sábado, 9 de abril de 2011

Aje Saluga - Divindade da Prosperidade e Riqueza


Aje Saluga ou Anabi como é conhecida pelos próprios muçulmanos, é uma divindade muito cultuada entre o povo Yorubano, pois se trata de um Orisa que quando é tratada costuma trazer riquezas e prosperidade aquele que a trata. Aje é um Orisa feminino, considerada irmã mais nova de Iyemoja, teve seu culto iniciado quando um dos itans de ifá fora revelado, neste itan conta que Ifá se encontrava em uma situação financeira muito ruim, a fome e a necessidade lhe acompanhavam. Havia uma menina muito feia que dizia ter saído a pouco das profundezas do mar, ninguém gostava dela, ninguém pretendia aceitá-la dentro de casa por não aceitar sua feiura, deste modo ela andava vagando pelos caminhos, ruas e estradas à procura de um descanso.

Um dia Ifá abriu sua porta e se deparou com aquela menina feia e ela pediu estadia, sem pensar duas vezes ifá como sempre muito generoso, a aceitou dentro de casa e deu a ela o pouco que tinha para comer e um lugar para descansar. Durante a noite Ifá foi surpreendido por aquela menina dizendo que estava querendo vomitar, Ifá preocupado com aquilo providenciou uma tijela e estendeu a frente da menina mas ela se recusou, então ele a apresentou uma cabaça e obteve recusa, da mesma forma aconteceu quando ele o ofereceu um jarro, o maior que ele possuía em sua casa, mesmo assim ela se recusou a vomitar ali e disse à Ifá que em sua casa ela estava acostumada a vomitar em um quarto.

Ifá levou-a para o único quarto que aquela casa possuía e chegando lá mais uma vez se surpreendeu quando viu aquela menina vomitando inúmeras pedras preciosas, azuis, amarelas, brancas, e de todos os tipos, incansavelmente. Pelo caminho, um homem viu o apuro que Ifá estava passando com aquela menina e perguntou se ele podia entrar para prestar ajuda, quando entrou no quarto onde estavam se encantou com tamanha riqueza que aquela menina deixava pelo chão de Ifá e exclamou: "Há! Nós não conhecíamos os poderes desta menina, por isso a repudiávamos, e hoje estão revelados!" Este homem disposto a servi-la, colocou-lhe o nome de Aje Saluga. Depois disso todos ficaram sabendo dos presentes que Aje havia dado a Ifá e todos queriam recebê-la em suas casas.

Aje Saluga é uma divindade muito rara, por ter seu culto quase extinto. Poucos conhecem seu culto, e os que conhecem, na maioria se recusam a passa-los à frente.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

OS TRÊS GUERREIROS BRANCOS



Há muitos e muitos anos, existiam três irmãos: Já, Jagun e Ajagunan. Esses três irmãos eram bravos guerreiros e não havia batalhas que eles invariavelmente não fossem vencedores, sempre guerreando juntos.Quando entravam as cidades, eram saudados e reverenciados por todo o povo, inclusive pelos próprios reis e rainhas do lugar. Eram conhecidos como os três guerreiros brancos: "Jagunjagun Funfun", por sempre se vestirem de roupas brancas em honra ao Orixá Oxalá.

Em um tempo, houve uma guerra muito grande, entre os reinos de Oxun e um reino vizinho e os três guerreiros foram chamados para defender o último. Oxun, grande feiticeira e estrategista que era, recorreu a Ifá, para que o mesmo lhe dissesse o que era preciso para que ela saisse vencedora na guerra. Ifá então lhe confirmou que somente havendo a separação dos três guerreiros brancos, Oxun teria alguma chance de vencer e que para isso seria necessário agradar as "Iyami", que um dia também já haviam sido derrotadas pelos três e que almejavam vingança.

Oxun assim fez, preparou o feitiço e lançou sobre os três guerreiros, deixando-os sem memória. Os irmãos chegaram ao ponto de não se reconhecerem e, por terem a natureza de guerreiros, se lançaram uns contra os outros, reconhecendo nos irmãos, inimigos a serem vencidos. E, enquanto isso, o exército de Oxun pode passar livremente e vencer a batalha. Após a batalha, Oxun, retirou o feitiço e qual não foi o espantos dos três irmãos, ao verem diante de si a cidade que eles deveriam ter defendido, derrotada.

Com o orgulho ferido por terem sido derrotadas por causa de magia, decidiram que cada um devia seguir seu caminho: O guerreiro Já, foi para o reino de Ogun, Jagun, foi para o reino de Omolu e Ajagunan partiu para o reino de Oxalá."

Cultura iorubá: da África para o Novo Mundo




por:Kola Abimbola

O que levou ao colapso o velho império Oyo? Uma versão popular da história oral é que o império caiu porque o alafim Awole (1789-c.1796), fraquíssimo imperador que sucedeu ao alafim Abiodun (c.1774-1789), rogou uma praga no povo iorubá!

Awole fora removido do cargo e, como previsto pela constituição do império, teve que cometer suicídio. Segundo a lenda, seus chefes o depuseram do cargo porque queriam que o império começasse a participar do lucrativo comércio de escravos. A constituição do império demandava a unanimidade entre o imperador e o Oyo Mèsì (seu importante Conselho de Chefes). Oyo Mèsì tinha oito membros e não sete como erroneamente foi informado por muitos escritores, estes são: Basorun, Agbakin, Samu, Alápìíni, Lágùnà, Akinnikú, Asípa e Onàa-Modéékè.

Qualquer imperador que não pudesse conseguir a unanimidade entre ele e Oyo Mèsì era deposto e tinha que cometer suicídio. Essa previsão fora inserida na constituição como uma medida "democrática" para proteção contra a autocracia real. Ainda segundo a lenda, antes de cometer suicídio, Awole proferiu a maldição: "o povo será escravizado por toda a Terra". Após proferir a maldição, ele disparou uma flecha para o Norte, Leste e Oeste e esmagou no chão um pote contendo poderes ocultos. "Assim como ninguém remenda o pote esmagado, ninguém será capaz de reverter minha maldição sobre o povo iorubá". Isto é o que se conhece por Ègún Awóle, a irreversível maldição de Awóle.

Há, naturalmente, uma melhor explicação para o porque do colapso do império. Essa explicação diz respeito a vários problemas constitucionais inerentes ao império.

A constituição continha certas medidas que tornavam difícil, senão impossível, para um dirigente fraco sobreviver muito tempo como imperador. Para começar, embora os títulos de alafim e da Oyo Mèsì fossem hereditários, a constituição continha tendências democráticas que estavam em conflito com esses cargos hereditários. Por exemplo, suponha-se que os membros da Oyo Mèsì fossem a "boca" do povo porque suas opiniões eram moderadas e formadas por vários grupos sociais e organizações dentro da sociedade. Uma dessas organizações era a poderosa sociedade Ogbóni. Os Ogbónis eram mais ou menos cortes de apelação em cada cidade-estado do império. Embora a cidade de Oyo fosse a capital, ela também funcionava como qualquer outra dentro da confederação que era o império. A cidade de Velho Oyo tinha seu próprio Ogbóni que limitava os poderes do Oyo Mèsì.

Depois, as decisões do Oyo Mèsì e do alafim tinham que ser tomadas unanimemente, muito embora o alafim não fosse, estritamente falando, um membro do conselho executivo. Isso acontecia porque o Oyo Mèsi deliberava independentemente do imperador, somente depois que chegavam às suas conclusões eles as apresentariam ao imperador. Se houvesse uma disputa irreconciliável entre o alafim e o Oyo Mésí, o alafim seria deposto do cargo porque o Oyo Mèsì era visto como a voz do povo.

Ademais, no dia-a-dia os assuntos do império eram conduzidos por eunucos que a literatura inapropriadamente se refere como "escravos". Estes eunucos, chamados Ìlàrí, eram dirigidos por três eunucos muito poderosos: Ona Efá (eunuco do meio), Otun Efá (eunuco da direita) e Òsì Efá (eunuco da esquerda). Em todas as questões essenciais, estes eunucos eram mais poderosos que a Oyo Mèsì porque eram responsáveis pelas questões administrativas do império. Eles também eram coletores de impostos e enviados que viajavam por todo o império (ver Law, 1971-1977, para mais detalhes dos problemas constitucionais do velho império Oyo).

Outra lacuna do poder é que não havia separação real entre religião e Estado. O imperador e o Oyo Mèsì eram os mais altos líderes das divindades mais importantes da religião iorubá. O alafim era reverenciado como representante de Xangô, o deus iorubá do trovão, do raio e da justiça. Cada um dos oito membros do Oyo Mèsì eram também líderes de uma importante divindade iorubá. Por exemplo, o Basorun, que era o líder do Oyo Mèsì, era também o sumo sacerdote de Orun. Orun era a divindade pessoal de todos os imperadores Oyo. Porém, perto do fim do império, alguns chefes de alta patente aceitaram versões radicais e fanáticas do islã.

Portanto, havia um conflito em sua lealdade para com a estrutura político-religiosa do império. Por um lado, eram cobrados pelo islã a renunciar e forçosamente a derrubar a religião iorubá e todas as suas instâncias. Porém, por outro lado, em razão de seus cargos tinham o dever de manter as medidas constitucionais e religiosas que se fundavam em uma religião que eles não mais aceitavam!

Um dos mais importantes inimigos do alafim Awole e que orquestrou sua deposição era Àfonjá, o Bale (governante) da cidade de Ìlorin. Àfonjá era também Are-Ona-Kaka-n-fo, quer dizer líder do exército provincial do império.

Porque Àfonjá descendia, por parte de mãe, de uma das famílias reais de Oyo, ele nutrira a ambição de tornar-se alafim no lugar do fraco Awole. Infelizmente para Àfonjá, apesar de ter apoio do Oyo Mèsì em seu golpe de Estado contra o alafim Awole e de ser a seleção de novos imperadores uma de suas principais responsabilidades, a Oyo Mèsì não selecionou Àfonjá como imperador após o suicídio de Awole. Ao contrário, selecionou Adébo, um dos príncipes de Awole.

Contudo, a escolha de Adébo era inconstitucional! A constituição não permitia príncipes que fossem sucessores diretos de seus pais no trono. De fato, nos tempos antigos, o príncipe mais velho teria que cometer suicídio toda vez que o imperador reinante morria. A razão era muito simples. Todo alafim era visto como um semideus - especificamente o representante de Xangô (deus do raio, do trovão e da justiça). Como semideus, o alafim era reverenciado e ele raramente aparecia em público. Nestas raras ocasiões, sua face era sempre envolta por um véu de pelotas de sua coroa pesadamente adornada.

Por ser o alafim um semideus que não estava em contato com seus cidadãos, o filho mais velho, todo alafim reinante tinha o importante título de Aremo. O Aremo, para todos fins e propósitos, tinha mais influência na sociedade em que seu pai era o imperador porque ele era a face pública do governante, da autoridade e do poder. Ele também era os "olhos" e "ouvidos" de seu pai, o alafim, na sociedade. Em muitos casos, o Aremo era mais temido que o próprio alafim. Era por esta razão que, nos tempos antigos, todo Aremo deveria cometer suicídio quando seu pai morresse. O novo imperador seria selecionado então de uma das casas governantes de Oyo.

Àfonjá não aceitara docilmente a eleição de Adébo. Como ele era o Are-Ona-Kaka-n-fo, comandava um exército que era maior que o permanente da capital. Junto com alguns de seus aliados, Àfonjá repudiou sua lealdade à autoridade do alafim como líder do velho império Oyo. O império finalmente foi tomado por guerras civis. Entre a deposição do alafim Awole (por volta de 1796) e o colapso final do império, em torno de 1840, não houve nada menos que doze guerras civis de grandes proporções no império.

O significado desse meio século de guerras para a dispersão do povo iorubá não deve ser perdido de vista. Antes de 1789, quando Awole sobe ao trono de velho Oyo, os povos iorubás não foram escravizados em números significativos porque a "confederação" de cidades-estado e reinos que formavam o império tinham um dos exércitos mais fortes da África Ocidental. Porém, entre mais ou menos 1800 e 1870, os iorubás tornaram-se o maior número de escravos a serem "exportados" das costas da África. Pois, além do fato de muitos senhores da guerra iorubá venderem seus cativos (que também eram iorubás) como escravos, os Nupe e os Bariba (que eram vizinhos dos iorubás a Norte e a Nordeste) também capturaram e venderam um incontável número de iorubás como escravos. Jihadistas também pilharam cidades iorubás em busca de escravos.

Esses terríveis anos de incessante guerra civil são, de fato, duplamente significativos. Embora a exportação de escravos africanos para as Américas terminasse por volta de 1870-1875, um incontável número de iorubás foi vendido como escravo entre essas datas. Primeiro, muitos foram capturados como escravos durante os 50 anos das guerras civis iorubás (±1790-1840). Além disso, a queda final império fez da terra dos iorubás território livre para caçadores de escravos que vinham da Europa e dos Estados africanos vizinhos. E, na verdade, houve senhores da guerra iorubá e sùmomí (sequestradores profissionais) que pilharam as cidades e aldeias atrás de cativos que eram vendidos aos europeus como escravos. De fato, a captura de iorubás como escravos continuou até bem depois da abolição oficial do comércio transatlântico de escravos.

De maneira simples, os iorubás foram exportados em grandes números para fora da África Ocidental um pouco antes, durante e um pouco depois dos últimos dias do comércio de escravos - para a controvérsia em torno das estimativas sobre o número de africanos exportados como escravos ver Inikori (1976a e 1976b) e Curtin (1969 e 1976).

Trecho do livro Yoruba Culture: A Philosophical Account, escrito por Kola Abimbola (Iroko Academic Publishers Ltd). Tradução de Leonardo Soares Quirino da Silva.

Publicado em 2 de agosto de 2005

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sobre os nomes das pessoas, objetos, cidades e seres.




Grande importância é atribuída aos nomes de pessoas, objetos, cidades e seres. Nada existe até ser nomeado e os nomes não são apenas termos abstratos, escolhidos ao acaso e sim palavras carregadas de significado. Constituem-se a partir da contração de uma ou mais sentenças. O nome Olukemi, por exemplo, constitui contração de Oluwa ke mi - Oluwa = Deus/ ke = cuida/ mi = de mim: Deus cuida de mim. Olawale é contração de Ola wa ile: Ola = honra/ wa = chega/ ile = casa: A honra chega à nossa casa. Enuncia que algo honorável ou espetacular ocorreu imediatamente antes ou por ocasião do nascimento dessa criança. Babatunde, contração de baba = pai/ tun = novamente, repetido, contínuo/ de = vir, significa: O pai voltou.
Alguns nomes, determinados pelas circunstâncias de nascimento, são considerados nome com o qual a criança nasce. Por exemplo, Kehinde, literalmente, o último a chegar é, entre os gêmeos, o espírito mais velho, que vem ao mundo em segundo lugar, enquanto Taiwo, literalmente, vai experimentar a vida, é o espírito mais novo, que chega ao mundo em primeiro lugar. Idowu é a criança nascida logo após um parto de gêmeos e Ige, o nascido com apresentação dos pés.
Outros nomes, determinados por circunstâncias domésticas prevalecentes na ocasião do nascimento, são considerados nome que a criança recebe ao nascer. Biodun, por exemplo, é pessoa nascida em data festiva - natal, festival de Orixás, último dia do ano, etc.
Não raramente, crianças recebem nomes em homenagem a orixás. Salami (1990) reuniu alguns exemplos dos quais selecionamos alguns para apresentar neste contexto. Por exemplo, em homenagem a Exu temos Esubiyi - Exu deu nascimento a este; Esugbayila - Exu salvou esta criança; Esurounbi - Exu escolheu alguém para dar-lhe nascimento; Esutoosin - Exu é suficientemente grande para ser cultuado.
Em homenagem a Xangô: Sangokunle - Xangô enche a casa (com sua graça); Sereyemí - O sere combina comigo (aponta para a importância do uso do sere na evocação de Xangô); Sangotosin - Xangô é suficientemente grande para ser venerado; Sangotola - Xangô é suficientemente grande para trazer riqueza e alegria; Sangosanya - Xangô me deu apoio; Sangogbami - Xangô me socorreu.
Em homenagem a Oya: Oyabola - Oya vem com prosperidade e saúde; Oyajide - Oya respondeu com rapidez; Oyadola - Oya me fez nascer próspero e nobre; Oyarohunbi - Oya dá vida aos seres; Oyayale - Oya veio para casa; Oyabunmi - Oya me presenteou; Omilola - A água traz prosperidade; Oyatunbi - Oya me reviveu (nome dado à criança abiku, cuja mãe se compromete a cultuar Oya, para que esse orixá garanta a sobrevivência da criança); Oyajide - Oya respondeu com rapidez (dado à criança cuja mãe conseguiu engravidar graças à ajuda de Oya); Oyadola - Oya me fez nascer mais próspero e nobre (nome atribuído à criança cujo nascimento trouxe grande prosperidade à família).
Homenageiam Oxum: Osundare - Oxum me favoreceu; Osundola - Oxum tornou-me próspero; Osunfunke - Oxum me deu esta (criança) para cuidar; Osuntunjí - Oxum me fez reviver; Osunkunle - Oxum encheu a casa de coisas boas; Osuntunbí - Oxum me fez renascer; Omidire - A água que se tornou boa; Omiseun - A água foi generosa comigo; Orisatunji - O orixá me reviveu; Orisadola - O orixá me fez próspero e nobre; Orisagbemi - O orixá me apoiou; Orisatosin - O orixá é suficientemente grande para ser venerado.
O nome pode expressar máximas morais, como Olusuwalu, por exemplo, que significa Deus associou comportamentos e que consiste na exaltação da coexistência pacífica.
Além do próprio nome, as pessoas possuem um oriki que permite sua identificação. Oriki, palavra composta por ori + ki, significa saudar ou louvar (ki) o ori ou a origem do nomeado. Por relatar feitos e características do indivíduo, da família, da cidade ou do orixá a quem se refere, exerce função documental. Mas a função dos oriki não se detém aí, dado que muitos deles constituem nomes primordiais secretos, místicos ou de fundamento de espíritos, divindades, animais, plantas, seres humanos, moléstias etc.
Alguns oriki relatam ocorrências do nascimento individual: gêmeos, criança nascida logo após um parto de gêmeos, nascida com o cordão umbilical à volta do pescoço ou apresentação dos pés, cada caso tem seu oriki particular. Há oriki dedicados a animais. Vejamos alguns dos exemplos apresentados por Salami (1990): o oriki do javali diz:
Ahuledelepa
Animal que cava o chão
Koko b'oju je
animal com olhos remelentos
Um dos oriki da cidade de Abeokuta informa sobre a geografia da região - cidade cercada de pedras; outro traz informações sobre a história - serviu de esconderijo em períodos de invasão, outro, sobre aspectos de ordem espiritual - está sob a proteção de Olumo:
Abeokuta ilu Egba
Abeokuta, a cidade dos Egba
Ilu fi gbogbo ile s'okuta
A cidade é cercada de pedras
Okuta o won n'ile wa
A pedra é abundante em nossa terra
Awa l'omo Olumo
Nós somos filhos de Olumo

Abe Olumo
Embaixo da pedra Olumo
Ibi a fi ori mo si
onde nos escondemos (nas épocas de invasão)
Xangô é denominado Oba Koso - O rei que não se enforcou; Ogiri ekun - Leopardo feroz; Alado - Aquele que racha o pilão; Oluaso - Dragão Faiscante; A san giri - Aquele que racha paredes; Alagiri - Aquele que abre paredes; Alafín Oyo - Rei de Oyo. Oya é denominada Oya oriri - O vendaval; Ti n dagi lokeloke - A que corta a copa das árvores; Oya arina bora bi aso - Oya vestida de fogo. Oxum é chamada Osun Yeye-nimo - Graciosa mãe Oxum, plena em sabedoria; O wa-yanri-wa-yanrin kowo si - A que cava e cava a areia para esconder dinheiro; Obá é O tori owu, O kola si gbogbo ara - A que por ciúme se cobriu de incisões ornamentais.
Quando se pronuncia o oriki de um orixá, busca-se acesso mais fácil ao auxílio que pode advir de sua força. Alguns oriki, muito repetidos, constituem chaves para o entendimento do ser nomeado e para o apelo à manifestação de sua força e poder.

Fonte:Ronilda Iyakemi Ribeiro