínlè

O culto de Erínlè nasce no Odu de Òkànràn Ogbè. Seu culto está centrado ao redor do rio Erínlè, um rio tributário do rio Òsun, que atravessa a cidade de Ìlobùú (Ilú Òbú ou cidade de Òbú), localizada ao sul da Nigéria Ocidental, na estrada de Ogbomoso para Osogbo (está situada aproximadamente dez milhas a oeste de Osogbo). Ele é a divindade patrona de Ìlobùú. Ìlobùú é um centro de comércio para o inhame, milho, mandioca, óleo de dendê, abóbora, feijão, quiabo e está em uma área de savana habitada principalmente pelos Yoruba. Òbú é um tipo de giz nativo (efun) e é comestível. É usado para temperar comida e era um dos temperos principais, muito antes do sal, da mesma forma que o aró-àbàje (uma tintura azul comestível) é usado para temperar comidas como o ekuru aró.

Tido como filho de Ainá, Erínlè é considerado por muitos como filho mítico de Yemoja e de Olokun. É um Òrìsà caçador, pescador e um médico, por conta do seu grande conhecimento da floresta e da flora. Este Òrìsà, enquanto médico dominou, antes que Osányìn, o poder da botânica. Não é incomum para os sacerdotes de Erínlè carregarem um cajado (òsù) semelhante ao que carregam os sacerdotes de Osányìn e de Ifá devido a importância deles como curandeiros medicinais.

Sabe-se que ele conhece o poder curativo do Eja aro. Essa medicina nasce em Òkànràn Òfún. O peixe seco (eja aro) é conhecido em Nupeland e isso é revelado pelo caminho de Òkànrànsodè descrito abaixo e na conexão entre Erínlè e o exilado rei da Nupeland.

Há muitas variações no nome pelo qual Erínlè é conhecido. Assim, ele é comumente conhecido como Erínlè dentro de Egbado, Erínlè em Ìlobùú, Enlè em Okuku. Em Cuba e Trinidad ele é conhecido como Inlè ou Erínlè "Ajaja". Ajaja é um título honorífico que significa "Ele que come cachorro", "o que é feroz". No Brasil, no Candomblé Ketu, ele é conhecido como Inlè e Òsóòsì Ibualama. Erínlè quer dizer elefante (Erin) em-o-terra (ilè) ou terra-elefante.
Erínlè é considerado por alguns como uma divindade hermafrodita, mas ele é adorado principalmente como uma divindade masculina em Yorùbáland. Ele é pensado por alguns estudiosos como sendo o aspecto masculino de Yemoja Mojelewu. O que parece consenso é que Erínlè mora na floresta com os irmãos Osányìn, Ògún e Òsóòsì, no cultivo com Òrìsà Oko, nas águas com Yemoja, Otin e Òsun. A residência verdadeira dele seria o ponto onde o rio encontra o oceano, onde docemente se misturam as águas doce e salgada.

No Candomblé Ketu é considerado que Erínlè tem dois caminhos ou aspectos. Um aspecto é considerado um velho caçador, Òsóòsì Ibualama. O outro caminho é mais jovem e mais delicado e bonito, normalmente chamado Inlè.

Na tradição Lukumi, Erínlè é acompanhado por Ibojuto e Abátàn. Abátàn (ou Abàtà = pântano) é a divindade da baixada. Abátàn normalmente é considerado como a companheira feminina de Erínlè mas alguns reconhecem Abátàn como masculino. Quando Erínlè é assentado dentro da cerimônia de iniciação, Abátàn também é assentada. Ela tem canções e oríkì separados. Abátàn come com Erínlè e participa de todas as suas oferendas e sacrifícios.

Erínlè seria acompanhado por Abátàn, sua contraparte feminina. Duas divindades que se unem como um, embora distintos, eles funcionam juntos, como uma unidade. Há um equilíbrio, dando uma visão instantânea do caráter de Erínlè, uma mistura perfeita de energias masculina e feminina.
Além disso, na tradição Lukumi, considera-se que a familia de Erínlè se compõe de: Abátàn - sua esposa, Boyuto - guardião de Erínlè e Abátàn, Otin - filha de Erínlè e Abátàn, Jobia - filho de Asipelu, ajudante de Erínlè, Olóògùn Èdè (Lògùn Èdè), o "senhor" (dono) do medicamento (medicina) de Èdè - filho de Erínlè com Osun, e, por último, Asao - duplo de Erínlè. Na Nigéria, Erínlè tem muitas manifestações ou caminhos, conhecidos como ibú: Ojútù, Álamo, Owáálá, Abátàn, Ìyámòkín, Àánú. É o oríkì de cada ibú que distingue entre os caminhos diferentes ou manifestações de Erínlè, como um se apresentando na sua coragem, outro como um caçador, outro ainda no poder presente na profundidade do rio. São cantados oríkì individuais a Erínlè no seu festival anual da mesma forma como também são invocados coletivamente.

O awo - ota - Erínlè ou otun Erínlè, é o nome dos recipientes usados dentro do culto de Erínlè (em Okeho é adicionalmente conhecido como aawe - Erínlè, onde tem uma forma totalmente diferente das encontradas em Ìlobùú e na maior parte da Yorùbáland). Potes fechados que guardam pedras e água são predominantemente associadas com divindades fluviais femininas, como aqueles encontrados nos cultos de Yemoja e Òsun. O awo - ota - Erínlè é o recipiente tradicional para guardar os ota de Erínlè. Sacerdotes de Erínlè dançam em procissão como parte do festival anual de Erínlè em muitas partes de Nigéria. Para o festival, sacerdotes trazem com eles o próprio awo - ota - Erínlè para o festival no rio de Ìlobùú. Quando a possessão acontece, Erínlè dança com o awo - ota - Erínlè colocado no alto da cabeça.
O òpá òrèrè (osu/cajado com o pássaro de ferro) de Erínlè é a representação para os seus seguidores da importância de Erínlè como curandeiro. A divindade mais amplamente conhecida com o mesmo símbolo é Osányìn. O cajado é feito de ferro. Sempre é mantido em pé. Pássaros de ferro empoleiram-se no topo. A maioria dos exemplos mostra um grande pássaro central cercado por pássaros menores. Não há diferenças significativas entre os cajados de Erínlè e de Osányìn encontrados na Nigéria, cada cajado é uma peça autorizada e única e assim os estilos variam imensamente. Porém há dois desenhos comuns do cajado de Osányìn feitos dentro da perspectiva dos awo em Yorùbáland. É comum se ver um cajado relativamente curto com um grande pássaro em seu topo e com 16 pássaros menores, em um arranjo circular, que olham para o pássaro mais alto, central. Lá também pode ser encontrado um òpá/osu Osányìn alto, com um só e único pássaro e quatro cones de metal invertidos, as aberturas deles coberta por disco de metal para guardar medicamentos; seguro levemente na parte mais baixa do cajado (este cajado também é encontrado na tradição Lukumi, sua especificação é considerada um requisito de Odù).

Deve ser acentuado que os cajados de Erínlè e Osányìn nas terras Yorùbá são encontrados em muitas variações no número de pássaros, formas e estilos. Foi sugerido que os 16 pássaros menores representam a divindade Odù e os Olódù de adivinhação. As curvas graciosas destes pássaros estáticos também podem ser confundidas com um agrupamento permanente de folhas de metal. Tais folhas, que não morrem, são uma lembrança visual forte para Osányìn e os medicamentos de Erínlè!

O pássaro de coroamento é, segundo muitos, um símbolo do poder sobre/pacto de Osányìn e Erínlè com as Ìyáàmi. São os medicamentos herbários de Erínlè e Osányìn que podem neutralizar ou contrapor-se aos ataques pelos aspectos negativos de Ìyáàmi. Eleye significa "mulheres que possuem e são pássaros", sendo os pássaros os mensageiros de Àjé/Ìyáàmi. Estes mensageiros também podem ser vistos em muito da estatuária religiosa e do simbolismo real, como por exemplo, no alto da coroa dos Oba. Ìyáàmi é em essência o àse/awo feminino primordial, que pode ser potencialmente benéfico ou maléfico (em condições judiciosas). Os símbolos de pássaro lembram aos líderes e congregações que ninguém está acima das forças invisíveis que precisam ser apaziguadas. As Ìyáàmi representam a gênese, as guardiãs e as doadoras do àse na terra.

Boyuto ou Ibojuto é encontrado em todos os santuários Lukumi para Erínlè. É descendente do òpá Erínlè encontrado entre os Yorùbá. Boyuto leva seu nome de uma das qualidades ou caminhos de Erínlè. Esta qualidade de Erínlè está ligada a profundidade impressiva do rio Erínlè. É dito que nesta profundidade é encontrado o reino mítico de Erínlè, chamado Ode Kobaye. "Esta profundidade escura do redemoinho é chamado Ojuto. Acredita-se assim, profundamente, que as duas casas históricas (ilé pètésì) teriam sido tragadas para cima (emergido) dentro das correntes coloridas de índigo. Do fundo do ibu Ojuto, assim é acreditado, bandos (escoltas) de pombos voam para acima das águas e desaparecem no ar." (Baba Erinlè de Ílobúù falando com R. F. Thompson no local de rio Erínlè, em Ílodúù, 1994). Boyuto ou Ibojuto é também conhecido comumente com osu de Erínlè.

Òkànràn Ogbè - O nascimento do culto de Erínlè
Um Itan do Odu Ònkànràn Ogbè conta a história de um homem Nùpe (Tápà) com o nome de Àyònù que veio para a região de Ílobùú. Ele era o herdeiro da coroa em sua terra natal porém devido a algumas manobras políticas o título lhe foi usurpado e ele foi forçado a fugir da cidade - ele teria sido morto para destruir a possibilidade de qualquer reivindicação futura à coroa.

Àyònù veio para Ìlobùú para caçar e ajudar a um caçador nativo que tinha uma estranha aparência. O amigo percebeu que Àyònù, embora mostrando-se apto nas habilidades da caça e agudo em aprender todos os segredos possíveis, não vivia sua vida conforme um caçador. Àyònù contou sua história para o amigo caçador. O amigo era Erínlè mas ele não o conhecia pelo nome porque os caçadores não mencionam nomes no mato para não serem afetados por nenhum dos espíritos animais. Caçadores referem-se uns aos outros simplesmente como Àwé. Erínlè, por seu turno, contou para Àyònù sobre sua casa, um palácio que ele tinha embaixo da terra. Ele golpeou o chão com a palma de sua mão, a terra abriu-se e os dois desceram para o palácio subterrâneo.

Erínlè tinha estado caçando por um longo tempo e, assim, ele decidiu fazer um pacto com Àyònù. Erínlè prometeu para Àyònù um nova coroa para recompensá-lo pelo título que ele havia perdido em sua terra natal. Ele disse para Àyònù que, por tanto tempo quanto ele continuasse a lhe trazer comida de caça, ele o compensaria com um título novo. Erínlè também prometeu que a guerra nunca afetaria o reino dele. Erínlè e Àyònù consolidaram seu pacto e Erínlè retirou-se para seu palácio na terra. Ele disse para Àyònù que se ele precisasse dele novamente deveria chamá-lo golpeando a terra com a palma da sua mão. Àyònù nunca mais viu seu amigo novamente.

Àyònù construiu sua casa lá e logo outros caçadores vieram viver com ele, seguidos por fazendeiros. Uma cidade tinha sido estabelecida e eles consultaram Ifá. Os adivinhos lançaram Òkànràn Ogbè e Òrúnmìlà disse: ire! Desde esta época a cidade de Ìlobùú nunca foi invadida ou afligida por guerra, mesmo durante o tumultuoso século dezenove, marcado por muitos anos de conflitos civis na Yorùbáland.
Àwá ti Erínlè fi sodi o
Nós cultuamos Erínlè dentro de nossa fortaleza,
o Àwá ti Erínlè fi sodi
Nós cultuamos Erínlè dentro de nossa fortaleza,
o Ogun ò jà jà
A guerra não pode nos atacar,
Kógun ó jà¹loòbú
A guerra não pode nos atacar e afetar Loòbú.
Àwá ti Erínlè fi sodi
Nós cultuamos Erínlè dentro de nossa fortaleza, o.

Porque a guerra e a escravização tiveram pouco efeito sobre o povo de Ìlobùú a fama de Erínlè espalhou-se através da Yorùbáland e o seu culto foi a partir daí estabelecido, expandindo-se além de sua região de origem.

ÈLA

O que é ou quem é ÈLA ? O que é: o princípio da ordem; aquele que mantém o mundo acertado e
em ordem. ÈLA veio para a terra no ODU de OBARA OYEKU. Tentaremos neste trabalho passar
para todos o significado deste princípio primordial que se chama ÈLA e que, sem ele, nosso mundo
seria um caos total. Vamos ver por que.
A tradição oral nos passa que ÈLA é um princípio espiritual que não teve espaço para se tornar
conhecido, pois foi dominado historicamente pelo aumento do número de divindades e senhores da
cultura Yoruba. Em função disso ÈLA não foi definido.
Na tradição oral existem muitos que dizem que ele “é um dos muitos nomes atribuídos à IFA
(ORUNMILA), e é descrito como o principal entre eles ” ou que ” é o seu empregado de
confiança”. Essas afirmações tem um fundo de verdade e nós vamos ver porque.
Existe uma forte ligação entre ÈLA e ORUNMILA, pois se ÈLA é o princípio da ordem, da
retificação de destinos infelizes, ORUNMILA precisa deste princípio para cumprir o seu papel de
grande preservador da felicidade e retificador de destinos infelizes, uma vez que podemos dizer que
ordem significa felicidade, harmonia, paz e desenvolvimento. ÈLA é chamado de “aquele que
mantém o mundo acertado”. Assim, podemos até fazer uma reflexão no sentido de que ÈLA é um
princípio primordial onde ORUNMILA tem a sua origem. Podemos afirmar, portanto, de forma
inquestionável, que ÈLA é uma emanação direta de OLODUNMARE.
ÈLA é chamado pela tradição oral de ÈLA OMO OSIN – “ ÈLA é o preferido de OSIN” – o que
é OSIN ? Para o Yoruba, OSIN É O LÍDER DOS LÍDERES, ou seja, OLODUNMARE.
Vamos à criação. De acordo com a tradição, ORUNMILA desceu à terra para colaborar com
ORISA-NLA nos afazeres de organizar a terra e colocar todas as coisa nos seus devidos lugares
(ordem), logo, ÈLA seguramente estava presente. Para ilustrar esse papel, vamos transcrever uma
história do ODU ODI IWORI;
ÈLA Iwòri ni kì jéki aiyé ra ‘jú;
Nigbati aiyé Oba-’lufe darú,
ÈLA Iwòrì l’ o bá a tún aiyé rè se;
Nigbàti awon o-dà-’lè ìlú Akilà ba aiyé ìlu won jé,
ÈLA Iwòri l’ o ba won tún u se;
Nigbati òsán d’ òrun ni ilù Okèrèkèsè,
Ti aiyé ìlú nã di rúdurùdu
Ti awon awo ibè bà a tì,
ÈLA Iwòri l’ o ba Olúyori Oba ibè tún u se;
Nigbàti élègbára bá nfé s’ ori aiyé k’ odò,
ÈLA Iwòri ni’ ma dùdú ònà rè;
ÈLA Iwori kì’ gb’ owó,
ÈLA Iwòri ki’ gb’ obi,
On l’ ó sì ntún ori ti kò sunwòn se.
ÈLA IWORI é quem salva o mundo da ruína
Quando o mundo de OBA LUFE tornou-se confuso
ÈLA IWORI é aquele que restaurou a ordem
Quando os depredadores de AKILA deterioram a cidade
ÈLA IWORI é aquele que acertou as coisas para o povo,
Quando o dia virou noite na cidade de OKEREKESE (Egito)
E os sábios do lugar foram desviados. ÈLA IWORI foi aquele que trouxe a
ajuda de OLUYORI, seu rei, como remédio,
Quando ELEGBARA planejou virar o mundo de cabeça para baixo,
ÈLA IWORI foi quem o obstruiu,
ÈLA IWORI não recebe dinheiro,
ÈLA IWORI não recebe OBI
Ainda é ele quem retifica destinos infelizes.
Se nós aceitarmos que ÈLA é um princípio primordial, que estava presente no início da criação,
estando no mundo e preenchendo-o de bons trabalhos, estabelecendo a ordem e colocando as coisas
em seus devidos lugares, poderemos dizer que em um determinado momento o homem de alguma
forma acordou de seu estado de “letargia” em um mundo perfeito e sem atropelos e neste momento
se rebelou contra ÈLA, creditando à ele a responsabilidade de ter retardado o crescimento do
mundo e então o difamaram. Em função disso, conta a tradição que ÈLA se ofendeu e ascendeu aos
céus através de um corda esticada. Foi somente assim que os habitantes do mundo perceberam que
era realmente impossível viver sem ÈLA e assim, desde então, se tem rezado por suas bênçãos.
Vamos a outro verso:
ÈLA s‘ ogbó, s‘ ogbó
ÈLA s‘ ató, s‘ ató
O f’ òdúndún s’ Oba ewé
O f’ Irosùn s’ o sòrun rè;
O f’ Okun s‘ Oba omi
O f’ osa s‘ osòrun rè;
A-s‘ – èhin-wa a- s‘-èhin-bò
Nwon ni ÈLA kò s’ aiyé re;
ÈLA b’ inu, o ta’ kùn, o r’ òrun;
Omo ar’-aiyé tún wá nkigbe:
ÈLA dèdèrè I’ ó mã sòkalè wa gb’ ùre.
ÈLA dèdèrè
ÈLA realmente fez a velhice
ÈLA realmente fez a vida longa
Ele fez de ODUNDUN o rei das folhas
Ele fez de IROSSUN o seu sacerdote.
Ele fez do oceano o rei das águas.
Depois de tudo, e ao final,
Eles pronunciaram que ÈLA havia conduzido o mundo pelo caminho certo.
ÈLA se ofendeu, ele estendeu uma corda e subiu ao céu.
Os habitantes do mundo mudaram de opinião e passaram a chamá-lo.
ÈLA, volte a nos abençoar
ÈLA, volte!.
Nessa linha ÈLA é referenciado como um libertador. Neste papel aparece a sua ligação com ESU. É
sabido que ESU é a dinâmica de todas as coisas, instaura a desorganização geradora de uma nova
ordem, num processo contínuo de desenvolvimento do mundo, a dinâmica que faz o mundo andar.
Se considerarmos que ÈLA é o princípio da ordem e ESU provoca a desordem e se em algum
momento imaginassemos que a desordem provocada por ESU levasse ao caos, somente a
interferência de ÈLA como princípio poderia garantir uma nova ordem. Desse modo, podemos
dizer que ÈLA trabalha juntamente com ESU, especificamente na tarefa de restabelecimento do
equilíbrio.
ÈLA como princípio é de suma importância na vida dos sacerdotes em nossa religião, pois o papel
dos sacerdotes é manter e/ou instaurar a ordem. Portanto como isso poderia ser feito sem a
interferência de ÈLA?
Vamos à uma outra consideração: Realizar ÈLA significa carregar ISI. O que vem a ser isso. Vamos
contar duas histórias para depois tentarmos concluir essa afirmação.
Existia uma localidade onde os reis não duravam mais de três anos e então eram substituídos – o
próximo morreria antes de três anos e assim sucessivamente. A família de onde esses reis eram
oriundos era muito rica e o poder era algo extremamente cobiçado, mas o fato da morte prematura
era um empecilho para que eles quisessem se tornar reis. Foram consultar ORUNMILA e no jogo
apareceu o ODU OGUNDA OFU, significando que todos os reis tem um ORISA ao qual devem
saber cultuar antes que lhes seja entregue o OPA.
Uma outra história trata de um Rei que num determinado tempo teve suas esposas (6), seus filhos e
servos (7) contra ele; suas esposas não queriam mais se relacionar com ele; seus filhos voltaram as
costas para ele, bem como seus servos. O rei revoltou-se e, munido de seu Opa e de uma espada,
saiu à procura deles, que haviam fugido. O rei então falou que eles deveriam carregar ISI, sem o
que não seriam perdoados. Os filhos então pegaram 4 inhames e ofereceram para o Rei (que era o
próprio ORUNMILA). Prepararam o inhame e o levaram para o Rei, carregando-o na cabeça. O rei
então disse que precisaria matar um deles; os filhos responderam que eles haviam feito o que ele
havia pedido. O rei perguntou se era ISI macho ou fêmea. Eles responderam que era ISI feminino.
Ele ouviu e não soltou o Opa e a espada. Eles pediram três vezes que ele os soltasse. O rei então
respondeu:
“Onde vocês ouviram que esposas, servos e filhos não fizessem o que o Rei quer ?”
“Assim, antes que eu largue o Opa e a espada, vocês tem que prometer carregar ISI sempre. Só
assim eu os perdôo.”
ISI significa carrego de submissão e homenagem. Ou seja, curvar-se diante do sagrado, do superior,
do maior. Para se falar em ordem temos que falar em respeito e homenagem, em submissão à um
princípio maior que nos proporcionará a felicidade. Aprender que antes de tudo devemos agradecer,
louvar e cultuar.
ÈLA, por fim, é sempre invocado durante os cultos para que venha e abençoe os oferecimentos,
tornando-os aceitáveis. ÈLA também é denominado como o princípio que inspira a aceitação de
alguns sacrifícios; que inspira o culto correto e é por ele que a vida tem sido oferecida.
Para finalizar vamos transcrever uma cantiga de ESU:
ESÙ fi ire bò wá o.
ÈLA fi ire bò wà yà yà.
ESÙ gbè ire ajè kò wá o.
ÈLA fi ire bò wà yà yà.
IYA-MÒGÚN fi ire bò wà o.
ÈLA fi ire bò wá yà yà.
ESU, faça nossas vidas plenas de coisas boas.
ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas.
ESU, ponha sorte e progresso em nossas vidas.
ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas.
IYA MOGUN, faça nossas vidas plenas de coisas boas.
ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas.

LEILA CRISTINA ALBAMONTE POMPEO FERRARA –
EFURO LOGUNLOWO
1999 – Todos os direitos reservados para
IOC – INSTITUTO ORUNMILA DE CULTURA

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Ovo - Utilização e classificação dos Ovos

O ovo é o principal e maior símbolo da fertilidade, utilizado amplamente nos rituais de purificação, iniciação, Borí e èbós de propiciação e defesa. Existem vários contos de Ifá relatando a grande importância do Ovo. Uma delas conta que, Òlódúnmàré (Deus) estava para dar origem ao universo, tinha num pote de barro “4 Ovos”, com o 1º ovo deu origem primeiramente a Òòrìsànlà-Òbátálà surgindo na explosão da luz sem forma quando literalmente Deus disse haja luz assim Òòrìsànlà surgiu no mundo, com o 2º deu origem a Ògún a forma, o 3º deu origem a Òbálúwàiyé a estrutura, o 4º ovo acidentalmente caiu de sua mão estourando no chão revelando sua riqueza originando assim a primeira mulher universal chamada Ìyàmi-òsòróngà, expondo o segredo de sua riqueza para o grande pai, ou seja mostrando seu poder de fertilidade e sobrenatural exposto a olho nu diante do Deus Supremo, nascendo assim, a fonte mantenedora da vida o Ovo possui três diferente cores associado as cores principais e primordiais do universo; o ovo de casca azul representando a cor preta relacionada ao “Aba” = a escuridão as trevas das profundezas da terra e mares, o ovo de casca branca relacionada ao “Iwà” = a explosão da luz, e finalmente o ovo de casca vermelha relacionada ao “Àsé” = fogo mantenedor da fertilidade totalmente relacionado ao poder sobrenatural. Seu conteúdo possui diversas características, o qual na maioria das vezes é branco, frágil e oval. Dele nasceu um novo ser, associado a idéia de que o universo surgiu primordialmente dele próprio, na forma de um protótipo do mundo. Como um filho de asas negras = Ìyàmi-òsòróngà que foi cortejada pelo vento = Òòrìsànlà-Òbátálà. O ovo é uma célula reprodutora feminina dos animais chamada macro-gameta, ou seja, rudimento de um novo ser organizado, primeiro produto do encontro dos dois sexos, pelos quais desenvolve a possibilidade de existência do fato. Germe, origem, princípio. Uma imagem viva do grande mundo (O Universo), em oposição ao microcosmo (o homem).
O Ovo é resultante da composição e fecundação de óvulos, possuindo 4 partes; a 1º parte é a casca que representa o útero (invólucro mítico), a 2º parte é membrana interna que representa a bolsa, placenta uterina (parede defensora), a 3º parte é a clara, matéria viscosa e esbranquiçada, do grupo das proteínas que representa o útero, a 4º parte é a gema amarela, parte intima, central e globular suscetível de reproduzir, a qual representa o feto, um novo ser engendrado preparado para nascer e autuar no que for necessário. O mito do ovo está presente em todas as culturas antigas, entre elas a Yorubà, Polonesa, Fenícia, Chinesa, Eslava, Polinésia, Finlandesa, Hindu, Germânica, Hebraica entre outras. A força germinal contida no ovo, esta associada à energia vital com grande desenvolvimento através de èsú, motivo pelo qual, tanto o ovo como Èsú, desempenha uma função importantíssima no culto Yorubà principalmente no culto de Ìyàmi-òsòróngà, Òsún, Iyewá, Oyà, Òmòlú e etc..., Confirmando um total culto à fertilidade, magias curativas, purificando e quebrando as forças maléficas. A gema, sangue germinal unida a clara para obter nutrientes e hidratação necessária, transformados num único ser vivo individual no interior do ovo, plagiando o mesmo processo no interior do útero, que indiscutivelmente é o mesmo processo que acontece nos rituais, numa mesma idéias de união do casal universal; Òòrìsànlà-Òbátálà e Iyémowo. Só o que no contexto do ovo, acontece mais rapidamente não existindo nenhum tipo de vinculo biológico entre a mãe e o filho, ou seja não existe cordão umbilical. Isto explica o poder contido no ovo por si só, o qual foi um elemento criado diretamente pelo todo poderoso Òlódúnmàré (Deus), que colocou primeiramente o Ovo no mundo, logo depois surgindo dele a vida, ou seja, a ave.
Por isso, o ovo é um elemento originado do criador, o símbolo mais importante representante do poder de Ìyàmi-òsòróngà a mãe universal que necessita intrinsecamente do poder masculino de Òòrìsànlà-Òbátálà, o qual faz o ovo um elemento de muito Àsé (poder realizador).
O ovo é utilizado amplamente nos rituais sob várias formas depois de encantados por palavras mágicas; na finalidade de neutralizar o mal, purificar a cabeça de um Iyawó antecedendo a iniciação, purificar a cabeça das que habitualmente irá receber sacrifícios no Orí, antecedendo o borí, purificar o caminho de pessoas que tem obstáculos na vida, tirar problemas de confusão, purificar uma pessoa com maus espíritos, tirar doença de mulheres e bebes tirar a Ikú das ou do caminho de alguém. O ovo e também utilizado nos rituais de propiciação; na finalidade de obter fertilidade, atrair dinheiro, produtividade nós negócios e apaziguamento de certa situação quando utilizado em èbós de seu a Ìyàmi-òsòróngà. O ovo quando cozido não possuindo mais então é utilizado inteiro sobre as oferendas das divindades, tendo somente a função de neutralizar doenças negativas. Já quando cozido e esfarinhado misturado ao “ekuru” também esfarinhado, este tipo de comida é utilizada para espalhar sobre o solo da casa de òrìsá, na finalidade de agrada os “AYES” (espíritos que residem na terra) espantando o mal ou neutralizando as energias negativas, quando é invocado neste ritual; os AYE sob o domínio de Ìyàmi-òsòróngà, Èsú e Òbálúwàiyé, assim propiciando abundancia e prosperidade para casa.
O ovo cru com seu frescor, quando utilizado inteiro em oferenda tem a função tranqüilizar e refrescar. Por isso, é comum vermos muitos ovos crus depositados no chão aos pés de certos Ajùbò (assentamentos dos òrìsas) na finalidade de atrair abundancia e proteção, fazendo todas as divindades compreenderem perfeitamente que o èbò é uma súplica de fertilidade, germinação de filhos, dependendo da atuação da Divindade, ela não só atuará no tocante a fertilidade no útero, mais também propiciaria dinheiro, sorte, saúde e desenvolvimento na vida, por ser ovo um agente naturalmente fértil. Já os ovos crus, quando “quebrando” diretamente passando na cabeça, têm a função poderosa de purificar e livrar até 80% qualquer tipo de feitiço ou qualquer outro tipo de negatividade que esteja sobre o Orí de uma pessoa. Quando num èbò ovos crus são atirados no chão ou quebrados encima do corpo de uma pessoa num sacrifício de purificação vulgarmente chamados de descarrego, é na finalidade de desobstruir os caminhos tirando as dificuldades da vida ou qualquer espírito de força contrária que esteja acoplado no corpo (obsessores).
Ao ser quebrado ele revela sua riqueza e seu poder tanto sobrenatural como concreto, pois no exato momento que é quebrado, o ovo não terá mais a possibilidade de germinar, ou seja, nascer algo dele, assim num tipo de substituição ou troca matará o problema que aflige uma pessoa possibilitando o fim de algo ou de uma situação negativa. Por este motivo que o ovo cru deve ser quebrado principalmente no Òrí de uma pessoa, numa preparação da cabeça que logo depois irá levar ritos sacrifica-tórios; começando pelo 1º sangue negro o Agbo-tutu (sumo de ervas fresca) em seguida o sangue vermelho de aves ou quadrúpedes e finalmente o sangue branco do igbin(caracol) que é espremido por cima de tudo, assim purificando, possibilitando a existência da força sobrenatural, acalmando e fertilizando a cabeça que esta no momento recebendo o puro ase , com a união dos três sangues primordiais após ter sido purificada com o ovo cru, possibilitando a pessoa obter sorte, dinheiro, felicidade, fertilidade, saúde e tranqüilidade. Quando um ovo é quebrado em qualquer ritual, o nome Ìyàmi-òsòróngà é respeitosamente citada e reverenciada, porque qualquer que seja o ovo lhe pertence, como relata vários Itãn-Ifá. Quebrar um ovo na rua (atirando no chão) pela manha por três ou sete dias consecutivos, chamando Èlegbara e Ìyàmi-òsòróngà e espargindo dendê por cima do ovo cru, este, é um simples e poderoso ritual do culto de Ìyàmi-òsòróngà, o qual tem a finalidade de afastar qualquer tipo de dificuldade ou prejuízo acalmando qualquer energia avessa do caminho de uma pessoa.
Como relata ifá, o ”Ovo de pato” é o símbolo da vida e umas das proibições de Ikú (morte), a utilização do ovo de pata cru, é essencial principalmente em certos rituais e seu, com finalidade de quebrar a força da morte, doença e perdas, assim uma pessoa sairá vitoriosa obtendo longevidade, saúde e ganhos. Quando cozido e esfarinhado é utilizado como agente purificador passando pelo corpo de uma pessoa em èbós de Egungun ou Onilé (para dentro da terra), também como casca e tudo é transformado a pó (seco ao sol) utilizado no igbà-Orì e assentamentos dos Òrìsá de relação com ikú Ex: Èsú, Ògún, Òbálúwàiyé, Iyewá, Òmòlú, Erinlè, Ibeji, Sàngó, Oyà, Iyémowo, Òòrìsànlà, Ajaguémó, Iroko, Yòbá, Onilé, Egungun e Gèlèdè.
Como relata Ifá, o único Òrìsá que não possui relação com ikú é o òrìsá Òsún, por ela não aceitar qualquer relação com situação de morte, também não aceita que os animais em seu culto sejam sacrificados (mortos) encima de seu Okuta. Por motivo não admiti a utilização de qualquer utensílio de cor escura, marfim, osso, buraco, agressividade e doença, os quais possuem totais relações com a morte. Isto também explica o porquê Òsún não aceita que suas filhas morram facilmente, assim Òsún os protege dando longa-vida numa ação de prolongar o Maximo o contato com a morte, todos esses aspectos de Òsún estão relatados nos Itãns do Odu Ósé.
Assim, o ovo de pata é amplamente utilizado nos “Èbós–Aiku” (sacrifício de longevidade) tirando qualquer tipo de morte, seja material, espiritual, financeira ou sentimental.
Fica claro que o ovo utilizado na casa de Òrìsá é um elemento de Ìyàmi-òsòróngà sendo um utensílio de muito àsé.

Classificação dos Ovos

Ovo de galinha cru – purifica e tranqüiliza.
Ovo de galinha cozido – tirar doenças.
Ovo de galinha esfarinhado – neutralizar negatividade do ambiente, atrair prosperidade e abundancia
Ovo de pata cru – enfraquece a força da morte, doenças graves e perdas.
Ovo de codorna – Neutraliza feitiço.
Ovo de D’angola – propicia dinheiro, sorte, prosperidade riqueza e sucesso nos negócios
Ovo de pombo – propicia tranqüilidade e fertilidade.