sábado, 19 de novembro de 2011

SER NEGRO É SER

Ser negro é ser dono da alegria, e generosamente dividi-la entre os filhos do preconceito. Ser negro é ser brasileiro duas vezes. É gritar não aos nãos da vida. Ser negro é ter a liberdade disfarçada de alma. Ser negro é ser. (Sintia Lira)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mistérios e Segredos - Razão e Irracionalidade

*Por Márcio de Jagun O Candomblé, como todas as demais Religiões, possui seus mistérios e segredos, apenas conhecidos pelas suas autoridades. As Revelações de Fátima e os Rituais Secretos da Maçonaria, são bons exemplos de que segredos ritualísticos e mistérios religiosos não são exclusividade afro-brasileira. Provavelmente mais do que as outras Religiões, o Candomblé é revestido por muitos segredos. Uns, verdadeiramente importantes, por condensarem perigosos ebós e preceitos que podem tornar-se armas aos incautos e aos despreparados; e outros totalmente descabidos, frutos da ignorância humana. Também os iniciados no Candomblé, a exemplo de outras religiões, fazem seu juramento de manter os segredos de awo (culto) - o kàro. O kàro consiste na promessa que os iniciados fazem diante do obì de não revelarem certos segredos. Tal palavra é oriunda do yorubá kà - contar, orò - obrigação. Sendo certo que tal jura deve limitar-se aos fundamentos que se passam na camarinha, ou em situações outras onde apenas devam estar presentes as autoridades e os próprios iniciados, não devendo ser a jura entendida de forma a extrapolar os limites físicos e religiosos de tais situações. Obviamente, discernir estes limites e estabelecer as mencionadas situações, deve ser tarefa do bom-senso dos zeladores de Santo. Por terem sido discriminados e até perseguidos e presos (sobretudo na década de 40 do século XX), os candomblecistas encontraram nos mistérios do culto e nos segredos, grandes aliados à integridade deles e da própria mantença da religião. O local da realização dos cultos (em certas épocas até itinerante devido a proibição religiosa), era secreto. Os participantes, também não se revelavam na vida profana. Até mesmo os horários, não raro, eram confundidos, já que o uso dos atabaques às vezes era suspenso dado ao impedimento de realização dos xirês em determinadas localidades predominantemente residenciais. A liturgia também foi sofrendo adequações pinceladas pelo necessário mistério. Como revelar o sacrifício de animais, por exemplo, em suma sociedade que considerava o Candomblé culto demoníaco? Por óbvio, os candomblecistas já não se identificariam mais por seus orukós (nome de seus Orixás dado quando da iniciação). Já não se tratariam por Omímolé, Obafodokuta, Iyewádelonan, etc. Pois tal chamamento os delataria e os exporia aos perigos da perseguição. A partir de então, o mistério e o segredo passaram a ocultar os orukós, até que foram, a pouco e pouco, atravessando os tempos, tornando-se proibidos, secretos, mesmo tendo se perdido a motivação (esta também ocultada). Vemos aí um segredo de fato motivado e racional, perpetuado ao longo dos anos, tornando-se um mistério hoje já descabido e desprovido de qualquer fundamento religioso. Tanto assim o é, que muitas Casas nunca ocultaram o orukó, evocando grandes nomes como Odé Kayode (Mãe Estela, do Òpó Àfónjá de Salvador), Oba Biyí (Mãe Cantu, do Òpó Àfónjá do Rio de Janeiro), Fatumbi (Pierre Verger), e tantos outros. Há também Axés que vivem momentos de reafricanização, que estão voltando a chamar seus filhos pelos respectivos orunkós. Este exemplo nos demonstra de maneira cabal, que os mistérios e os segredos se confundem com o culto, bem assim também são confusas as razões, as motivações que os mantém. Outros "segredos" (estes até com aspas pelo tom irônico), não foram frutos de nenhuma razão, motivação ou fundamento religioso. Foram simples álibis para a ignorância, para a maldade, e/ou para a necessidade que alguns têm de manter o poder inerente ao conhecimento. Todos estes motivos, outros também, às vezes todos juntos, são ocultados nas "respostas" às interrogações dos filhos de santo e dos consulentes... Ao invés de esclarecer-se a razão deste ou daquele preceito, ao invés de se ensinar, ao invés de se orientar, preferem dizer: "É muito cedo..."; ou "Isto não pode ser revelado"; ou "Sempre foi assim..." Estes segredos irracionais, vale dizer, muitos deles categorizados como segredos nem se sabe bem porque, acabam por servir aos mal-intencionados, que dizem não poder revelar esclarecimentos aos "clientes", para deles poder esconder custos, maldades, manter-lhes dependentes, etc. Tais "segredos", quando confrontados pelos que foram lesados, enganados e usurpados de seu dinheiro e de sua fé, apenas contribuem para denegrir nossa Religião, prestando-se à função de cortina de fumaça para o engodo. Repensar o conceito e a razão dos segredos, é tarefa necessária aos sacerdotes. Muitos deles, e de boa estirpe, levaram para o túmulo fundamentos jamais revelados, nem aos merecedores da responsabilidade. Órfãos da verdade, perde o culto, perde a Religião, perde a Cultura, perdemos nós... Lembro-me de um conto que nos leva a meditar sobre o assunto: Em certo dia de Páscoa, onde tradicionalmente as famílias se reúnem em torno da mesa para almoçarem peixe, surgiu uma dúvida quanto ao preparo da iguaria. A menina, enfronhada na cozinha, assistia as matronas prepararem o almoço que a família repetia todos os anos, há muito tempo. Elas estavam prá lá e prá cá, separando os condimentos, partindo legumes, escolhendo as panelas, munidas daquela pretensão das boas cozinheiras, que as fazia agir com a rapidez e a decisão de quem sabe, de quem domina os afazeres. Em determinado momento, a menina pergunta: - Mãe, por que a senhora está partindo o peixe em sete pedaços? E a mãe, sem muita paciência, dando de ombros: - Ora, porque minha mãe, sua avó, me ensinou assim! A garota, não satisfeita, foi direto à avó, que também estava na cozinha: - Vó, por que tem que se partir o peixe em sete pedaços? A avó, mais paciente, encheu o peito para esclarecer com ar professoral: - Porque sempre fizemos assim... - Mas, por que sempre fizeram assim? - Porque fica melhor... - E por que fica melhor o peixe partido em sete pedaços do que inteiro? - A, porque pega melhor tempero - Disse a avó já se irritando com a insistência da neta. - Mas vó, se ele partido pega mais tempero, por que não parte então em mais pedaços? A avó, já empurrando a menina para longe da pia, respondeu sem paciência: - Olha minha filha, eu faço este peixe todos os anos, desde que eu tinha sua idade, não venha você querer me ensinar! - Mas, vó, eu só quero saber!... - A, garota, foi minha mãe, sua bisavó quem me ensinou esta receita. Dá certo há mais de 40 anos! Quando você crescer, eu te ensino! Agora sai já daqui que eu vou mexer em panela quente, vai! Desconsolada, a menina não se deu por satisfeita. Foi na varanda, procurar sua bisavó. A velhinha estava cochilando na cadeira de balanço, quando a menina começou a sacudi-la: - Bisa, Bisa! Me diz por que o peixe da sua receita que é feito na Páscoa, tem que ser partido em sete pedaços? A bisavó, esfregando os olhos, ainda se dando conta do que se passava, deu um sorriso aprovando a curiosidade da bisneta e respondeu no ato: - Nunca ninguém tinha me perguntado isto! Foi porque quando inventei esta receita, eu não tinha nenhuma vasilha que coubesse o peixe inteiro... Só cabia em pedaços... Eis aí a tradição mal explicada, virando mistério... Na liturgia culinária, há razão para os nove acarajés de Oyá: afinal, é ela a mãe dos nove espaços siderais. Existe também motivo nas seis espigas servidas cruas para Odé, posto ser ele o senhor do Odu Obará, cujo número é seis. Também os doze quiabos enfeitando o amalá de Xangô, retratam os doze obás de Oyó... Não quero dizer com isto, que no culto tudo deva ser revelado, assim de pronto... Mas reitero que devemos repensar, pesquisar, procurar os motivos, os fundamentos daquilo que fazemos. O fato de nossa Religião Ter na tradição oral, durante muitos anos, o único veículo de registro e transmissão, originou certamente muitas distorções. A dificuldade linguística dos escravos em traduzirem seu próprio idioma, fez com que muitas cantigas, orikis e itãs sejam dicotômicos uns com os outros e às vezes ininteligíveis. Felizmente vivemos um momento especial, em que grandes figuras do Candomblé estão escrevendo e editando excelentes obras, as quais funcionam não só como registros de sua sabedoria, mas como arquivos que se prestarão a garantir que o Candomblé não se perca. Magníficos pesquisadores têm se debruçado à tarefa de encontrar o fio da meada, tentando resgatar a origem, corrigir a pronúncia, acertar a gramática e adequar a tradução de cantos, rezas e mitos do Candomblé. Tudo deve Ter sentido e todo sentido deve ser explicado, se não a todos, pelo menos aos graduados... O que não tem sentido, deve ser pesquisado, perguntado aos mais velhos... E se não tiver uma razão, temos que repensar, ou ao menos não usarmos os segredos e mistérios com intimidação para ocultar nossa ignorância diante dos preceitos. A fé deve ser preservada e para bem, preservá-la, é fundamental explicá-la, racionalizá-la até o limite em que ela própria, a fé, se transformar em um mistério. (*) Márcio de Jagun (seu nome de batismo é Márcio Righetti), nasceu no Rio de Janeiro, RJ. É advogado militante desde 1994 e professor de Direito Portuário nos Cursos de Pós-Graduação da Universidade Gama Filho e na UFRJ (COPPE-EAD).

EBORÍ- RITUAL LITÚRGICO OFERTADO AO NOSSO ÓRÌSÀ ORÍ

ÒRÚMÌLÀ disse que na porta de um quarto deveria haver um “ diafragma” na entrada IFÁ, a questão é “ Quem entre as divindades pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar?” ÒÒSÀÀLÀ disse que Ele poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. IFÁ perguntou “ O que Você fará se depois de caminhar uma longa distancia, andando e andando, e Você voltar à IFON e eles matarem uma galinha choca com seus ovos, e eles lhe oferecerem duzentos ÌGBÍN, temperados com vegetais e melão?” ÒÒSÀÀLÀ disse “ Depois de comer até estar satisfeito, Eu retornarei para minha casa”. ÒÒSÀÀLÀ disse que Ele não poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. ÒRÚMÌLÀ disse que na porta de um quarto deveria haver um “ diafragma” na entrada IFÁ, a questão é “ Quem entre as divindades pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar?” ELÉGBARA- ÈSÙ disse que Ele poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. IFÁ perguntou “ O que Você fará se depois de uma longa caminhada, andando andando, e Você retornar para KÉTU, a casa de seus pais, e eles ofertarem um galo, e uma grande quantidade de EPO PUPA ?” ELÉGBARA disse “Depois que Eu comer até estar satisfeito, Eu retornarei para a minha casa”. ELÉGBARA disse que Ele não poderia acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. E assim IFÁ pergunta a todos os ÒRÌSÀ, inclusive a ÒRÚMÌLÀ e a resposta foi a mesma que Eles não poderiam acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar. Então IFÁ pergunta “ A questão é quem entre todas as Divindades pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar?” ÒRÚMÌLÀ disse “ Desde que a humanidade morre, o ORÍ é separada antes do enterro”. IFÁ disse “É ORÍ, só ORÍ é quem pode acompanhar o seu devoto em uma longa viagem sobre os mares sem retornar”. “ Se eu tenho dinheiro” “ É para ORÍ que eu louvarei” “Meu ORÍ é Você” “ Se eu tenho crianças na terra” “ É para ORÍ que eu louvarei” “ Meu ORÍ é você” “ Todas as coisas boas que eu tenho na terra” “ É para ORÍ que eu louvarei” “ Meu ORÍ é você” “ Você que não esquece o seu devoto” “ Que abençoa o seu devoto mais rápido que os outros ÒRÌSÀ” “ Nenhum ÒRÌSÀ abençoa um homem” “ Sem o consentimento de seu ORÍ” “ ORÍ eu te saúdo” “ Você que permite que as crianças sobrevivam” “ Uma pessoa cujo sacrifício é aceito pelo seu ÒRÍ” “ Deve rejubilar-se extraordinariamente” Este ITÒN do Corpo literário de IFÁ é apresentado por W. ABIMBOLA, em seu livro : IFÁ, an Exposition of Literary Corpus. Ele nos fala sobre o nosso ÒRÌSÀ ORÍ, o nosso ÒRÌSÀ interior, em toda a sua essência, força e grandeza. ÒRÌSÀ ORÍ o primeiro a ser louvado, é a representação particular de existência individualizada, é aquele que acompanha o homem do nascimento até a morte, norteando a sua caminhada, e assistindo ao homem no cumprimento do seu IPIN. Se o nosso ÒRÌSÀ ORÍ deixar de existir, a ligação entre o plano Divino e o nosso corpo humano também deixará de existir, isto explica o porquê do nosso ÒRÌSÀ ORÍ nos acompanhar até a nossa morte. O nosso Orí é o primeiro ÒRÌSÀ a ser louvado ao nascer o dia. O nosso ÒRÌSÀ ORÍ conhece as nossas necessidades em nossa caminhada pela vida, nossos acertos e desacertos, ELE tem os recursos adequados e todos os indicadores que nos permitem a reorganização para que possamos equilibrar a nossa vida com a essência energética positiva dos nossos ÒRÌSÀ ÈLÉÈDÁ. Ele tem como essência principal o equilíbrio do ser humano, concretizando assim a harmonia criada por OLÚDÙMARÈ, em sua força detentora e distribuidora de ÀSE. Esta é a razão pela qual o ato ritualístico do EBORÍ, é a forma de Louvação, Reintegração e Fortalecimento que utilizamos para o nosso ÒRÌSÀ ORÍ, quando Ele esta em desarmonia. É considerado o primeiro ÒRÌSÀ da existência (a essência real do ser). Deve ser assentado e louvado antes de qualquer outro ÒRÌSÀ, depois de ÈSÙ no ritual do EBORÍ para uma INICIAÇÃO, pois só o nosso ÒRÌSÀ ORÍ permite a compreensão para a nossa Incorporação com o nosso ÒRÌSÀ ÈLÉÈDÁ. EBO- OFERENDA ORÍ- CABEÇA Este ritual deve sempre ser precedido de um “ Jogo de Búzios” para que este oriente o Sacerdote ( a) e defina a real necessidade deste ORÍ. O ato do EBORÍ é utilizado nas seguintes situações: - Como um processo de religação do ORÍ com o seu IPIN. Como ritual do processo Iniciático. - Como resposta á condições de stress ou fragilização das estruturas psicológicas da pessoa resultantes de situações particulares da vida. - Como ritual complementar a um EBO. - Como extrema necessidade resultante de forças energéticas negativas adquiridas. - Como anual agrado a ÁJÁLÀ MÒPÍN OBS- O Culto a ÁJÁLÀ foi trazido pelos nossos Ancestrais, a mais de 460 anos, época dos escravos. Muito importante lembrar sempre que o uso e a combinação a serem utilizados, os Sacerdotes (a) devem levar conta qual é a situação real deste ÒRÌSÀ ORÍ, ou seja, se Ele esta GUN ( nervoso demais) ou ÈRÒ ( calmo demais),para que se possa manipular os elementos corretos. Manipulamos também para este ato ritualístico do EBORÍ o ÈJÈ PUPA e o ÈJÈ FUNFUN. O EBORÍ com o ÈJÈ PUPA é usado quando estamos com muitos problemas na vida como perda de empregos, miséria, brigas, perigos, descontrole emocional, depressão ou doenças. O EBORÍ com o ÈJÈ PUPA dá força física, restabelece a energia vital e fortalece a ÈSÙ. O EBORÍ com o ÈJÈ FUNFUN é usado quando existem muitos perigos na vida, brigas, perigo de prisão, morte ou desequilíbrio total. O EBORÍ com o ÈJÈ FUNFUN, acalma e restabelece a essência vital. Temos em geral neste ato do EBORÍ um ritual básico a ser seguido, e este ato pertence às Nações KÉTU- NÀGÓ, ÈFÓN e IJÈSÀ, sendo por isto necessário que louvemos ÁJÁLÀ neste ato. ÁJÁLÀ MÒPÍN como já descrevi, é louvado dentro da cerimônia do EBORÍ, sendo um ÒRÌSÀ que pertence aos Cultos de origem YORÙBÁ. Cabe alertar que este ato Ritualístico do EBORÍ que temos dentro do Culto aos ÒRÌSÀ pertence “SOMENTE” aos seguimentos de Matriz Africana. Alguns Africanos YORÙBÁ possuem o hábito de fazer a cada quatro dias uma oferta ao seu próprio ORÍ, de certos elementos num ato simples como: OMI, OTÍ ÒIBÓ, EFUN, ÒRÍ VEGETAL, OBÌ ÀBÁTÁ e ORÓGBÓ. Esse ato de adoração é para proteção e agradecimento, é um EBORÍ no Culto à ORÍ. Aqui no Brasil temos duas cerimônias que usamos para a harmonização do ÒRÌSÀ ORÍ como Transmissão e Veiculação de ÀSE e como estabilização energética: - EBORÍ completo com todos os elementos ritualísticos que usamos como variadas oferendas alimentares, animais, bem como os Objetos símbolos sacralizados para o momento. - OBÌ neste ato são manipulados em quantidade menor os elementos ritualísticos. O que realmente importa é oferecer exatamente o que este ORÍ esta necessitando para a sua HARMONIZAÇÃO como VEICULAÇÃO E TRANSMISSÃO do Verdadeiro ÀSE Também tenho que abordar mais um grande” ERRO” que ainda persiste em ser transmitido de nossa Liturgia Ritualística “ o EBORÍ é oferecido ao ÒRÌSÀ ORÍ e não há ÒRÌSÀNLÁ ou YEMONJA. Cultuar o ÒRÌSÀ ORÍ é um direito de qualquer ser humano não há nada que impeça isso, mesmo que a pessoa seja um ÀBÍON. O IGBÁ ORÍ é o nome do assentamento sagrado do ÒRÌSÀ ORÍ. Cada IGBÁ ORÍ é uma representação material e espiritual dos OMO ÒRÌSÀ KON, captando constantemente as ENERGIAS VITAIS provenientes de OLÓDÙMARÈ – OLÓÒRUN. A iniciação no Culto ao ÒRÌSÀ significa o nascimento do ORÍ- INÚ. Sendo assim a partir da Iniciação, o ÀBÍON nasce para a Religião, como também para o SAGRADO; com a confirmação do seu ORÍ- INÚ, que passará a ter representação física no ÀIYÉ. O ÒRÌSÀ ORÍ é quem individualiza o ser humano, como no caso das impressões digitais, ninguém tem um ORÍ igual ao de outra pessoa, cada ORÍ é único e exclusivo. Por isto é que devemos ser criteriosos quando escolhemos o nosso BÀBÁLÓÒRÌSÁ ou a nossa ÌYÁLÓÒRÌSÀ, pois são eles que vão fazer com que a Essência, Transmissão e Veiculação de Àse em nosso ORÍ esteja presente em nossas VIDAS. Odábò Àse àse ooo Texto retirado de um livro escrito pela Ìyálóòrìsà Angela ti OYA

domingo, 13 de novembro de 2011

O QUE VEM A SER IFÁ






por Eliane Haas *



Em decorrência das repetidas perguntas que me chegam à respeito da tão popular e distorcida religião dos Orixás, venho introduzir o assunto, discorrendo sobre Ifá, que é a fonte de todo conhecimento e procedimentos sobre como cultuar e utilizar em nosso benefício, essas energias da Natureza.

O sagrado corpo literário de Ifá coloca a seguinte questão: - como saber se estamos cumprindo satisfatòriamente a missão do nosso destino ? Segundo os velhos sábios, quando nossa vida se preenche com paz e harmonia. Isso não significa que o sofrimento e a dor sejam abolidos - pois são inerentes à encarnação na Terra - mas quando se consegue obter equilíbrio interior, dentro do aprendizado que a vida traz. Citando mais literalmente: “se comermos apenas coisas doces, evitando as amargas, todo alimento perderá o seu sabor”.

Ifá é um sistema oracular voltado para a cura, transformação interior e crescimento espiritual. Quando nos deparamos com um problema, o oráculo é consultado e o caminho prescrito será associado à possível solução.

A finalidade da consulta ao aconselhamento oracular é elucidar e solucionar conflitos, evitando comportamentos ou atitudes ( auto-) destrutivas. É um instrumento destinado a buscar solucionar impasses e não um recurso adivinhatório. Ifá não prediz eventos , mas explica as conseqüências que certamente poderão advir de determinadas atitudes.

Se houvesse algum benefício em operar milagres e predizer fatos, a pessoa se tornaria dependente do oráculo e não aprenderia a por em prática a solução das suas questões, exercer o seu livre arbítrio e, por conseguinte, evoluir segundo o seu próprio mérito.

Ifá não instrui sobre como conseguir o que se deseja, mas como obter o que se necessita – naquele momento, naquela circunstância. Sempre que, apesar do aconselhamento, insistimos obstinadamente num determinado querer, perdemos uma oportunidade de aprendizado e auto-transformação. Se gastamos tempo querendo ter o que achamos que nos caberia por direito, perdemos a chance de descobrir o que realmente nos seria útil. Uma vez resolvidos os conflitos internos, abre-se naturalmente espaço para que se manifeste a positividade que nos é destinada, em todos os níveis.


A resistência à mudança é a fonte daquilo que Ifá denomina elenini – ou seja, formas-pensamento gerados e alimentadas pela própria psiquê, que atuam contra nós, criando subterfúgios para não realizarmos aquilo que sabemos ser o mais adequado para o nosso sucesso. Elas são identificadas pela teologia cristã como “demônios”, colocados fora da esfera psíquica como entidades independentes que, com vida própria, comprazem-se em prejudicar as nossas boas intenções. Este recurso do “bode-expiatório” acaba resultando num entrave para o amadurecimento psíquico e evolução espiritual, pois todo fracasso é creditado a “outrem”, impedindo assim que se assumam responsabilidades. São uma fonte de desculpas e justificativas para todos os nossos fracassos.

É preciso ter em mente que, nos casos em que eventualmente ocorrem influências negativas externas, nós mesmos é que criamos condições de afinidade para que isso ocorresse. Ifá não se baseia em dogma, mas numa forma de encarar o Universo através de uma única permanência: movimento e constante mudança. Ao invés de propagar uma doutrina, renova-se a cada instante, lançando o desafio da auto-descoberta.





* Eliane Haas - Mestre em Música, Professora e Pianista

Fundadora e Comandante do Céu da Águia Dourada

(http://www.aguiadourada.com).

QUANTO VALE A SUA CABEÇA? O EQUILÍBRIO ENTRE A EXTORSÃO E O POPULISMO


POR BÀBÁ AWO IFAGBENUSOLA

Aboru boye bosise

Mo ki gbogbo in.

O equilíbrio é o caminho de Ifá..

Òrúnmìlà! Testemunha do destino,

O vice de pré-existente;

Tu que é mais eficaz do que a medicina,

O poderoso que protela o dia da morte.

Meu senhor, Todo-poderoso que salva,

Espírito misterioso que lutou com a morte.

Você que é saudado primeiro logo pela manhã,

Você, o equilíbrio que ajusta as forças mundiais,

Você, cujo esforço é reconstruir a criatura do mau caminho;

Reparador da sorte do doente,

Ele que sabe que vos fica imortal.

Senhor, o rei indispensável,

A perfeição na Casa da Sabedoria!

Meu Senhor! Infinito em conhecimento!

Falta-lhe conhecer por completo, por isso somos fúteis.

Oh, se nós pudemos conhecê-lo por completo, tudo estaria bem conosco.



Ao entoar esta oração pela manhã, é interessante que se tenha a exata compreensão de seu sentido mais profundo, afinal aqui fica claro que é Òrúnmìlà quem equilibra e ajusta as forças mundiais, pois é ele quem possui o conhecimento infinito.

Um Sacerdote bem preparado, em princípio não deveria demonstrar sua ira e descontrole, principalmente de forma pública, ao contrário, pensamos que sua conduta deveria ser reflexiva e ponderada pois acreditamos que ele aprendeu e compreendeu o sentido amplo da palavra SÙÚRÙ [paciência], pois em tese ele já possui a certeza de que Òrúnmìlà é a resposta para seus problemas.. Mas como bem sabemos, a distância entre teoria e realidade é na maior parte dos casos, é bem grande.

Em nosso dia a dia percebemos que o discurso e a prática na realidade não tem o mesmo ritmo, e andam em descompasso, afinal é sempre mais fácil "ensinar" que "aprender". Ao nos depararmos com uma questão que a princípio discordamos, devemos compreender que a nossa verdade, ou seja, o nosso entendimento não é nem deve ser o único parâmetro a ser observado. Temos apenas que ter em vista, que Òrúnmìlà é quem tem sempre a melhor solução e resposta para todos os casos, basta apenas que se tenha o devido bom senso, e a necessária SÙÚRÙ, para compreender suas determinações transmitidas através de seus infindáveis ESE TI ODÙ.

Há uma discussão a respeito de valores, sendo assim é interessante que se tenha em primeiro plano às palavras de Ifá sobre este tema:

- Qualquer que seja a soma que agrade alguém, é aquela pela qual recebemos para jogar Ifá.

- Um ancião que aprendeu Ifá, não precisa comer nozes de kolla deterioradas.



Podemos perceber que entre uma frase e outra há um parâmetro de equilíbrio, ou seja, um meio termo entre a “exploração nefasta”, e a “bondade populista”. Como tudo o mais, é sempre necessário o uso do bom senso, e do arbítrio. É parte do sacrifício o justo pagamento, mas é inaceitável o uso constante de somas exorbitantes a qualquer título. Podemos praticar nossa Fé de uma forma menos mercantilista e mais humana, mas que isso não sirva de desculpa para desvalorizar o trabalho do Sacerdote sério. Em tudo na vida há um tempo de tempo ser, é chegada a hora de ajustar as práticas de forma que se possa realmente levar Ifá aos quatro cantos do mundo, praticando uma arte sincera. Cada caso é um caso e cabe a iniciador e iniciado encontrarem um meio termo que lhes satisfaça as necessidades sem que isso se torne uma prática extorsiva. Òrúnmìlà é prosperidade, mas isso não é sinônimo de ganância desmedida, ao contrário, deveria ser um status atingido através da prática da caridade verdadeira, e não do populismo maniqueísta. Tenhamos todos, a justa medida, escravidão é a exploração do homem pelo homem, sejamos livres.

Há tantas formas de se reduzir custos, programe-se melhor, organize-se melhor e certamente poderá prestar um serviço melhor a sua comunidade. Finalizo lembrando que a finalidade de um Sacerdote é minimizar o sofrimento e auxiliar aqueles que buscam por orientação e não viver como uma hiena que se alimenta da desgraça alheia.

Mais uma vez, aclaro que não faço aqui qualquer crítica a este ou aquele segmento, estou sim expressando de forma livre meu modesto e pessoal conceito de religiosidade. Não tenho partidos, muito menos sou afeito a grupos, tenho igual respeito e afeto por todos os meus irmãos, e minha irmandade se estende à humanidade independentemente de credo, cor, posição política, social ou sexual.



AFINAL ÒRÚNMÌLÀ NÃO É EXCLUDENTE E POR QUE EU O SERIA?

Onde falta o diálogo sobra a incoerência e a agressão desnecessária, meus respeitos a todos, que haja bom senso.. Minha verdade pode não ser propriamente a verdade, mas é também uma verdade, some-se a sua verdade, e a verdade de seu vizinho, ao final, a verdade surgirá.

Obrigado!

BÀBÁ AWO IFAGBENUSOLA

(*). Ifá não pede que ninguém seja "santo", pede apenas que você seja "justo".



FONTE:

- Ifá o Orixá do destino

- O Sagrado Oráculo de Ifá

- Dafá ni ti Opele

- Iwa pele ; prof. W.Abimbola

- “Quanto Pagar e porque pagar”; Ifakemi