sábado, 19 de novembro de 2011

SER NEGRO É SER

Ser negro é ser dono da alegria, e generosamente dividi-la entre os filhos do preconceito. Ser negro é ser brasileiro duas vezes. É gritar não aos nãos da vida. Ser negro é ter a liberdade disfarçada de alma. Ser negro é ser. (Sintia Lira)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mistérios e Segredos - Razão e Irracionalidade

*Por Márcio de Jagun O Candomblé, como todas as demais Religiões, possui seus mistérios e segredos, apenas conhecidos pelas suas autoridades. As Revelações de Fátima e os Rituais Secretos da Maçonaria, são bons exemplos de que segredos ritualísticos e mistérios religiosos não são exclusividade afro-brasileira. Provavelmente mais do que as outras Religiões, o Candomblé é revestido por muitos segredos. Uns, verdadeiramente importantes, por condensarem perigosos ebós e preceitos que podem tornar-se armas aos incautos e aos despreparados; e outros totalmente descabidos, frutos da ignorância humana. Também os iniciados no Candomblé, a exemplo de outras religiões, fazem seu juramento de manter os segredos de awo (culto) - o kàro. O kàro consiste na promessa que os iniciados fazem diante do obì de não revelarem certos segredos. Tal palavra é oriunda do yorubá kà - contar, orò - obrigação. Sendo certo que tal jura deve limitar-se aos fundamentos que se passam na camarinha, ou em situações outras onde apenas devam estar presentes as autoridades e os próprios iniciados, não devendo ser a jura entendida de forma a extrapolar os limites físicos e religiosos de tais situações. Obviamente, discernir estes limites e estabelecer as mencionadas situações, deve ser tarefa do bom-senso dos zeladores de Santo. Por terem sido discriminados e até perseguidos e presos (sobretudo na década de 40 do século XX), os candomblecistas encontraram nos mistérios do culto e nos segredos, grandes aliados à integridade deles e da própria mantença da religião. O local da realização dos cultos (em certas épocas até itinerante devido a proibição religiosa), era secreto. Os participantes, também não se revelavam na vida profana. Até mesmo os horários, não raro, eram confundidos, já que o uso dos atabaques às vezes era suspenso dado ao impedimento de realização dos xirês em determinadas localidades predominantemente residenciais. A liturgia também foi sofrendo adequações pinceladas pelo necessário mistério. Como revelar o sacrifício de animais, por exemplo, em suma sociedade que considerava o Candomblé culto demoníaco? Por óbvio, os candomblecistas já não se identificariam mais por seus orukós (nome de seus Orixás dado quando da iniciação). Já não se tratariam por Omímolé, Obafodokuta, Iyewádelonan, etc. Pois tal chamamento os delataria e os exporia aos perigos da perseguição. A partir de então, o mistério e o segredo passaram a ocultar os orukós, até que foram, a pouco e pouco, atravessando os tempos, tornando-se proibidos, secretos, mesmo tendo se perdido a motivação (esta também ocultada). Vemos aí um segredo de fato motivado e racional, perpetuado ao longo dos anos, tornando-se um mistério hoje já descabido e desprovido de qualquer fundamento religioso. Tanto assim o é, que muitas Casas nunca ocultaram o orukó, evocando grandes nomes como Odé Kayode (Mãe Estela, do Òpó Àfónjá de Salvador), Oba Biyí (Mãe Cantu, do Òpó Àfónjá do Rio de Janeiro), Fatumbi (Pierre Verger), e tantos outros. Há também Axés que vivem momentos de reafricanização, que estão voltando a chamar seus filhos pelos respectivos orunkós. Este exemplo nos demonstra de maneira cabal, que os mistérios e os segredos se confundem com o culto, bem assim também são confusas as razões, as motivações que os mantém. Outros "segredos" (estes até com aspas pelo tom irônico), não foram frutos de nenhuma razão, motivação ou fundamento religioso. Foram simples álibis para a ignorância, para a maldade, e/ou para a necessidade que alguns têm de manter o poder inerente ao conhecimento. Todos estes motivos, outros também, às vezes todos juntos, são ocultados nas "respostas" às interrogações dos filhos de santo e dos consulentes... Ao invés de esclarecer-se a razão deste ou daquele preceito, ao invés de se ensinar, ao invés de se orientar, preferem dizer: "É muito cedo..."; ou "Isto não pode ser revelado"; ou "Sempre foi assim..." Estes segredos irracionais, vale dizer, muitos deles categorizados como segredos nem se sabe bem porque, acabam por servir aos mal-intencionados, que dizem não poder revelar esclarecimentos aos "clientes", para deles poder esconder custos, maldades, manter-lhes dependentes, etc. Tais "segredos", quando confrontados pelos que foram lesados, enganados e usurpados de seu dinheiro e de sua fé, apenas contribuem para denegrir nossa Religião, prestando-se à função de cortina de fumaça para o engodo. Repensar o conceito e a razão dos segredos, é tarefa necessária aos sacerdotes. Muitos deles, e de boa estirpe, levaram para o túmulo fundamentos jamais revelados, nem aos merecedores da responsabilidade. Órfãos da verdade, perde o culto, perde a Religião, perde a Cultura, perdemos nós... Lembro-me de um conto que nos leva a meditar sobre o assunto: Em certo dia de Páscoa, onde tradicionalmente as famílias se reúnem em torno da mesa para almoçarem peixe, surgiu uma dúvida quanto ao preparo da iguaria. A menina, enfronhada na cozinha, assistia as matronas prepararem o almoço que a família repetia todos os anos, há muito tempo. Elas estavam prá lá e prá cá, separando os condimentos, partindo legumes, escolhendo as panelas, munidas daquela pretensão das boas cozinheiras, que as fazia agir com a rapidez e a decisão de quem sabe, de quem domina os afazeres. Em determinado momento, a menina pergunta: - Mãe, por que a senhora está partindo o peixe em sete pedaços? E a mãe, sem muita paciência, dando de ombros: - Ora, porque minha mãe, sua avó, me ensinou assim! A garota, não satisfeita, foi direto à avó, que também estava na cozinha: - Vó, por que tem que se partir o peixe em sete pedaços? A avó, mais paciente, encheu o peito para esclarecer com ar professoral: - Porque sempre fizemos assim... - Mas, por que sempre fizeram assim? - Porque fica melhor... - E por que fica melhor o peixe partido em sete pedaços do que inteiro? - A, porque pega melhor tempero - Disse a avó já se irritando com a insistência da neta. - Mas vó, se ele partido pega mais tempero, por que não parte então em mais pedaços? A avó, já empurrando a menina para longe da pia, respondeu sem paciência: - Olha minha filha, eu faço este peixe todos os anos, desde que eu tinha sua idade, não venha você querer me ensinar! - Mas, vó, eu só quero saber!... - A, garota, foi minha mãe, sua bisavó quem me ensinou esta receita. Dá certo há mais de 40 anos! Quando você crescer, eu te ensino! Agora sai já daqui que eu vou mexer em panela quente, vai! Desconsolada, a menina não se deu por satisfeita. Foi na varanda, procurar sua bisavó. A velhinha estava cochilando na cadeira de balanço, quando a menina começou a sacudi-la: - Bisa, Bisa! Me diz por que o peixe da sua receita que é feito na Páscoa, tem que ser partido em sete pedaços? A bisavó, esfregando os olhos, ainda se dando conta do que se passava, deu um sorriso aprovando a curiosidade da bisneta e respondeu no ato: - Nunca ninguém tinha me perguntado isto! Foi porque quando inventei esta receita, eu não tinha nenhuma vasilha que coubesse o peixe inteiro... Só cabia em pedaços... Eis aí a tradição mal explicada, virando mistério... Na liturgia culinária, há razão para os nove acarajés de Oyá: afinal, é ela a mãe dos nove espaços siderais. Existe também motivo nas seis espigas servidas cruas para Odé, posto ser ele o senhor do Odu Obará, cujo número é seis. Também os doze quiabos enfeitando o amalá de Xangô, retratam os doze obás de Oyó... Não quero dizer com isto, que no culto tudo deva ser revelado, assim de pronto... Mas reitero que devemos repensar, pesquisar, procurar os motivos, os fundamentos daquilo que fazemos. O fato de nossa Religião Ter na tradição oral, durante muitos anos, o único veículo de registro e transmissão, originou certamente muitas distorções. A dificuldade linguística dos escravos em traduzirem seu próprio idioma, fez com que muitas cantigas, orikis e itãs sejam dicotômicos uns com os outros e às vezes ininteligíveis. Felizmente vivemos um momento especial, em que grandes figuras do Candomblé estão escrevendo e editando excelentes obras, as quais funcionam não só como registros de sua sabedoria, mas como arquivos que se prestarão a garantir que o Candomblé não se perca. Magníficos pesquisadores têm se debruçado à tarefa de encontrar o fio da meada, tentando resgatar a origem, corrigir a pronúncia, acertar a gramática e adequar a tradução de cantos, rezas e mitos do Candomblé. Tudo deve Ter sentido e todo sentido deve ser explicado, se não a todos, pelo menos aos graduados... O que não tem sentido, deve ser pesquisado, perguntado aos mais velhos... E se não tiver uma razão, temos que repensar, ou ao menos não usarmos os segredos e mistérios com intimidação para ocultar nossa ignorância diante dos preceitos. A fé deve ser preservada e para bem, preservá-la, é fundamental explicá-la, racionalizá-la até o limite em que ela própria, a fé, se transformar em um mistério. (*) Márcio de Jagun (seu nome de batismo é Márcio Righetti), nasceu no Rio de Janeiro, RJ. É advogado militante desde 1994 e professor de Direito Portuário nos Cursos de Pós-Graduação da Universidade Gama Filho e na UFRJ (COPPE-EAD).

EBORÍ- RITUAL LITÚRGICO OFERTADO AO NOSSO ÓRÌSÀ ORÍ

ÒRÚMÌLÀ disse que na porta de um quarto deveria haver um “ diafragma” na entrada IFÁ, a questão é “ Quem entre as divindades pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar?” ÒÒSÀÀLÀ disse que Ele poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. IFÁ perguntou “ O que Você fará se depois de caminhar uma longa distancia, andando e andando, e Você voltar à IFON e eles matarem uma galinha choca com seus ovos, e eles lhe oferecerem duzentos ÌGBÍN, temperados com vegetais e melão?” ÒÒSÀÀLÀ disse “ Depois de comer até estar satisfeito, Eu retornarei para minha casa”. ÒÒSÀÀLÀ disse que Ele não poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. ÒRÚMÌLÀ disse que na porta de um quarto deveria haver um “ diafragma” na entrada IFÁ, a questão é “ Quem entre as divindades pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar?” ELÉGBARA- ÈSÙ disse que Ele poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. IFÁ perguntou “ O que Você fará se depois de uma longa caminhada, andando andando, e Você retornar para KÉTU, a casa de seus pais, e eles ofertarem um galo, e uma grande quantidade de EPO PUPA ?” ELÉGBARA disse “Depois que Eu comer até estar satisfeito, Eu retornarei para a minha casa”. ELÉGBARA disse que Ele não poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. E assim IFÁ pergunta a todos os ÒRÌSÀ, inclusive a ÒRÚMÌLÀ e a resposta foi a mesma que Eles não poderiam acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. Então IFÁ pergunta “ A questão é quem entre todas as Divindades pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar?” ÒRÚMÌLÀ disse “ Desde que a humanidade morre, o ORÍ é separada antes do enterro”. IFÁ disse “É ORÍ, só ORÍ é quem pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar”. “ Se eu tenho dinheiro” “ É para ORÍ que eu louvarei” “Meu ORÍ é Você” “ Se eu tenho crianças na terra” “ É para ORÍ que eu louvarei” “ Meu ORÍ é você” “ Todas as coisas boas que eu tenho na terra” “ É para ORÍ que eu louvarei” “ Meu ORÍ é você” “ Você que não esquece o seu devoto” “ Que abençoa o seu devoto mais rápido que os outros ÒRÌSÀ” “ Nenhum ÒRÌSÀ abençoa um homem” “ Sem o consentimento de seu ORÍ” “ ORÍ eu te saúdo” “ Você que permite que as crianças sobrevivam” “ Uma pessoa cujo sacrifício é aceito pelo seu ÒRÍ” “ Deve rejubilar-se extraordinariamente” Este ITÒN do Corpo literário de IFÁ é apresentado por W. ABIMBOLA, em seu livro : IFÁ, an Exposition of Literary Corpus. Ele nos fala sobre o nosso ÒRÌSÀ ORÍ, o nosso ÒRÌSÀ interior, em toda a sua essência, força e grandeza. ÒRÌSÀ ORÍ o primeiro a ser louvado, é a representação particular de existência individualizada, é aquele que acompanha o homem do nascimento até a morte, norteando a sua caminhada, e assistindo ao homem no cumprimento do seu IPIN. Se o nosso ÒRÌSÀ ORÍ deixar de existir, a ligação entre o plano Divino e o nosso corpo humano também deixará de existir, isto explica o porquê do nosso ÒRÌSÀ ORÍ nos acompanhar até a nossa morte. O nosso Orí é o primeiro ÒRÌSÀ a ser louvado ao nascer o dia. O nosso ÒRÌSÀ ORÍ conhece as nossas necessidades em nossa caminhada pela vida, nossos acertos e desacertos, ELE tem os recursos adequados e todos os indicadores que nos permitem a reorganização para que possamos equilibrar a nossa vida com a essência energética positiva dos nossos ÒRÌSÀ ÈLÉÈDÁ. Ele tem como essência principal o equilíbrio do ser humano, concretizando assim a harmonia criada por OLÚDÙMARÈ, em sua força detentora e distribuidora de ÀSE. Esta é a razão pela qual o ato ritualístico do EBORÍ, é a forma de Louvação, Reintegração e Fortalecimento que utilizamos para o nosso ÒRÌSÀ ORÍ, quando Ele esta em desarmonia. É considerado o primeiro ÒRÌSÀ da existência (a essência real do ser). Deve ser assentado e louvado antes de qualquer outro ÒRÌSÀ, depois de ÈSÙ no ritual do EBORÍ para uma INICIAÇÃO, pois só o nosso ÒRÌSÀ ORÍ permite a compreensão para a nossa Incorporação com o nosso ÒRÌSÀ ÈLÉÈDÁ. EBO- OFERENDA ORÍ- CABEÇA Este ritual deve sempre ser precedido de um “ Jogo de Búzios” para que este oriente o Sacerdote ( a) e defina a real necessidade deste ORÍ. O ato do EBORÍ é utilizado nas seguintes situações: - Como um processo de religação do ORÍ com o seu IPIN. Como ritual do processo Iniciático. - Como resposta á condições de stress ou fragilização das estruturas psicológicas da pessoa resultantes de situações particulares da vida. - Como ritual complementar a um EBO. - Como extrema necessidade resultante de forças energéticas negativas adquiridas. - Como anual agrado a ÁJÁLÀ MÒPÍN OBS- O Culto a ÁJÁLÀ foi trazido pelos nossos Ancestrais, a mais de 460 anos, época dos escravos. Muito importante lembrar sempre que o uso e a combinação a serem utilizados, os Sacerdotes (a) devem levar conta qual é a situação real deste ÒRÌSÀ ORÍ, ou seja, se Ele esta GUN ( nervoso demais) ou ÈRÒ ( calmo demais),para que se possa manipular os elementos corretos. Manipulamos também para este ato ritualístico do EBORÍ o ÈJÈ PUPA e o ÈJÈ FUNFUN. O EBORÍ com o ÈJÈ PUPA é usado quando estamos com muitos problemas na vida como perda de empregos, miséria, brigas, perigos, descontrole emocional, depressão ou doenças. O EBORÍ com o ÈJÈ PUPA dá força física, restabelece a energia vital e fortalece a ÈSÙ. O EBORÍ com o ÈJÈ FUNFUN é usado quando existem muitos perigos na vida, brigas, perigo de prisão, morte ou desequilíbrio total. O EBORÍ com o ÈJÈ FUNFUN, acalma e restabelece a essência vital. Temos em geral neste ato do EBORÍ um ritual básico a ser seguido, e este ato pertence às Nações KÉTU- NÀGÓ, ÈFÓN e IJÈSÀ, sendo por isto necessário que louvemos ÁJÁLÀ neste ato. ÁJÁLÀ MÒPÍN como já descrevi, é louvado dentro da cerimônia do EBORÍ, sendo um ÒRÌSÀ que pertence aos Cultos de origem YORÙBÁ. Cabe alertar que este ato Ritualístico do EBORÍ que temos dentro do Culto aos ÒRÌSÀ pertence “SOMENTE” aos seguimentos de Matriz Africana. Alguns Africanos YORÙBÁ possuem o hábito de fazer a cada quatro dias uma oferta ao seu próprio ORÍ, de certos elementos num ato simples como: OMI, OTÍ ÒIBÓ, EFUN, ÒRÍ VEGETAL, OBÌ ÀBÁTÁ e ORÓGBÓ. Esse ato de adoração é para proteção e agradecimento, é um EBORÍ no Culto à ORÍ. Aqui no Brasil temos duas cerimônias que usamos para a harmonização do ÒRÌSÀ ORÍ como Transmissão e Veiculação de ÀSE e como estabilização energética: - EBORÍ completo com todos os elementos ritualísticos que usamos como variadas oferendas alimentares, animais, bem como os Objetos símbolos sacralizados para o momento. - OBÌ neste ato são manipulados em quantidade menor os elementos ritualísticos. O que realmente importa é oferecer exatamente o que este ORÍ esta necessitando para a sua HARMONIZAÇÃO como VEICULAÇÃO E TRANSMISSÃO do Verdadeiro ÀSE Também tenho que abordar mais um grande” ERRO” que ainda persiste em ser transmitido de nossa Liturgia Ritualística “ o EBORÍ é oferecido ao ÒRÌSÀ ORÍ e não há ÒRÌSÀNLÁ ou YEMONJA. Cultuar o ÒRÌSÀ ORÍ é um direito de qualquer ser humano não há nada que impeça isso, mesmo que a pessoa seja um ÀBÍON. O IGBÁ ORÍ é o nome do assentamento sagrado do ÒRÌSÀ ORÍ. Cada IGBÁ ORÍ é uma representação material e espiritual dos OMO ÒRÌSÀ KON, captando constantemente as ENERGIAS VITAIS provenientes de OLÓDÙMARÈ – OLÓÒRUN. A iniciação no Culto ao ÒRÌSÀ significa o nascimento do ORÍ- INÚ. Sendo assim a partir da Iniciação, o ÀBÍON nasce para a Religião, como também para o SAGRADO; com a confirmação do seu ORÍ- INÚ, que passará a ter representação física no ÀIYÉ. O ÒRÌSÀ ORÍ é quem individualiza o ser humano, como no caso das impressões digitais, ninguém tem um ORÍ igual ao de outra pessoa, cada ORÍ é único e exclusivo. Por isto é que devemos ser criteriosos quando escolhemos o nosso BÀBÁLÓÒRÌSÁ ou a nossa ÌYÁLÓÒRÌSÀ, pois são eles que vão fazer com que a Essência, Transmissão e Veiculação de Àse em nosso ORÍ esteja presente em nossas VIDAS. Odábò Àse àse ooo Texto retirado de um livro escrito pela Ìyálóòrìsà Angela ti OYA

domingo, 13 de novembro de 2011

O QUE VEM A SER IFÁ






por Eliane Haas *



Em decorrência das repetidas perguntas que me chegam à respeito da tão popular e distorcida religião dos Orixás, venho introduzir o assunto, discorrendo sobre Ifá, que é a fonte de todo conhecimento e procedimentos sobre como cultuar e utilizar em nosso benefício, essas energias da Natureza.

O sagrado corpo literário de Ifá coloca a seguinte questão: - como saber se estamos cumprindo satisfatòriamente a missão do nosso destino ? Segundo os velhos sábios, quando nossa vida se preenche com paz e harmonia. Isso não significa que o sofrimento e a dor sejam abolidos - pois são inerentes à encarnação na Terra - mas quando se consegue obter equilíbrio interior, dentro do aprendizado que a vida traz. Citando mais literalmente: “se comermos apenas coisas doces, evitando as amargas, todo alimento perderá o seu sabor”.

Ifá é um sistema oracular voltado para a cura, transformação interior e crescimento espiritual. Quando nos deparamos com um problema, o oráculo é consultado e o caminho prescrito será associado à possível solução.

A finalidade da consulta ao aconselhamento oracular é elucidar e solucionar conflitos, evitando comportamentos ou atitudes ( auto-) destrutivas. É um instrumento destinado a buscar solucionar impasses e não um recurso adivinhatório. Ifá não prediz eventos , mas explica as conseqüências que certamente poderão advir de determinadas atitudes.

Se houvesse algum benefício em operar milagres e predizer fatos, a pessoa se tornaria dependente do oráculo e não aprenderia a por em prática a solução das suas questões, exercer o seu livre arbítrio e, por conseguinte, evoluir segundo o seu próprio mérito.

Ifá não instrui sobre como conseguir o que se deseja, mas como obter o que se necessita – naquele momento, naquela circunstância. Sempre que, apesar do aconselhamento, insistimos obstinadamente num determinado querer, perdemos uma oportunidade de aprendizado e auto-transformação. Se gastamos tempo querendo ter o que achamos que nos caberia por direito, perdemos a chance de descobrir o que realmente nos seria útil. Uma vez resolvidos os conflitos internos, abre-se naturalmente espaço para que se manifeste a positividade que nos é destinada, em todos os níveis.


A resistência à mudança é a fonte daquilo que Ifá denomina elenini – ou seja, formas-pensamento gerados e alimentadas pela própria psiquê, que atuam contra nós, criando subterfúgios para não realizarmos aquilo que sabemos ser o mais adequado para o nosso sucesso. Elas são identificadas pela teologia cristã como “demônios”, colocados fora da esfera psíquica como entidades independentes que, com vida própria, comprazem-se em prejudicar as nossas boas intenções. Este recurso do “bode-expiatório” acaba resultando num entrave para o amadurecimento psíquico e evolução espiritual, pois todo fracasso é creditado a “outrem”, impedindo assim que se assumam responsabilidades. São uma fonte de desculpas e justificativas para todos os nossos fracassos.

É preciso ter em mente que, nos casos em que eventualmente ocorrem influências negativas externas, nós mesmos é que criamos condições de afinidade para que isso ocorresse. Ifá não se baseia em dogma, mas numa forma de encarar o Universo através de uma única permanência: movimento e constante mudança. Ao invés de propagar uma doutrina, renova-se a cada instante, lançando o desafio da auto-descoberta.





* Eliane Haas - Mestre em Música, Professora e Pianista

Fundadora e Comandante do Céu da Águia Dourada

(http://www.aguiadourada.com).

QUANTO VALE A SUA CABEÇA? O EQUILÍBRIO ENTRE A EXTORSÃO E O POPULISMO


POR BÀBÁ AWO IFAGBENUSOLA

Aboru boye bosise

Mo ki gbogbo in.

O equilíbrio é o caminho de Ifá..

Òrúnmìlà! Testemunha do destino,

O vice de pré-existente;

Tu que é mais eficaz do que a medicina,

O poderoso que protela o dia da morte.

Meu senhor, Todo-poderoso que salva,

Espírito misterioso que lutou com a morte.

Você que é saudado primeiro logo pela manhã,

Você, o equilíbrio que ajusta as forças mundiais,

Você, cujo esforço é reconstruir a criatura do mau caminho;

Reparador da sorte do doente,

Ele que sabe que vos fica imortal.

Senhor, o rei indispensável,

A perfeição na Casa da Sabedoria!

Meu Senhor! Infinito em conhecimento!

Falta-lhe conhecer por completo, por isso somos fúteis.

Oh, se nós pudemos conhecê-lo por completo, tudo estaria bem conosco.



Ao entoar esta oração pela manhã, é interessante que se tenha a exata compreensão de seu sentido mais profundo, afinal aqui fica claro que é Òrúnmìlà quem equilibra e ajusta as forças mundiais, pois é ele quem possui o conhecimento infinito.

Um Sacerdote bem preparado, em princípio não deveria demonstrar sua ira e descontrole, principalmente de forma pública, ao contrário, pensamos que sua conduta deveria ser reflexiva e ponderada pois acreditamos que ele aprendeu e compreendeu o sentido amplo da palavra SÙÚRÙ [paciência], pois em tese ele já possui a certeza de que Òrúnmìlà é a resposta para seus problemas.. Mas como bem sabemos, a distância entre teoria e realidade é na maior parte dos casos, é bem grande.

Em nosso dia a dia percebemos que o discurso e a prática na realidade não tem o mesmo ritmo, e andam em descompasso, afinal é sempre mais fácil "ensinar" que "aprender". Ao nos depararmos com uma questão que a princípio discordamos, devemos compreender que a nossa verdade, ou seja, o nosso entendimento não é nem deve ser o único parâmetro a ser observado. Temos apenas que ter em vista, que Òrúnmìlà é quem tem sempre a melhor solução e resposta para todos os casos, basta apenas que se tenha o devido bom senso, e a necessária SÙÚRÙ, para compreender suas determinações transmitidas através de seus infindáveis ESE TI ODÙ.

Há uma discussão a respeito de valores, sendo assim é interessante que se tenha em primeiro plano às palavras de Ifá sobre este tema:

- Qualquer que seja a soma que agrade alguém, é aquela pela qual recebemos para jogar Ifá.

- Um ancião que aprendeu Ifá, não precisa comer nozes de kolla deterioradas.



Podemos perceber que entre uma frase e outra há um parâmetro de equilíbrio, ou seja, um meio termo entre a “exploração nefasta”, e a “bondade populista”. Como tudo o mais, é sempre necessário o uso do bom senso, e do arbítrio. É parte do sacrifício o justo pagamento, mas é inaceitável o uso constante de somas exorbitantes a qualquer título. Podemos praticar nossa Fé de uma forma menos mercantilista e mais humana, mas que isso não sirva de desculpa para desvalorizar o trabalho do Sacerdote sério. Em tudo na vida há um tempo de tempo ser, é chegada a hora de ajustar as práticas de forma que se possa realmente levar Ifá aos quatro cantos do mundo, praticando uma arte sincera. Cada caso é um caso e cabe a iniciador e iniciado encontrarem um meio termo que lhes satisfaça as necessidades sem que isso se torne uma prática extorsiva. Òrúnmìlà é prosperidade, mas isso não é sinônimo de ganância desmedida, ao contrário, deveria ser um status atingido através da prática da caridade verdadeira, e não do populismo maniqueísta. Tenhamos todos, a justa medida, escravidão é a exploração do homem pelo homem, sejamos livres.

Há tantas formas de se reduzir custos, programe-se melhor, organize-se melhor e certamente poderá prestar um serviço melhor a sua comunidade. Finalizo lembrando que a finalidade de um Sacerdote é minimizar o sofrimento e auxiliar aqueles que buscam por orientação e não viver como uma hiena que se alimenta da desgraça alheia.

Mais uma vez, aclaro que não faço aqui qualquer crítica a este ou aquele segmento, estou sim expressando de forma livre meu modesto e pessoal conceito de religiosidade. Não tenho partidos, muito menos sou afeito a grupos, tenho igual respeito e afeto por todos os meus irmãos, e minha irmandade se estende à humanidade independentemente de credo, cor, posição política, social ou sexual.



AFINAL ÒRÚNMÌLÀ NÃO É EXCLUDENTE E POR QUE EU O SERIA?

Onde falta o diálogo sobra a incoerência e a agressão desnecessária, meus respeitos a todos, que haja bom senso.. Minha verdade pode não ser propriamente a verdade, mas é também uma verdade, some-se a sua verdade, e a verdade de seu vizinho, ao final, a verdade surgirá.

Obrigado!

BÀBÁ AWO IFAGBENUSOLA

(*). Ifá não pede que ninguém seja "santo", pede apenas que você seja "justo".



FONTE:

- Ifá o Orixá do destino

- O Sagrado Oráculo de Ifá

- Dafá ni ti Opele

- Iwa pele ; prof. W.Abimbola

- “Quanto Pagar e porque pagar”; Ifakemi

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sacrificios de animais X o Bife nosso de cada dia

Sacrificios de Animais Em Rituais Religiosos Versus o Bife Nosso de Cada Dia

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Elenini

A Influência do Obstáculo Divino em nosso Destino

Woribogbe, um dos Odù mais velhos (discípulo) de Òrúnmìlá, nos revela a influência em nossas vidas da divindade chamada "Infortúnio". Elenini (Ido-Boo) é a guarda da Câmara interna do Palácio divino de Eledumare, aonde todos vamos nos ajoelhar para fazer os pedidos e juramentos para a nossa permanência no mundo. Uma vez tendo completado as providências para nossa partida, seremos conduzidos por nossos “Eledás” à câmara interna, aonde fazemos nossos próprios desejos. Eledumare não nos conta o que vai ou não vai acontecer conosco ou nos dar algum desígnio especial. Tudo aquilo que vemos, desejamos fazer ou transformar, Ele simplesmente abençoa dizendo: “- Que assim seja minha criança!” Quando Woribogbe estava indo para a terra, ele fez um pedido, que queria modificar a face da terra, eliminando todo mal e elementos viciosos. Para ser capaz de executar sua tarefa, ele solicitou de Eledumare um poder especial sobre a vida e a morte. Eledumare respondeu que seu pedido estava concedido. Envolvido pelo poder concedido a ele por Eledumare, partiu rapidamente em sua jornada para o Àiyé[terra]. Seu Eledá o relembrou da necessidade de assegurar seus pedidos com Elenini a mais poderosa divindade, mas ele disse ao seu anjo que não havia força maior que Eledumare e desde que ele tinha obtido autorização divina, não via porque se justificar com alguma divindade inferior. Assim que deixou o palácio divino, Elenini inverteu os desejos de Woribogbe. Na chegada ao Àiyé, ele descobriu que ao contrário de seus pedidos, estava se encontrando por acaso em dificuldades. Veio a saber que tudo aquilo que ele pediu estava acontecendo sempre ao contrário. Quando ele rezava para pessoas viverem, eles morriam, enquanto aqueles que ele desejava mortos, viviam. Ele se tornou muito amargurado e desiludido, por que ninguém se atrevia a ir até ele para consultar o Oráculo, ou pedir auxílio, desde aquilo que havia feito, pagava muito caro por isso. Após passar fome dentro de sua frustração por algum tempo, ele decidiu retornar ao Òrun[céu]. Chegando ao Òrun, ele foi ao seu Eledá que o relembrou do aviso dado a ele antes da partida do Òrun. Foi neste ponto que ele concordou em ir ao Oráculo, aonde foi informado a fazer sacrifícios elaborados para Elenini, a mais velha das divindades. Ele fez o sacrifício e retornou subseqüentemente para o Àiyé para uma vida produtiva e realizada.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Iwori Meji


Este Odù fala das pessoas presenteadas com a habilidade de ver coisas com suas próprias perspectivas. Elas muitas vezes sonham, têm visões claras, crescem e tornam-se "adivinhos" ou espiritualistas. Pessoas com esse Odù devem cultuar Ifá. Isso irá lhes trazer boas perspectivas, vida longa (ire aiku), prosperidade (ire aje), uma esposa (ire aya) e filhos (ire omo).

Oyeku Meji


Oyekumeji é o segundo Odù (olodu) principal. Ele simboliza o princípio feminino. Os odùs Ejiogbe e Oyekumeji deram nascimento aos quatorze odùs principais restantes.

Èjìogbè



Èjìogbè

Ejiogbe é o Odù mais importante. Ele simboliza o princípio masculino e, portanto é considerado o pai dos odùs. Na ordem fixada por Òrúnmìlà, Ejiogbe ocupa a primeira posição.
Em Ejiogbe, os dois lados do Odù são idênticos: Ogbe está em ambos os lados direito e esquerdo. O Odù deveria ser chamado “Ogbemeji”, mas ele é universalmente conheci-do como Ejiogbe porque eji também significa “dois”. Há um equilíbrio de forças em Ejiogbe, que é sempre uma boa profecia.

Bruxaria e feitiçaria



Do ponto de vista do código moral iorubá, a magia pode ser boa ou má, lícita ou ilícita.

Bruxaria e feitiçaria são, via de regra, expressões de magia ilícita porque visam a destruição de um indivíduo ou de um grupo. A feitiçaria é praticada quase exclusivamente por homens e a bruxaria quase exclusivamente por mulheres. Enquanto o feiticeiro faz uso de recursos materiais para suas práticas, a bruxa os dispensa: deixando o próprio corpo adormecido durante a noite, atua diretamente com sua alma sobre as almas de outras pessoas. As bruxas vampirizam a energia vital das vítimas e ocupam por vezes, corpos de animais para se locomoverem. Se o animal que está conduzindo a alma de uma bruxa for morto, a bruxa
morrerá, sem poder voltar a seu corpo. Encontramos descrições análogas a esta em A Erva do Diabo de Carlos Castaneda, referindo-se aos índios yaquis, de Sonora, no México. Bruxaria é arte aprendida ou recebida da mãe. Algumas mulheres já nascem bruxas, outras adquirem tais poderes, podendo mesmo comprá-los ou serem presenteadas por uma bruxa que sinta simpatia pela aspirante. Seus poderes nem sempre são do conhecimento dos familiares, tornando-se conhecidos apenas no momento de sua morte. Um homem pode casar-se com uma bruxa inadvertidamente, o que poderá constituir grande perigo para ele. Uma pequena consequência que pode advir desse convívio íntimo é a de uma cegueira, caso tenha a
infelicidade de presenciar o deslocamento da alma da esposa no exato momento em que está iniciando a viagem astral.

Os feiticeiros, por sua vez, servem-se de vários procedimentos e técnicas para destruir as vítimas. Uma das técnicas possíveis recorre ao poder de Exu, usado em forma de sigidi, um boneco feito de argila à qual se misturou elementos dotados de qualidades mágicas. O sigidi fica guardado num canto da casa ou no santuário de Exu e quando o feiticeiro quer encarregálo de algum serviço, dota-o de poderes sobrenaturais e canta ou recita um encantamento com o nome da vítima, visando causar-lhe danos. Uma miniatura de porrete é colocada na mão desse boneco de argila para que ele possa atuar durante o sono da vítima.

Feiticeiros, bruxas e pessoas inclinadas ao mal incluem-se nos chamados Aye, o mundo.

Outros agentes de destruição mencionados no Corpus de Ifá são os ajogun. Entre eles incluem-se: Morte, Desordem, Perda e Enfermidade. Os aye podem servir-se dos ajogun, com o apoio de Exu, para destruírem a vida e a propriedade humanas ou para causarem infelicidades.

Lembramos que os iorubás reconhecem a existência de bruxas boas que se utilizam de seus poderes extraordinários para praticar o bem e zelar por seus familiares.


Texto retirado do livro: " Alma Africana no Brasil - Os iorubás", Dra. Ronilda Iyakemi Ribeiro

domingo, 12 de junho de 2011

Disse Ifá: "Não se pode ocultar um cadáver de uma mosca!”



ODI MEJI

Disse Ifá: "Não se pode ocultar um cadáver de uma mosca!”
O rei Metolõfin não gostava da mosca porque não conseguia ocultar nada dela. Um dia, resolveu colocá-la à prova, sob pena de morrer se acaso falhasse no teste.
Certo dia a Mosca teve um sonho através do qual, foi avisada para manter-se em guarda, pois a menor distração poderia representar sua morte.
Pela manhã, logo ao despertar, Mosca foi consultar Ifá, que lhe mandou oferecer um sacrifício de quatro galinhas, quatro pombos e farinha. A Mosca ofereceu os bichos, mas preferiu entregar a farinha à sua mãe, para ser por ela vendida.
Enquanto isto, Metolõfin mandou preparar duas grandes esteiras em forma de sacos. Numa das esteiras, pintada de fuligem negra, colocou um hla (hiena), na outra, pintada de branco e vermelho, enfiou um kpo (leopardo), sendo que os dois animais estavam vivos.
Dois carregadores foram encarregados, pelo rei, de levarem as esteiras, com seus perigosos conteúdos, até a casa de Mosca para que esta adivinhasse o que havia dentro, sob pena de em caso de erro, ser punida com a morte.
Chegando a cidade, os carregadores encontraram uma mulher que vendia mingau de farinha e, arriando seus pesados fardos, comeram do mingau ali vendido, sem saber que a mulher era a mãe de Mosca.
Tendo acabado de comer, o primeiro carregador dirigiu-se à sua carga e perguntou em voz alta: "Hla! Hla! Queres comer um pouco de mingau de farinha?" e como a hiena aceitasse, entregou-lhe uma porção do alimento.
O segundo carregador, seguindo o exemplo de seu companheiro, dirigiu-se à sua carga e perguntou: "Kpo! Kpo! Queres mingau de farinha?" E o leopardo aceitou.
Descobrindo a armadilha, a mãe da mosca tratou de arquitetar um plano para deter os carregadores, enquanto ia avisar à sua filha e, dirigindo-se a eles, falou: "Tomem conta de minhas coisas enquanto vou em casa buscar água fresca para beberem".
Chegando em casa, avisou a Mosca que, na esteira pintada de preto, havia uma hiena, e que na outra, pintada de branco e vermelho, havia um leopardo, retornando em seguida com a água para os homens.
Depois de saciarem a sede, os homens perguntaram à mulher onde ficava a casa da Mosca. "Estão vendo aquela casa ali à frente? é de lá que a vejo sair todas as manhãs. Vão até lá e a encontrarão".
Chegando à casa da Mosca, os carregadores bateram e foram atendidos pela própria.
"Somos mensageiros do rei Metolõfin que nos mandou procurá-la”.Disseram os homens.
"Procurar por mim? E com estas feras sobre as cabeças? Tu carregas um hla, um hla vivo! Trate de deixá-lo bem longe de mim! E tu... tu trazes um kpo vivo e não o quero aqui em minha casa! Tratem de levar estas feras para o local de onde as trouxeram!” Berrou a mosca.
Os carregadores, sem ao menos arriarem os seus fardos, voltaram à presença do rei a quem disseram: "Esta mosca é terrível, nem chegamos a depositar nossas cargas no chão e ela já havia identificado o conteúdo!”.
Desolado o rei respondeu: "É, ela é mesmo terrível. Não pude eliminá-la desta vez e ela continuará a viver e a descobrir tudo, ainda que esteja muito bem oculto."
Moral: As coisas erradas, por mais ocultadas que sejam acabam sendo descobertas. Não se pode ocultar um cadáver de uma mosca. (Odi Meji).

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ajapa Não era Babalawo




Existiam Quatro, Babalawos.
Um dia chegou Ajapa dizendo também que era Babalawo.
Todos se olharam, mas não quiseram contestar Ajapa.
Um dia Olofin pediu que os Babalawos fossem à casa real por que estava com muitos problemas.
Ajapa quis acompanhar os Babalawos e eles permitiram.
Então, na frente do Olofin, cada Babalawo, falaram o que era necessário, inclusive Ajapa.
Recebida a quantia do pagamento de Babalawo todos saíram e fora da casa real foram dividir o dinheiro.
Ajapa se dizendo Babalawo, exigiu que sua quantia fosse igual à de todos.
Assim sem reclamar os verdadeiros Babalawos dividiram igualmente com Ajapa.
Antes de irem embora, os Babalawos combinaram que levariam seus filhos no dia seguinte na casa de Olofin, já que teriam que terminar o serviço fazendo um ebo.
Ajapa, escutando isso, também levou seu filho para casa de Olofin.
Chegando todos lá, Olofin perguntou o que seria necessário para fazer ebo e os quatro Babalawos disseram que não seria necessário nada por que sacrificariam seus próprios filhos. Ajapa arregalou o olho, mas não podia contrariar o que os outros Babalawos disseram.
E assim, todos sacrificaram seus filhos inclusive Ajapa com grande tristeza no coração.
Serviço feito, todos os Babalawos e Ajapa saíram da casa de Olofin e foram caminhando pela rua, na primeira encruzilhada

O primeiro Babalawo estala o dedo e chama pelo filho, surgindo imediatamente o seu filho vivo.
Outro Babalawo estala o dedo e chama pelo filho, surgindo imediatamente o seu filho vivo.
Depois outro Babalawo estala o dedo e chama pelo filho, surgindo imediatamente o seu filho vivo.
O último verdadeiro Babalawo, também estala o dedo e chama pelo filho, surgindo imediatamente o seu filho vivo.
Ajapa amargurado e muito triste percebe que não pode chamar o seu filho porque não era Babalawo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ìyàmi e o Mito da Criação da Roupa de Bàbá Egún



Òsá Méjì

II II
I I
I I
I I

Ìyàmi e o Mito da Criação da Roupa de Bàbá Egún

Òsá méjì é rico. Potente grito. Barulho de sino (ajija) chega no além. Ifá é consultado para Odù, no dia em que ela vem do além para a terra. Ifá é consultado para Òbàrìsà, no dia em que ele vem do além para terra. Ifá é consultado para Ògún, no dia em que ele vem do além para terra. Este três chegam. Entre eles somente Odù é mulher. Odù diz, tu Olúdùmarè. Ela diz, assim vão eles na terra. Ela diz, quando chegarem lá, como ficará? Olódùnmarè diz, eles irão para a terra, boa será a terra. Ele diz, tudo o que eles quiserem fazer então, ele diz, ele lhes dará o poder, então tudo ficará bem. Ògún caminha na dianteira. Quando Ògún caminha na frente deles Òbàrìsà segue. Quando Òbàrìsà segue, Odù vem após. Quando Odù vem após, ela volta atrás. Ela diz, tu Olódùmarè. Ela diz, a terra para onde eles assim vão. Ela diz, Ògún, ela diz, tem o poder dos combatyes, ela diz, ele tem osabre, ele tem o fuzil, ela diz, ele tem todas as coisas para fazer a guerra. Ela diz, Òbàrìsà, ela diz, ele também tem o poder. Ela diz, com o poder que ele tem, ela faz tudo o que quiser. Ela diz, é mulher entre eles, ela é Odù. Ela diz, que poder é o seu? Olódùmarè diz, qual é teu poder? Ele diz, tu serás chamada, para sempre, mãe deles. Ele diz, porque quando todos os três partistes, ele diz, tu a única mulher retornaste. Ela diz, a ti, esta mulher, é dado o poder, que faz dela mãe deles. Ele diz, tu,tu susterás a terra. Olódùmarè lhe confere este poder. Ao lhe conferir o poder, ele lhe confere o poder do pássaro, ele lhe dá o poder de E;eye (proprietária do pássaro). Quando ele lhe deu o poder de eleye, Olódùmarè diz, está bem. Ela diz, esta cabaça de eleye que ele lhe deu, ele diz, conhecerá ela seu emprego na terra? Ele diz, que ela conheça seu emprego na terra. Odù diz, ela o conhecerá.
Ela recebe o pássaro de Olódùmarè. Então ela recebe o poder que ela utilizará com ele. Ela parte. Ela está na iminência de partir. Olódùmarè a chama para que ele volte novamente. Ele diz, está bem, ele diz, retorna. Ele diz, tu Odù, ele diz, retorna. Ele diz, quando ela chegar à terra, ele diz, como irás utilizar teus pássaros, e as forças que ele lhes deu? Ele diz, com irá ela utilizá-los? Odù diz, todos aqueles que não lhe tiverem dado ouvidos, ela diz, ela os combaterá com os pássaros. Ela diz, aqueles que não vieram pedir-lhe uma indicação, (aqueles) que assim fizeram, que não ouviren tudo aquilo que ela disser, ela diz, ela os combaterá. Ela diz, aquele que dela se aproximar para pedir ter dinheiro, ela diz, ela lhe dará. Ela diz, aquele que pedir-lhe para gerar, ela diz, ela o concederá. Ela diz, se tivesse dado dinheiro a alguém, se, em seguida, ele se mostrasse impertinente para com ela, ela diz, que o tomaria de volta. Ela diz, se tivesse dado um filho a uma pessoa, se, em seguida, ela se mostrasse impertinente para com ela, ela diz que o tomaria de volta. Ela diz, tudo aquilo que ela fizer por alguém, se, em seguida, ele se mostrasse impertinente para com ela, ela diz que ela o tomaria de volta. Olódùmarè diz, está bem. Ele diz, nada mau. Ele diz, utiliza com calma o poder que te conferi. Se ela o utilizasse com violência, ele o tomaria de volta, e de todos os homens que te seguirão, faço de ti a mãe deles. Toda coisa que agradar-lhe fazer, é coisa que deverão anunciar a ti, Odù. A partir de então Olódùmarè conferiu o poder à mulher, porque aquele que então recebeu o poder se chamava Odù. Ele dá às mulheres o poder de dizer tudo aquilo que lhes agradar. Sozinho o homem nada poderá fazer na ausência da mulher. Odù chega à terra. Quando chegam juntos à terra, em todas florestas que vêem, que eles chamam a floresta de Eégún, a mulher entra nelas. Aquela que eles chamam a floresta de Orò, a mulher entre nela. Naquele tempo não havia proibição alguma para que a mulher não ousasse entrar em floresta alguma.
Ou para que uma mulher não ousasse entrar em nenhum pátio dos fundos. Se eles querem adorar Eégún, se querem adorar Orò, se querem adorar todos os Òrìsà, a mulher os adora naquele tempo. Quando assim realizam o culto, ah! a antiga (àgbà) exagerou, ela caiu em desgraça. Ifá é consultado para Odù, quando Odù chega à terra. Ei! Dizem, eles tu odù, eles dizem, ela deve agir com calma, que ela tenha paciência, que nãqo seja imprudente. Odù diz, por quê? Eles dizem, por causa do poder que Olódùmarè te deu, eles dizem, para que as pessoas não saibam a razão disso. Odù diz (Ora essa!) ela diz, não é nada disso. Ela diz, ele não são capazes de conhecer o motivo. Ela diz, somente ela foi junto de Olódùmarè. Receber o poder não foi na presença dos outros que chegaram à terra com ela, não foi de modo algum na presença deles. Quando assim falaram a Odù, disseram-lhe que ela faça oferendas. Odù diz, de modo algum! Ela diz, ela não fará oferendas. A oferenda para que a mulher receba o poderio junto a Olódùmarè, ela a fez. Mas ela não deve rejubilar-se exageramente. Ela é capaz de utilizar essas coisas durante muito tempo. As pessoas não podem estragar aquilo que ela tem nas mãos. As pessoas não pessoas não podem conhecer os motivos de sua força. Ela não fará oferendas. Ela parte. Ela põe para fora (a roupa de) Eégún. Ela faz Orò sair para fora. Todas as coisas, não existem coisas que ela não faça, naqule tempo. Òbàrìsà vem, ele diz, hein! Ele é aquele a quem Olódùmarè confiou a terra. Esta mulher enérgica quer tomar a terra, e o pátio dos fundos (lugar no culto) de Eégún, e o pátio dos fundos de Orò, e o patio dos fundos de todos os òrìsà. (Ele) não ousa entrar em nenhum deles. Ah! esta mulher vem tomar a terra. Òbàrìsà vai consultar (um) babaláwo. O babaláwo a quem ele vai consultar, é Òrúnmìlà quem é consultado por ele naquele dia, é exatamente Òrúnmìlà que ele vai consultar. Ele diz que Òrúnmìlà examine, que diz o oráculo?

Ao lugar para onde vem juntos, eles moram, em um único local. O caracol que Òrìsà ofereceu, Òrìsà pega, adora sua cabeça com ele. Òrìsà adora sua cabeça com o caracol no lugar onde ele mora. Quando Òrìsà terminou adoração, então bebe a água (contida na concha) do caracol. Quando ele bebeu a água da (concha) do caracol. Ele diz, tu Odù também queres beber? Diz, Odù, não tem importância. Odù recebe a água de caracol para beber. Quando odù bebeu a água de caracol, o ventre (o humor) de Odù se acalma. No lugar onde seu humor se acalma, ela diz, ah! ela diz, tu Òrìsà, ela diz, ela conhece através dele um coisa deliciosa de se comer. Ela diz, a água do caracol é doce, o caracol também é doce? Quando terminou de comer, ela diz, isto é bom. Nunca lhe deram coisa tão boa de se comer quanto o caracol. Ela diz, o caracol é o que se deve dar a ele para comer. Ela diz, exatamente o caracol que tu, Òrìsà, comes, ela diz, devemos dar a ele. Òrìsà diz que lhe dêem caracóis, ele diz, mas teu poder que não me mostraste, ele diz, é a única coisa que me entristece. Ele diz, toda coisa, qualquer outra coisa que possuas, ele diz,tu ousas mostrá-las, tu Odù. Òrìsà assim fala. Quando Òrìsà assim falou, Odù diz, quando ela veio ficar com ele em um único lugar, ela diz, tudo aquilo que ele fizer, ela nada esconderá dele. Ela diz, tudo aquilo que ela fizer, ela nada esconderá. Ela diz, ele poderá ver todos os seus trabalhos e todos os seus hábitos. Ela diz, ela fica com ele em um único lugar. Òbàrìsà diz, nada mau. Quando Òrìsà diz nada mau, eles estão juntos. Ele estão juntos, querem adorar Eégún. Odù traz as coisas com as quais adora Eégùn, ela as leva para o pátio dos gundos de Eégún. Ela diz a Òbàrìsà que a siga. Ah! Òbàrìsà diz que está assustado. Ela diz que ele a siga. Òbàrìsà segue. Quando Òbàrìsà segue (e) entra na floresta de Eégún, eles adoram Eégún.
Quando eles adoram Eégún, Odù se cobre com a roupa de Eégún. Mas ela não sabe como se faz o som (da voz) de Eégún, como se faz a voz de Eégún, Odú não sabe. Ela sabe somente cobrir-se coma roupar, ela sabe somente fazer as orações, como todo mundo. Mas ela não sabe como se fala com a voz dos seres do além. Quando eles adoraram Eégún, Odù pega a roupa, cobre-se com ela. Ela faz votos de felicidade a uma pessoa que trouxe comida. Quando terminou os votos, ela sai. Quando saiu, ela e Òbàrìsà, chegou para eles o tempo de ir para casa. Òbàrìsà vai ao lugar (onde se encontra) a roupa. Antes a roupa de Eégún não tinha rede. Òrìsà acrescentou a rede. A rede por onde Eégún pode ver. Naquele tempo Eégún tinha uma roupa simples. Quando as mulheres faziam Eégún o tecido era simples. Elas faziam um furo no lugar do rosto para que elas (pudessem) ver um pouco. (Não havia) re, naquele tempo elas faziam um furo no lugar do rosto de Eégún. Mas quando Òbàrìsà chega, Òbàrìsà vem acrescentar a rede. Depois que eles chegam à casa, Òbàrìsà vai novamente ao pátio dos fundos de Eégún. Ele pega (a roupa de) Eégún, corta o lugar do rosto, aí põe a rede. Após colocar a rede, ele se cobriu com a roupa de Eégún. Quando se cobriu com a roupa de Eégún, pega o chicote. Empunha o chicote. (Não se despediu de Odù, dizendo que vai ao pátio dos fundos de Eégún, no lugar de onde ele sai.) Òbàrìsà fala com a voz de Eégún. Fala com a voz de Eégún, eles não distinguem sua voz. Faz votos, eles não distinguem sua voz. Aquele que quer adorar Eégún diz hein! Ele diz ah! ele diz Eégún que ele adora e, com efeito, verdadeiro, ele diz um dos seres do além veio à terra, ele empunha o chicote. O chicote que ele assim empunhou, arrasta-o no chão. Fala então coma voz de Eégún. No lugar onde se encontra, ele fala coma voz de Eégún. Ele se torna uma coisa que assusta Odù. Ah! ah! quando ela veste a roupa, não conhece esse modo de falar. Ah! ah! quem entrou rapidamente na roupa?
Quem, em seguida, falou rapidamente com esse semelhante voz? Cominteligência o homem toma o poder. E toda a inteligência da mulher, com inteligência o homem toma das mãos das mulheres. Olódùmarè, em primeiro lugar, transmitiu a inteligência e o poder de Eleye à mulher. Mas com inteligência e astúcia o homem toa a inteligência da mão das mulheres. Quando Odù viu que esse Eégún em torno de toda a cidade. Odù viu então que a roupa é sua. Quando ela viu que a roupa é sua, ela diz, quem é este ai? Ela não vê Òbàrìsà na casa. Ela diz, esse aí é Òbàrìsà? Odù permanece em casa. Ela envia seu pássaro. Ela lhe diz que vá empoleirar-se no ombro (de Eégún). Eles devem ir juntos. Tudo aquilo que Eégún disse, age pelo poder do pássaro, empoleirando em seu ombro. Quando tudo aquilo que ele diz se realizou, (e) quando ele volta para casa. Ele volta ao pátio dos fundos de Eégún. Ele se despe no chão. Ele coloca o chicote no chão. Torna a pôr sua própria roupa. Sai. Eleye vai para perto de sua proprietária (Odù). Quando ele volta para casa. Então Odù o saúda. Ela diz, sê bem-vindo. Ela diz, de onde vem ele? Òbàrìsà diz, ele vem de fora. Odù diz, nada mau. Ela diz, sê bem-vindo. Então Òbàrisà esparrama no chão todas as coisas que recebeu. Quando ele as esparramou, Odù diz, está bem. Ela diz, então foi sua roupa de Eégún que ele conduziu para fora? Òbàrìsà diz, assim é. Odù diz, está bem. Ela diz, verdadeiramente a ele convém mais do que a ela fazê-la (sair). Ela diz, toda essa gente, ela diz, grita, eis Eégún! Eis Eégún! Ela diz, eles gritam por causa dele. Ela diz, ele arrasta seu chicote no chão, ela diz, a honra cabe a ele. Ela diz, a partir de hoje, ela diz, ela concede Eégún ao homem. Ela diz, por causa dela, ela diz, mulher alguma nunca mais ousará entrar na roupa de Eégún. Ela diz, por causa de Òrìsàlá, ela diz, ela dá Eégún ao homem,. Ela diz, mas se ele deve sair, ela diz, ela tem o poder que ele utiliza. O motivo se deve à amizade entre Eégún e eleye. No lugar de onde vem Eégún, as Eleye (também) vêm.
Todo o poder utilizado por Eégún é o poder de Eleye. Odù diz, mulher alguma jamais entrará na (roupa) de Eégún. Mas ela poderá dança, ir ao encontro de Eégún, quer dizer que se Eégún sair, ele dançará diante dele, ele dançará na estrada, ao encontro de Eégún. Ela diz, a mulher fará isto unicamente. Ela diz, a mulher não ousará nunca mais entrar no pátio dos fundos. Ela diz, a partir de hoje é o homem que levará Eégún para fora. Ela diz, ninguém, nem os netos, nem os velhos poderão zombar da mulher. Ela diz, a mulher tem mais poder sobre a terra. Ela diz, além do mais, a mulher nos pôs no mundo. Ela diz, todo mundo nasceu da mulher. Ela diz, todas as coisa que as pessoas quiserem fazer, se não forem ajudadas pelas mulheres, ela diz, não podem fazer. (É por este) motivo que os homem nada podem fazer na terra, se não obtiverem das mãos das mulheres. Eles cantam. Òbàrìsà também canta. Quando é o quinto (dia), eles fazem (a festa da semana. Ele diz que todos os cânticos que eles cantarão serão este aqui, vindos do (odù de Ifá) Òsá Méjì. Ele diz, eles saúdam as mulheres, ele diz, se eles saudarem as mulheres, a terra será tranqüila. Eles cantam assim: “Dobrai o joelho, dobrai o joelho para as mulheres. A mulher nos pôs no mundo, assim somos seres humanos. A mulher é a inteligência da terra, dobrai o joelho para a mulher. A mulher nos pôs no mundo, assim somos seres humanos”.
Òsá Méjì

Como Òrúnmìlà acalma Ìyàmi



Òdí Méji

I I
II II
II II
I I


Como Òrúnmìlà acalma Ìyàmi

Grande montículo de terra na extremidade da rua. Muita poeira. Ifá consultado para as Ìyàmi Òsòròngà, que vieram do além para terra. Elas dizem que querem ouvir a voz do babaláwo, quando as Ìyàmi Òsòròngà vêm. Elas dizem, elas vêm à terra. Então elas chamam Òrúnmìlà no além. Olódùmaré disse a Òrúnmìlà que fosse. Òrúnmìlà partiu. No lugar para onde partiu, chegou ao muro de pedra de Òrìsàlà. Encontra as Ìyàmi no caminho. Òrúnmìlà diz aonde vão? Elas dizem que vão à terra. Ele diz, que vão fazer lá? Elas dizem, aqueles que não serão seus partidários, elas estragarão. Levarão doenças a seus corpos. Levarão fraqueza a seus corpos. Arrancarão os intestinos das pessoas. Comerão os olhos das pessoas. Comerão o fígado das pessoas. Beberão o sangue das pessoas. Não ouvirão a voz de ninguém. Òrúnmìlà diz ah! ele diz qie seus filhos estão na terra. Elas dizem que não conhecem os filhos de ninguém. Quando elas dizem que não dizem que não conhecem os filhos de ninguém. Òrúnmìlà disse que seu filhos estão sobre a terra. Ela dizem, Òrúnmìlà fala com teus filhos, que tenham folhas de ogbó, que tenham uma cabaça, que tenham a ponta do rabo de um rato òkété, que tenham tambem o corpo de um rato òkété, que tenham ovos de galinha, que tenham mingau de milho misturado com azeite, que tenham azeite, que tenham 4 shilings. Òrúnmìlà envia um mensajeiro a sua gente. Diz-lhes que preparam tudo isto. Assim que as Ìyàmi chegam à terra, antes de tudo se empoleiram na copa de uma árvore orógbó.
Quando elas permanecem no orógbó, procuram sua oportunidade. Não a vêem, elas deixam esse lugar. Chegaram à copa de uma árvore àjánrèré. Ao chegarem à copa de uma árvore àjánrèré elas não têm sorte. Vão para copa de um Ìrókò. A penca de frutos na copa do Ìrókò não é suficiente para elas. Vão na árvore oro, lá elas não têm sorte. Vão em um ògún bèrèke, lá elas não têm sorte. Vão para um arere, nãoencontram lugar onde ficar. Vão na copa de uma árvore que elas chama de opé ségiségi, no rio Awìnrìnmògùn. Quando ali chegam ali ficam. Ficam em sua copa. Constroem em pátio no fundos. Constroem um quarto. Elas dizem que é lá que se reunirão. Juntam um grande montículo de terra lá onde todas as Eleye se reúnem. Quando estão reunidas, quando chegaram terra, trazem dores de barriga para as crianças. Trazem doenças para as crianças. Arrancam os intestinos das pessoas. Arrancaram os pulmões das pessoas. Bebem o sangue das pessoas. Dão dores de cabeça aos filhos de um outro. Dão doenças aos filho de um outro. Dão reumatismo aos filho de um outro. Dão dores de cabeça, febre, dor de estômago, aos filhos de um outro. Fazem sair a gravidez do ventre daquele que está grávida. Trazem para fora o feto daquele que não é estéril. Não deixam que uma mulher fique grávida. Aquela que está grávida elas não deixam parir. Elas (as pessoas perseguidas) vêm fazer súplicas aos filhos de Òrúnmìlà. Dizem os filhos de Òrúnmìlà que as ajudem. Que ajudem aquela que está grávida.


O sacrifício que Òrúnmìlà disse a seus filhos que fizessem, naquele dia, seus filhos o fizeram. Elas dizem que se os filhos de Òrúnmìlà as quiserem chamar, elas dizem que as chamem com uma voz triste.. quando fizerem a oferenda, quando os filhos de Òrúnmìlà já tiverm chamado, deverão levá-la e colocá-la em cima de seu montículo de terra. Deverão cantar assim. Elas dizem que eles deverão cantar com uma voz triste. Elas dizem que eles responderão. Eles deverão cantar assim: “Mãezinha vós conheceis minha voz. Ìyàmi Òsòròngà, vós conheceis minha voz. Ìyàmi Òsòròngà, toda coisa que eu disser, a folha ogbo disse que vós certamente compreendereis. Ìyàmi Òsòròngà, vós conheceis minha vóz. Ìyàmi Òsòròngà, a cabaça diz que vós ides agarrar. Ìyàmi Òsòròngà, vós conheceis minha voz. Ìyàmi Òsòròngà, a palavra que o rato òkété disse à terra, a terra certamente a compreende. Ìyàmi Òsòròngà, vós conheceis minha voz. Ìyàmi, todas as coisas que eu disser vós fareis. Ìyàmi Òsòròngà, vós conheceis minha vós”. Eles começam a cantar. Quando eles acabam de cantar, todas as Eleye estão silenciosas. Os filhos de Òrúnmìlà o farão por eles. (Òrúnmìlà) diz que se eles colherem a folha que age, ele diz que eles tomarão cuidado para que a pessoa grávida permaneça grávida. Aquele que ficar grávida, eles cuidarão para que ela dê à luz. Ele diz que aquele que ficar doente, eles cuidarão dele, ele ficará bem. Ele diz que será curado. Ele diz que aquele que tiver dor de cabeça, eles colherão a folha que age. Se o fígado fizer mal a alguém, desenterrarão para ele a raiz que agr. Como as Ìyàmi autorizaram esses filhos de Òrúnmìlà naqule dia, todas as coisa que eles fizerem agirão. Mas naquele dia eles chamarão co voz triste o canto indicado, para que Olorun deixe essas pessoas realizar esta boa tarefa.

Como Òrúnmìlà acalma a cólera de Ìyàmi



Ogbè Ògúndá ou Ogbè Yónú

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II I

Como Òrúnmìlà acalma a cólera de Ìyàmi

O que a mim fizeres, farei a ti, a árvore dos campos leva uma coroa na cabeça. O algodão não é um fardo pesado (mas não é compacto). Ifá é consultado para as pessoas que vieram à terra. Ifá é consultado para as Eleye que vieram à terra. Quando as Eleye chegaram à terra, Òrúnmìlà diz, elas são capazes de poupá-lo? Elas dizem que quando chegaram à terra, quando vieram pela primeira vez à terra, beberam de sete águas. A água de Ògbèrè na cidade de Owu foi a que beberram em primeiro lugar. Beberam em seguida a água de Majomajo, rio de Apomu. Beberam em seguida de Oléyò, água de Ibadan. De Iyewa, elas beberam em Iketu. De Ògún, elas beberam em ibara. De Ibo, elas beberam em Oyan. De Oséréré, elas beberam em Ikirun. Das sete águas vós bebetes quando viestes à terra. Quando bebestes dessas água quando viestes à terra, estais com os filhos dos homens, encontrais os filhos dos homens, vós os poupareis? Dizeis que não os poupareis. Os filhos dos homens correm para a Eégún. À casa de Eégún, vão em primeiro lugar naquele dia. Esses filhos dos homens vão correndo encontrar Eégún. Eles dizem, tu Eégún, protege-nos, as filhas de Eleye dizem que não querem poupá-los. Eégún diz que não é capaz de salvá-los. Ele diz que não é capaz de proteger os filhos dos homens naquele dia. Eles deixam esse lugar. Vão à casa de Òrìsà, vão à casa de Sàngó. Vão à casa de Oyà, vão à casa de Obà. Pedem que os protejam. Todos eles dizem que não são capazes de apaziguar a cólera delas. Que, irá salvá-los neste mundo? Eles devem ir à casa de Òrúnmìlà, quando chegam à casa de Òrúnmìlà, dizem, Òrúnmìlà, protege-nos. Eles dizem, as filhas de Eleye não nos querem poupar.
Eles dizem, elas nos matarão. Eles dizem, protege-nos, que elas sejam capazes de poupar-nos, que elas não sejam capazes de matar-nos e comer-nos. Òrúnmìlà diz que com eles farão um pacto, mediante juramento, naquele dia. Ele diz, somente se alguém o preparar (como Òrúnmìlà fez outrora), eles serão poupados. Èsù vem dizer veementemente a Òrúnmìlà. Èsù diz que ele prepare um prqato de barro, que ele prepare um ovo de galinha, que ele prepare mel, que ele prepare uma pena de papagaio, que ele prepare folhass de ojúsàjú, que ele prepare folhas de òyóyó, que ele prepare folhas de àánú, que ele prepare folhas de agogo ògún. Òrúnmìlà faz a oferenda do lado de fora. Quando Òrúnmìlà fez a oferenda. Èsù é isto, é amigo de Òrúnmìlà. Assim como ele teve um encontro com as Àjé na terra, assim as encontrou no além. No dia em que elas beberam dessas sete águas, antes de tudo, no dia em que elas começaram a beber, foi na presença de Èsù. Mo dia em que ela fizeram a reunião, foi na presença de Èsù. Elas decidiram no momento em que chegaram. Disseram, aquele que decifrar o enigma que elas apresentassem, disseram, aquele que decifrar o enigma, elas o poupariam. Disseram, aquele que queria ser poupado, se não soubesse o enigma, elas não o poupariam. Òrúnmìlà não conhece esse enigma. Mas quando Òrúnmìlà dá comida a Èsù seu ventre se adoça (ele fica contente). Èsù anda sem fazer barulho (sem que as pessoas não o ouçam), ele fala a Òrúnmìlà. Ele diz que Òrúnmìlà tenha bucha de algodão na mão, diz que tenha um ovo de galinha na mão. As filhas de Eleye dizem com insistência: “elas não estão contentes com os filhos dos homens naquele dia”. Elas dizem, todo caminho pelo qual òrúnmìlà andou, elas dizem que não é bom. Elas dizem que não estão contentes com pessoa alguma. Elas vão persistindo nesse assunto até a casa de Ogbè Yónú. Quando chegam à casa, as filhas de Eleye declaram (seu caso), os filhos dos homens declaram (seu caso).
Os filhos dos homens são (julgados) culpados. Quando os filhos dos homens são julgados culpados (a despeito) das oferendas que Òrúnmìlà fez na terra, Òrúnmìlà é (julgado) culpado. A oferenda, Òrúnmìlà fez na terra, diz que elas estão contentes com ele. Èsù diz, filhos de Eleye, ele diz, deveríveis saber o tipo de indicação dada. Ele diz, o sacrifício que, dessa forma, Òrúnmìlà trouxe para fora, ele diz, examinai-º quando elas o examinam, elas pegam a folha de òyóyó. Ah! elas dizem, Òrúnmìlà diz que elas estão contentes com ele. Òyóyó é quem diz que vós estais contentes comigo, que não deveis lutar comigo. Elas (as Eleye) dizem, quando òrúnmìlà tinha a folha de òyóyó ele dia que elas estavam contentes com ele, (e) que elas també estavam contentes com todos os filhos dos homens. Elas vêem em seguida a folha ojúsàjú. Èsù diz, compreendeis aquilo que ela vos disse? Ele diz que vós, com toda a bondade, o respeiteis, que ele verá a bondade. Elas dizem que folha é esta? Dizem qual é a terceira folha? Ele diz, que é a folha àánú. Ele diz, vós todas tereis piedade (sàámu). Elas dizem que terão piedade de Òrúnmìlà. Elas dizem (o que significa) a folha do agogo ògún? Ele diz vós sabeis. Ele diz que na casa, nos campos e detrás do muro da cidade, que tem todo lugar aonde lhe agrada ir, vós deixareis o que seja bom, que tudo aquilo que ele tiver na mão, vós deixareis o que seja bom, elas dizem que ele peça com agogo ògún. Elas dizem, por que este mel? Elas dizem, como é que ele conhece a coisa com a qual elas prestaram um juramento? Ele diz, Òrúnmìlà é capaz de saber de todas as coisas. Elas dizem, por que este efun? E este osùn? Ele diz, giz que vós lhe deis a felicidade. Ele diz, pó vermelho diz que chegueis com a felicidade. Elas dizem, por que a pena de papagaio? Hein! Ele diz, quando vós, Eleye, chegardes ao além, ele diz, a pena com qual fizestes o sacrifício, vós a colocareis na cabeça, ele diz, esta pena que vós utilizais traz com ela a felicidade, em todos os lugares por onde ela vai.
Quando chegou o tempo, quando Òrúnmìlà cessou de falar, As Eleye dizem, tu Òrúnmìlà; dizem elas, como então acabaste de falar elas dizem, deixa que elas também falem por elas. As filhas de Eleye vêm dizer, eles dizem Òrúnmìlà, elas dizem, está bem elas vão apresentar um engma. Elas dizem, quem deverá ser capaz de resolver o enigma que elas irão apresentar. Elas dizem que ele devera ser capaz de resolver o enigma que elas vão perguntar. Elas dizem, sua casa será boa, seu caminho será bom, seus filhos não irão morrer, suas mulheres não irão morrer, ele também não irá morrer, todos os lugares para onde ele estender a mão serão bons. Mas se ele não conhecia este enigma, elas não aceitaram sua súplicas, elas ficariam encolerizadas com ele o tempo todo. Mas se ele for capaz de dar a resposta, acabou. Òrúnmìlà diz que assim está bem, ele diz que elas apresentam este enigma: “Elas dizem jogar Òrúnmìlà diz pensar”}(sete vezes). Na sétima vez elas pedem essa resposta a Òrúnmìlà. Elas dizem, Òrúnmìlà, dizem, quando ele diz pegar, dizem, elas, o que elas lhe enviam para se pegar? Ah! diz ele, vós enviais um ovo de galinha. Dizem elas, de que dispóem para pegar (o ovo)? Òrúnmìlà diz que é a bucha de algodão. Elas dizem a Òrúnmìlà que jogue este ovo de galinha para o ar. Elas dizem que ele o pegue sete vezes. Quando Òrúnmìlà o pegou sete vezes, elas dizem assim acabou? Elas dizem assim está bem. Elas dizem que eles estão perdoados. Elas dizem, vós, todos os filhos dos homens e tu Òrúnmìlà, elas dizem, dançai, elas dizem, cantai: “Òrúnmìlà o fez, ganhastes, pessoas, ganhastes, pessoas. As filhas de Eleye vieram dizer-vos ganhastes, pessoas. Foi a água Ogbèrè em Owu que bebestes em primeiro lugar, ganhastes, pessoas. As filhas de Eleye dizem ganhastes, pessoas. Bebestes em seguida a água de Majomajo em Aapoinu, ganhastes, pessoas. As filhas de Eleye dizem ganhastes, pessoas. Em seguida bebestes a água de Òléyò em Ibadan, ganhastes, pessoas.

Da água de ibo bebestes em Oyan, ganhastes, pessoas. As filhas de Eleye dizem ganhastes , pessoas. Da água de Oséréré bebestes em Ikirun, ganhastes, pessoas. As filhas de Eleye dizem ganhastes, pessoas. A folha de ojúsàjú diz que vós a respeiteis, ganhastes, pessoas. As filhas de Eleye dizem que vós ganhastes, pessoas. A folha de òyóyó diz que vós estais contentes, vós ganhastes pessoas. As filhas de Eleye dizem vós ganhastes, pessoas. A folha de àánú diz que tereis piedade, vós ganhastes, pessoas. As filhas de Eleye dizem vós ganhastes, pessoas. A folha de agogo ògún diz que me enviais a felicidade, vós ganhastes, pessoas. As filhas de Eleye dizem, vós ganhastes, pessoas. Se não lambermos o mel ficaremos com ar triste, vós ganhastes, pessoas. As filhas de Eleye dizem, vós ganhastes, pessoas”. Quando Òrúnmìlà terminou seu canto, Òrúnmìlà dança. Ele vem com um agogo na mão. Eles vêm bater o agogo. Òrúnmìlà acabou de dançar, elas dizem, Òrúnmìlà, elas dizem, isto está bem. Elas dizem, se deve ir à casa, ou ir ao campo, ir para fora, todos os caminhos onde ele puser a mão (por onde passar) serão agradáveis. Elas dizem, se ele deve construir uma casa, elas dizem, se ele quiser dinheiro, elas dizem, se ele quiser permanecer muito tempo no mundo, elas dizem, se ele desejar que elas o protejam, elas dizem, se Òrúnmìlà cantasse esse tipo de canção, elas dizem que aceitarão, elas dizem, que ficarão contentes com esta pessoa, elas dizem, que tudo aquilo que Òrúnmìlà quiser pedir-lhes, elas dizem, que no lugar onde agradar a Òrúnmìlà permanecer, quer seja nos sete céus de acima, se ele cantar esta espécie de canção elas responderão.
Então elas farão a coisa que ele pede para a felicidade. Elas dizem que se ele permanecer nos sete céus de baixo, se ele cantar esta canção, elas então farão a coisa que ele quiser para a felicdade. Elas dizem que se ele permanecer nos quatro cantos do mundo, se ele permanecer na casa de Olókun (o mar), se ele permanecer no lado do mar, se ele permanecer no meio de duas lagoas, se ele permanecer em Iwanran no lugar onde o dia nasce, se ele cantou isto, se ele deu nomes às água que elas beberam, elas dizem que perdoarão. Elas dizem que está bem. Elas dizem, o diznheiro que Òrúnmìlà não tem. Òrúnmìlà o terá. Elas dizem, a mulher que Òrúnmìlà não têm, Òrúnmìlà a terá. Ela dizem, a mulher que não deu à luz, a mulher de Òrúnmìlà ficará grávida, ela dará à luz. Elas dizem, a casa que Òrúnmìlà a construirá. Elas dizem todas as coisas boas que Òrunmìlà não viu, ela dizem Òrúnmìlà ficará velho. Elas dizem que Òrúnmìlà ficará muito tempo ( no mundo), ele se tornará um ancião. Òrúnmìlà diz a todos os seu filhos do alto e de baixo, ele diz que precisam conhecer esta canção, que precisam conhecer esta história, para que sejam capazes de contá-la. Toda pessoa a quem esta história for contada, as Eleye jamais ousarão combatê-la.

Ìyàmi esta sempre encolerizada



Ogbè Ògúndá ou Ogbè Yónú

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Ìyàmi esta sempre encolerizada


O que a mim fizeres, fareis a ti. A árvore dos campos leva uma coroa na cabeça. O algodão não é um fardo pesado (mas ele não é compacto). Ifá é consultado para as pessoas que vieram à terra. Ifá é consultado para as Eleye que vieram à terra. Quando as eleye chegaram à terra, eles dizem, que elas não lutarão com eles. Elas dizem, se eles não lutarem com vós. Elas dizem, vós não deveis colher os quiabos de Ejio, elas dizem, vós não deveis arrancar a folha òsùn de Aloran, elas dizem, vós não deveis contorcer o corpo no pátio dos fundos da casa de Mosionto. Elas dizem que se eles colhessem os quiabos de Ejio, elas lutariam, com eles. O que são os quiabos de Ejio? Os filhos dos homens não conhecem os quiabos de Ejio. Quando os filhos dos homens partirem, se partirem, poderão chegar, caminhando, a um lugar onbde colherão um folha comum. Poderão ir a um lugar onde não colherão folhas, onde ficarão sem fazer nada. As eleye dizem ah! eles colheram os quiabos de Ejio. Os de Ejio que dissemos que não era colher, eles colheram. Ah! os filhos dos homens suplicam. Se elas disserem a alguém que não se devem colher os quiabos de Ejio, se ele não fizer numerosas oferendas, se ele não fizer numerosos sacríficios, se ele não tiver muitas coisas com as quais dirigir-lhes súplicas, assim como Òrúnmìlà fez, elas dizem que não perdoarão, se alguém não tiver coisas com as quais suplicar, elas o matarão. Mal ele põe a mão em alguma coisa já elas estão dizendo que são os quiabos de Ejio. Elas vão dizer, ele colheu os quiabos de Ejio. Porque, colher os quiabos de Ejio, arrancar a folha òsùn de aloran, contorcer o corpo no pátio dos fundos da casa de Mosionto, as Eleye, para atormentar os filhos dos homens, são capazes de achar o caminho para lutar com eles, apresentando-lhes todo tipo de enigmas. Elas sabem que os filhos dos homens não têm o conhecimento, que eles não sabem que aspecto têm os quiabos de Ejio.
Se eles não tiverem dinheiro na mão, se não estiverem bem preparados, elas os matarão. Quando volta a chegar o tempo, quando os filhos dos homens devem levantar-se de novo, quando eles voltam a acordar de manhã, quando dizem que vão ao campo, aqueles cuja chácara é boa, que transportam inhame, que transportam milho. Então, se as Eleye virem que eles não lhes dào uma parte, elas dizem, a folha òsùn de Aloran é aquela que eles arrancaram. Elas dizem, òsùn de aloran é a que vocês arrancaram. Àquele que, dessa forma, transportar os inhames e o milho, elas dizem que ele arrancou a folha òsùn de Aloran. Se eles não a oferecerem para que elas a comam, se eles não voltarem a fazer-lhes oferendas, sacrifícios, se eles não lhes dirigem síplicas, dando-lhes coisas boas, elas os matarão. Se, mais uma vez eles vão para fora, se as pessoas vão para fora, se as pessoas vão comprar algo, se comprarem um rato, se comprarem um peixe, se comprarem um animal, se comprarem qualquer coisa, se derem uma parte para as Eleye comerem, as Eleye dizem, basta. Alguém que vai comprar alguma coisa, que não lhe dá para comer, elas dizem que ele contorceu o corpo no pátio dos fundos da casa de Moisonto. Porque ele comprou algo e não lhes deu de comer, se ele não lhes fizer oferendas, se ele não lhes fizer sacrifícios, elas o matarão. A razão para matar toda essa gente, é o enigma, os três enigmas que elas lhes apresentam. Elas os atormentam com os enigmas. Então elas sabem, dizem que os filhos dos homens não sabem que esta lei existe não são capazes de respeitá-la porque não sabem que os filhos dos homens não sabem o que é o quiabo de Ejio, a coisa, que elas dizem ser o quiabo de Ejio, é o quiabo de Ejio, elas sabem, dizem que o filho dos homens não sabe o que é a folha òsùn de Aloran, a coisa, que elas dizem ser a folha òsùn de aloran, é a folha òsùn de Aloran.
Elas sabem que o filho dos homens não sabe o que é contorcer o corpo no pátio dos (fundos da casa de Mosionto. A ação, que elas dizem ser que é contorcer o corpo no pátio dos fundos da casa de Mosionto, é contorcer o corpo no pátio dos fundos da casa de Mosionto. As eleye atormentam as pessoas. Mas Òrúnmìlà vem suplicar por elas. Ele vem novamente suplicar por seu filhos, suplica novamente por toda a sua gente, ele diz que sua casa, seu campo, seu caminho, e todas as coisas que ele possui, que elas as poupem, que elas não lutem com eles, que elas permitam que tudo aquilo que ele quiser fazer seja bom. Òrúnmìlà vem fazer seu sacrifício. Ele vem para libertae os filhos dos homens das mãos delas então elas vêm dizer, todas as pessoas pelas quais Òrúnmìlà fez este sacrifício, pelas quais ele suplicou, elas lho entregarão. Mas elas não querem que Òrúnmìlà faça isto par todo mundo. Mas todas a pessoas para as quais Òrúnmìlà fará este sacrifício, serão por elas poupadas, elas não as matarão, em se tratando, levarão em conta a Òrúnmìlà. Aquele a quem Òrúnmìlà diz para poupar, elas o pouparão. A pessoa que elas teriam apanhado. Se Òrúnmìlà solicitasse poupá-la elas a poupariam. Todos aqueles, de quem as Eleye disseram que colheram os quiabos de Ejio, que compareçam perante Òrúnmìlà. Òrúmìlà implorará por eles, Òrúnmìlà suplicará por eles, Òrúnmìlà suplicará novamente por eles, as Eleye perdoarão. Aqueles de quem elas disseram, eles arrancaram a folha òsùn de Aloran, que eles fujam para junto de Òrúnmìlà. Òrúnmìlà fará com que todos sejam perdoados. Aqueles de quem elas disseram, eles contorceram o corpo no pátio dos fundo da casa de Mosionto. Somente Òrúnmìlà assim os fez perdoar, as filhas de Eleye dizem, basta. Elas dizem, se antes estavam iradas, não estão mais iradas. No dia em que elas dizem, não estão mais zangadas com Òrúnmìlà, elas deram permissão a Òrúnmìlà, para que libertam de suas mão todos os filhos dos homens.

Como Òrúnmilà vai ver o segredo de Ìyàmí em Òtà




Ìrété Òwànrín ou Ìrété Olótà

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Como Òrúnmilà vai ver o segredo de Ìyàmí em Òtà

Tu me mostras o conteúdo de um grande saco. Eu te mostro o conteúdo de um grande saco. Tu tens, eu tenho. Owúyèwuyè é babaláwo na casa de Òrúnmilà. Ifá é consulado por Òrúnmilà que procura o segredo na cidade das Eleye. Òrúnmilà diz que desta cidade das Eleye aonde ele vai, ele é capaz de conhecer sua base (o segredo)? É ele capaz de trazer dela o bem? Eles (os babaláwo) dizem a Òrúnmìlà que faça uma oferenda. Eles dizem que Òrúnmìlà, antes de ir ver o segredo do que as Eleye fazem no mundo, eles dizem que Òrúnmìlà vá preparar um saco de pano branco. Eles dizem que ele ofereça uma cabeça da serpente oka. Eles dizem que ele ofereça um pombo brando. Eles dizem que ele ofereça quatro nozes-de-cola brancas. Eles dizem que ele ofereça quatro nozes-de-cola vermelhas. Eles dizem que ele ofereça azeite-de-dendê. Eles dizem que ele ofereça giz (efun). Eles dizem que ele ofereça pó vermelho (osùn). Eles dizem que ele ofereça uma cabaça. Eles dizem que Òrúnmìlà prepare tudo isso. Quando Òrúnmìlà preparou tudo isso, eles vêm pegar esse saco de pano, eles o suspendem. Òrúnmìlà diz ah! Òrúnmìlà vai a òtà, chega no meio do mercado, mal òrúnmìlà chegou, eles dizem ah! ah! elas dizem, chegou a comida! Alguém a quem elas querem matar e comer chega. Começaram todas elas a falar. Èsù (que faz o bem e o mal) (que faz todas as coisas). Èsù se transforma rapidamente, então ele se tornou uma pessou. Ele vai chamar todas Àjé que estão Òtà. Ele diz ah! ah! ele diz, Òrúnmìlà. Ele diz, o pássaro de Òrunmìlà. Ele diz, é mais poderoso que todas vós. Ele diz reuni todos os vossos pássaros, vós o reunireis perto dele, que ele possa receber o poder junto a Òrúnmìlà. Elas dizem, este homem tem um pássaro? Èsù diz, Òrúnmìlà tem um pássaro. Ele diz, é maior que todos os de Òtà. Todas elas começam a juntar seus pássaros. Começaram a levá-los até Òrúnmìlà. Assim Òrúnmìlà tem todos os pássaros reunidos em torno dele. Quand
Assim que ele senta, elas dizem que não querem tirar seu mau-olhado do corpo de Òrúnmìlà. Elas dizem que lutarão com ele. Elas dizem que estão encolerizadas porque ele conhece seu segredo. Elas dizem, eles querem, por esta forma, conhecer o segredo delas. Elas dizem, se pegarem Òrúnmìlà, elas o matarão. Ele vai chamar os babaláwo. Òrúnmìlà vai informar-se. Ele vê Tèmáiyè. Se o babaláwo da casa não pode escutar ifá, vai se fazer uma consulta fora. Ifá é consultado no dia em que estas Eleye dizem que o matarão. Elas dizem, tu Òrúnmìlà és aquele a quem as Eleye vão matar, as Eleye querem matar-te. Eles dizem a ele que faça oferendas. Eles dizem a Òrúmìlà que, naquele dia, prepare ekujebu (caroço muito duro). Dizem que tenha também um frango òpìpì (frango de penas arrepiadas). Dizem também que tenha um èko (purê de milho enrolado em uma folha). Eles dizem a Òrúnmìlà que tenha 6 shilings. Então Òrúnmìlà age assim. Quando ele terminou, eles vão com todas essas coisas, com elas vão consultar ifá para Òrúnmìlà, eles vão chamar. Quando chamaram, para que elas comam, elas voltam a dizer que querem pegar Òrúnmìlà, elas vêm vigiar Òrúnmìlà até que, elas não vêem mais Òrúnmìlà para pegá-lo. Quando elas não o vêem mais para pegá-lo, elas dizem, Òrúnmìlà, elas dizem, como faremos para ver-te e pegar-te? Ele diz Àjé não é severa, ela não pode comer ekujebu, vós de modo algum, podeis matar-me. Ele diz, o frando òpìpì não tem asas para voar sobre a casa, elas não podem matar-me. Isto foi o que Òrúnmìlà fez na quele dia, para que elas não sejam capazes de matá-lo, quando Òrúnmìlà foi a Òtà para ver o segredo delas

Como Ìyàmi chega à terra em Òtà



Tiramos (a água) na frente, tiramos (a água) atrás. Ifá é consultado por 201 pessoas, que do céu vieram para a terra. Ifá é consultado por 201 proprietários de pássaros, que do céu vieram para a terra. Quando essas 201 pessoas chegam, eles (os babaláwo) dizem para preparar uma cabaça para cada uma delas. Foi em Òtà que elas chegaram pela primeira vez, elas nomeiam uma pessoa Ìyálóde em Òtà, aquela que quer receber (um pássaro) leva sua cabaça para junto dela. Ela diz que quer receber seu pássaro. Ele está colocado dentro. Quando ela colocou o pássaro dentro, a cabaça é coberta e lhes é entregue. Esta cabaça que lhes é entregue, elas tomam conta dela em sua casa. Quando elas a arrumaram em sua casa, não é qualquer um que pode saber o lugar onde elas a puseram, a menos que seja alguém que tenha uma cabaça. Talvez esteja (em cima do) teto. Elas podem colocar ao lado da parede. Elas podem cavar o chão para a colocar ali. Elas sãos as únicas a saber o lugar onde a cabaça está guardada, quando ela lhes é entregue. Quando elas lhes são entregues, cada uma leva a sua, vai colocá-la no lugar que ela viu. Quando elas querem enviar Eleye em uma missão, elas abrem a cabaça esta Eleye voa para fora da cabaça, vai cumprir a missão aonde ela é enviada, talvez em Lagos, talvez em Ibadan, talvez em Ilorin, talvez em Sapele, talvez em Londres. Talvez no país do rei. Todos os quatro cantos do mundo são os lugares para onde elas a enviam. Quando, desse modo, elas abriram a cabaça. Este pássaro voa e vai cumprir sua missão. Se elas dizer que é para matar alguém, eles matam. Se elas dizem que é para levar os intestinos, ficam à espreita de alguém. Quando elas estão espreitando para rasgar seu ventre, a pessoa não sabe que elas querem levar seus intestinos. Se ela estiver grávida, eles retiram a gravidez de seu ventre. Eles vão executar o trabalho de que estão encarregados.
Quando terminarem este trabalho, voltam novamente para esta cabaça. Elas tornam a cobri-la. Quando elas a cobriram, cuidam de a colocar novamente em seu lugar. Elas não lutam mais sozinhas, a menos que queiram ir à sociedades delas. No momento em que retorna, este pássaro assim fala com sua proprietária, “o trabalho que me mandastes fazer, eu o fiz”. Se esta pessoa possui um remédio contras as Àjé, ela é capaz de dizer, “que aquela que vos enviou para me pagar, não me pegue”, tento pegar, pegar, pegar, mas não sou capaz de pegar. Se me enviardes a pegar alguém (que não possua este remédio) eu o pego. Aquela que possui um pássaro vai então para o meio da sociedade, ela diz então que ela enviou um mensageiro em missão, ela fez este trabalho contra ele, ela levou este trabalho para o meio da assembléia, porque ele não pode trabalhar sozinha. Quando elas assim falaram, aquelas que ficam compartilham as coisas. O sangue da pessoa que ela mandou (pegar) ela o leva para o meio da sociedade, todas as suas companheiras o querem tocar com suas bocas. Quando elas tomaram juntas este sangue, elas se separam. Quando elas se separaram, chegou o dia seguinte, chegou a noite seguinte, elas enviam novamente o pássaro. Elas não deixam dormir (sua vítima) este pássaro pode pegar um chicote, pode pegar um porrete, pode pegar uma faca, pode torna-se uma alma do outro mundo, pode torna-se uma òrìsà. Para ir pôr medo naquele para o qual elas o enviaram. Tal é a história destas Eleye! É assim que elas são!

Como Odù tornou-se mulher de Òrúnmìlà

Ìrété Ogbè

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Como Odù tornou-se mulher de Òrúnmìlà

Que tu pises no mato. Que tu pises no mato. Que pisemos juntos no mato. Ifá é consultado para Odù. Eles dizem Odù veio do além para a terra.. quando ela chegou à terra, elas dizem, tu Odù, esta é tua partida. Olódùmarè lhe dá o pássaro. Ele pega seu pássaro paraq ir à terra. Aragamago é nome que Olódùmarè dá a esse pássaro. Aragamago é nome que tem esse pássaro de Odù. Ele diz, tu Odù, ele diz, toda tarefa para a qual ela o enviaria, ele a cumpria. Ele diz, ao lugar onde agradasse a ela enviá-lo, ele iria. Ele diz, se fosse para fazer o mal, ele diz, se fosse para fazer o bem, ele diz, todas as coisas que ela gostasse de dizer a ele para fazer, ele fariz. Odù leva esse pássaro para a terra. Odù disse que ninguém a poderia olhar. Ela diz que não a olhem, se um inimigo de Odù a olhasse, ela lhe romperia os olhos (ela o cegaria) com o poder desse pássaro ela lhe reomperia os olhos. Se um outro inimigo se quisesse espiar o que contém a cabaça desse pássaro, esse pásso Aragamago lhe romperia os olhos. É assim que ela utiliza esse pássaro. Ela o utiliza até chegar à casa de Òrúnmìlà. Òrúnmìlà vai consultar seus babaláwo. Vai consultar: “Se ensinarmos a inteligência a alguém, sua inteligência será inteligente”. “Se ensinarmos a estupidez a alguém, sua estupidez será estúpida”. Os Bàbàláwò da casa de Òrúnmìlà consultam Ifá para saber o dia em que ele tornará Odù como sua mulher.
Òrúnmìlà é assim, tomará Odù como sua mulher. Os babaláwo de Òrúnmìlà dizem ei! Eles dizem, Odù que tu queres tomar como mulher, eles dizem, um poder está em suas mãos. Eles dizem, (para) esse poder Òrúnmìlà fará uma oferenda ao chão , por causa de toda a sua gente. Eles dizem (para que) com seu poder ela não mate e coma, porque o poder dessa mulher é maior do que o de Òrúnmìlà. Eles dizem a Òrúnmìlà que faça rapidamente essa oferenda sobre o chão. Eles dizem que Òrúnmìlà tenha um rato òkété. Dizem que ele tenha um rato. Dizem que ele tenha um peixe. Dizem que ele tenha um caracol. Dizem que ele tenha azeite-de-dendê. Dizem que ele tenha 8 shilings. Òrúnmìlà faz a oferenda. Quando Òrúnmìlà fez a oferenda, eles consultam Ifá para ele. Òrúnmìlà leva (a oferenda) para fora. Ao chegar Odù, ela encontra a oferenda na rua. Ah! diz Èsù, Òrúnmìlà fez essa oferenda ao chão, porque quer desposar a ti Odù. Odù diz, nada mau. Todos aqueles que Odù leva atrás dela são as coisas más. Ela diz que todos eles comem. Odù também abre no chão a cabaça de Aragamago, seu pássaro, ela diz que ele come. Odù entra na casa. Quando ela entrou na casa, Odù chama Òrúnmìlà. Ela diz, tu Òrúnmìlà. Ela diz, ela chegou. Ela diz, seus poderes são numerosos, ela diz, mas ela não deixará que eles te combatam. Ela diz, que ela não quer briga contigo, Òrúnmìlà. Ela diz, mesmo que alguém pedisse sua ajuda, lhe dissesse que te combatesse, ela diz, ela não te combaterá, pois Odù diz, eles não farão Òrúnmìlà sofrer. Porque se eles quisessem fazer Òrúnmìlà sofre, Odù com seu poder e o poder de seu pássaro combateria essas pessoas. Quando Odù acabou de falar, Òrúnmìlà disse, nada mau. Então eles vão chegar. Quando chegou o momento, Odù diz, tu Òrúnmìlà, ela diz, aprende depressa minha proibição (de Odù).
Ela diz, ela quer dizer-lhe qual é a sua proibição. Ela diz, ela não quer as outras mulheres dele, olhem o rosto dela. Ela diz, que ele diga a todas as suas outras mulheres, ela diz, que não olhem o rosto dela. Aquela que olhasse seu rosto, veria sua batalha. Ela diz, que ela não quer que ninguém olhe seu rosto. Òrúnmìlà diz, nada mau. Então ele chama todas as suas mulheres. Ele as previne. As mulheres de Òrúnmìlà não olharão o rosto dela. Odù diz a Òrúnmìlà que, ela diz, ela vem contigo fazer com que seu fardo se torno benfazejo. Ela diz, que ela irá consertar todas as coisas. Ela diz, tudo aquilo que ele quisesse estragar, ela não consertará. Ela diz, se ele conhece sua proibição, ela diz, tudo aquilo que é seu completamente ficará bom. Então aquele que as quisesse estragar, ela não deixará que nada seja estragado. Se osò quiser estragar, ela diz, ela não (o) deixará (agir), então ele mesmo será estragado. Ela diz, nenhuma Àjé é capaz de estragar uma coisa de Òrúnmìlà. Ela diz, que Òrúnmìlà não brinca com ela.
Ela diz, todas as suas coisas, completamente, ficarão boas. Ela diz que não brigará com Òrúnmìlà. Não brigará com sua gente. Ela diz que Òrúnmìlà sabe as tarefas que ele quer mandar que ela faça. Ela diz, se ele envia uma mensagem para fazer alguém sofrer, se ele quiser enviá-la, ela entregará (a mensagem). O poder de seu pássaro, se alguém quisesse fazer Òrúnmìlà sofrer, ainda que somente beliscá-lo, Odù iria brigar. Òrúnmìlà diz hein! tu Odú. Ele sabe que tu és importante. Ele sabe que tu és superior a todas as mulheres do mundo. Jamais ele brincará contigo. Todos os seus filhos que são Bàbàláwo previne-os para que jamais ousem brincar contigo, porque Odù é o poder dos babaláwo. Ele diz, se o Bàbàláwo possui Ifá, ele diz, ele também tem Odù. Ele diz, o poder que então Odù lhe dá diz que, todas as mulheres que estão junto dele não ousem olhar o rosto dela. A partir desse dia, todos os Bàbàláwo, sem faltar nenhum, não há quem não tenha essa Odù. Aquele que não tivesse essa Odù não poderia consultar Ifá. No dia em que ele tiver Odù, nesse dia ele se tornará alguém, que Odù não abandona ao sofrimento.

sábado, 9 de abril de 2011

Aje Saluga - Divindade da Prosperidade e Riqueza


Aje Saluga ou Anabi como é conhecida pelos próprios muçulmanos, é uma divindade muito cultuada entre o povo Yorubano, pois se trata de um Orisa que quando é tratada costuma trazer riquezas e prosperidade aquele que a trata. Aje é um Orisa feminino, considerada irmã mais nova de Iyemoja, teve seu culto iniciado quando um dos itans de ifá fora revelado, neste itan conta que Ifá se encontrava em uma situação financeira muito ruim, a fome e a necessidade lhe acompanhavam. Havia uma menina muito feia que dizia ter saído a pouco das profundezas do mar, ninguém gostava dela, ninguém pretendia aceitá-la dentro de casa por não aceitar sua feiura, deste modo ela andava vagando pelos caminhos, ruas e estradas à procura de um descanso.

Um dia Ifá abriu sua porta e se deparou com aquela menina feia e ela pediu estadia, sem pensar duas vezes ifá como sempre muito generoso, a aceitou dentro de casa e deu a ela o pouco que tinha para comer e um lugar para descansar. Durante a noite Ifá foi surpreendido por aquela menina dizendo que estava querendo vomitar, Ifá preocupado com aquilo providenciou uma tijela e estendeu a frente da menina mas ela se recusou, então ele a apresentou uma cabaça e obteve recusa, da mesma forma aconteceu quando ele o ofereceu um jarro, o maior que ele possuía em sua casa, mesmo assim ela se recusou a vomitar ali e disse à Ifá que em sua casa ela estava acostumada a vomitar em um quarto.

Ifá levou-a para o único quarto que aquela casa possuía e chegando lá mais uma vez se surpreendeu quando viu aquela menina vomitando inúmeras pedras preciosas, azuis, amarelas, brancas, e de todos os tipos, incansavelmente. Pelo caminho, um homem viu o apuro que Ifá estava passando com aquela menina e perguntou se ele podia entrar para prestar ajuda, quando entrou no quarto onde estavam se encantou com tamanha riqueza que aquela menina deixava pelo chão de Ifá e exclamou: "Há! Nós não conhecíamos os poderes desta menina, por isso a repudiávamos, e hoje estão revelados!" Este homem disposto a servi-la, colocou-lhe o nome de Aje Saluga. Depois disso todos ficaram sabendo dos presentes que Aje havia dado a Ifá e todos queriam recebê-la em suas casas.

Aje Saluga é uma divindade muito rara, por ter seu culto quase extinto. Poucos conhecem seu culto, e os que conhecem, na maioria se recusam a passa-los à frente.