quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Òpara - A filha de Obá

Transcorre um culto nos arredores da cidade, é eleko. Uma sociedade restrita, onde apenas mulheres realizam o culto. Possui como matriarca a temida Obá, a fundadora desta sociedade que cultua a ancestralidade feminina individual.

Nem um homem poderia sequer assistir o ritual do segredo, sendo punido por Obá com sua própria vida.

Certo dia, em uma das noites de culto, Xangô caminhava alegremente e dançava ao som do batá. Quando percebe, ao longe um aglomerado de mulheres realizando uma cerimônia sob as ordens da enérgica Obá.

Xangô era muito curioso e não se conteve, aproximando-se da cena, ficando a espreita.

Xangô encantou-se com a rara beleza de Obá, que apesar de não ser tão jovem, era a mais bela mulher que ele já vira.

Num momento de distração, Xangô foi percebido e cercado pelas mulheres. Foi levado à presença da grande deusa, que lhe falou o preço que haveria de pagar por sua audácia em violar o culto sagrado de Elekó. Mas a própria Obá que encantou-se com a inigualável beleza de Xangõ, apaixonando-se de imediato, relutou em aplicar a sentença de morte e usou de sua supremacia no culto para ditar nova regras, dando nova chance a Xangô:

"Todo homem que violar o culto, se for do agrado da senhora do culto, deverá unir-se a ela como marido ou aceitar a pena de morte"

Xangô não pensou duas vezes, seria poupado da sentença e ainda sim possuiria a grande deusa por quem havia se apaixonado.

A cerimônia de união de Xangô e Obá foi realizada dentro dos limites de Elekó. Foi o inicio de uma grande paixão. Nunca se viu tanto amor.

A deusa guerreira e justiceira, que pune os homens que maltratam as mulheres, descobriu um sentimento novo por um homem, além do ódio. Descobriu todo o amor que um homem pode dar.
A grande rainha de Elekó, a rainha de Xangô aprendeu a amar e ser amada.

Nasce, dessa grande paixão, uma criança. Uma menina. Nasce Opará, a mais bela justiceira e feroz guerreira. Herdou o melhor do pai e da mãe, e prosseguiu com o culto.

Opará, também chamada de Apará, assim como todas as Iyagbás, também é uma divindade das águas. É confundida como uma qualidade de Oxum devido a similaridade dos cultos, mas na realidade se trata de uma divindade a parte.

Opará nasce da união de Xangô com Obá e é uma divindade muito perigosa.

A maternidade que é umas das marcas de Oxum não existe em Opará.
Era Oxum quem se encarregava de cuidar da prole do Deus das Tempestades, enquanto ele guerreava.
No caso de Opará ocorreu o mesmo, ela foi criada por Oxum, já que Obá, assim como Oyá, acompanhava Xangô em suas contendas.

Opará herda o temperamento e a agressividade natural de Obá e a malícia e a vaidade de Oxum, tornando-se assim, a mais quente e agressiva de todas as Iyagbás, superando até mesmo a própria mãe.

Opará é uma divindade feminina equivalente a Exú. É uma Deusa da Guerra, indomável. Uma poderosa amazona que une força e vaidade. Rege os ventos da noite, a umidade do ar e as águas puras que se intercalam entre abundância e escassez absoluta. Seu fundamento maior é quando o Raio (Xangô) toca as Águas (Obá).

Opará é impiedosa, arrogante e de carácter punitivo, mas apesar das desavenças entre Oxum e Obá, é muito próxima de Obá, bem como de Oxum, de quem recebeu o Espelho de Ikú ( uma espécie de espelho encantado que traz a morte para quem o olhar).

Asim como os pais, Opará possui forte ligação com a morte e, assim como Oxum, possui ligação com as Eleyés.


Yanle (banquete) de Òpara ou Iya Akparo:


Obuko Oda (cabrito novo castrado), 3 Aparo (codornas), Etu (D'angola), Adiyé (franga nova), Eja (peixe), Eiyele (pombo caseiro), Pepeye-nla (gansos), Okinre (faisão), Tulutulu (peru), Akara, Oyin, Eko, Ewe-tuntun (Alface), Obi abata, Shekete (cerveja), Epo em quantidade.

Tabu: Óleo de Adin, Ila (baba do quiabo), Água parada ou represada, Coroa com Iboju (franja) que tapam os olhos.

Iya Òpara sempre dá uma parte do sacrifico para Eshù e Yemonja, isso quando houver
sacrifício.

Fonte:Oyadeji