segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Tratado herético sobre a hierarquia dentro do Sacerdócio Ifá/Òrìșà

Esta semana eu estava em Roma e enquanto está sentado em uma audiência Papal, comecei a contemplar o que significa ser sacerdote, o que significa ser “santo” e o papel que as iniciações jogam no nosso Estado, em nossa comunidade religiosa e na sociedade em geral.

Eu começo por dizer que o que proponho aqui pode fazer sentido para alguns, parecer radical para os outros e também parecer herético (doutrina oposta aos dogmas da Igreja), possivelmente, uma grande porção da comunidade de Òrìsà. Dito isto, eu sinto que é minha responsabilidade propor esses pensamentos, para que as pessoas possam ter um segundo para pensar sobre o que eles acreditam e talvez decidam por si mesmo se querem continuar este caminho, ou aperfeiçoá-lo. O que significa adorar e quais os papéis que diferentes pessoas desempenham no processo de adorar o que é sagrado.

Eu deveria primeiro começar expondo a minha definição de sacerdote de Òrìsà (Olórìsà ou Bàbáláwo). Na minha mente, depois de muitos anos de estudo e mais 12 anos como Olórìsà (4 como Áwo Ifá), acredito que o papel principal do pai é agir como intermediário entre os leigos (os crentes que não são sacerdotes) e o Òrìsà (que é em última análise, nosso elo mais próximo com Òlódúmarè). Nesse papel de intermediário é nossa responsabilidade abrir os portais de comunicação, seja por meio do oráculo, a possessão ou de atos da natureza. Devemos, então, interpretar corretamente as mensagens divinas, entregá-las a quem precisa recebê-las e quando necessário, prescrever as ações ou ofertas necessárias para alinhar os seguidores com seu caminho na vida (destino), a fim de dar-lhes Ire (bênçãos).

Nós somos apenas os intermediários, pois, através de nossas iniciações, nossas mentes estão abertas e nossas habilidades para atuar como intermediários são despertados para que possamos servir ao Òrìsà. A iniciação é, com efeito, o ato de submeter-se a vontade de Òlódúmarè.

E ainda, em ambos, Culto Tradicional Yorùbá de Òrìsà e adoração de Òrìsà Lucumi/Candomblé, sacerdotes e pessoas leigas igualmente ficam atolados nos aspectos técnicos de antiguidade e status, esquecendo que como intermediários, nossas ações, nossa ética, nosso conhecimento é mais importante que a pessoa, isto sim, é o que realmente determina a antiguidade e status dentro da hierarquia religiosa.

Eu mesmo vi a pompa e circunstância a um Chefe Sacerdote ou presbítero Yorùbá, não vejo nada de errado em tanta grandeza, porém, cobrar taxas ultrajantes dos pobres pelos seus serviços, vendendo títulos ou não fazer iniciações corretamente porque sabem que o cliente “não vai voltar”. Igualmente eu vi adeptos Lucumi/Candomblé e sacerdotes discutirem sobre quem é o mais velho, quem deve dar dòbalè a quem, fazer desnecessárias limpezas (vulgo ebó) caras ou iniciações igualmente caras ou argumentar sobre qual sacerdote deve ser elogiado primeiro em uma cerimônia (Oro).

Quem se curva para quem, quem é o primeiro a falar, que padrinho de alguém deve recebe um “tambor” em primeiro lugar, estas são apenas construções do ego, preocupados mais com si mesmo e com a auto satisfação do que agir como intermediário entre o profano e o divino.

Eu vou um passo além na minha definição para dizer que a ideia de que o pai atua como um intermediário ou parteiro durante o processo de Dosù / Iniciação é um absurdo.

O “pai” não dá à luz, embora possa ser dito que o Ìyàwò é um renascido.

Não há um único momento em toda a cerimônia de iniciação Lucumi/Candomblé em que o sacerdote espiritual de uma ou de outra forma dá à luz?

Ele simplesmente age como intermediário ou parteiro,passando espiritualmente o àse dos Òtá para outro conjunto de Òtá. E através do ritual de oração e sacrifício levará o ìyàwó através de um renascimento de si mesmo,em que a seu Orí é despertado e a conexão entre Ori e Òrìsà é aberta para que ele também possa tornar-se intermediário entre os não sacerdotes e o Sagrado. Ifá nos diz que a ideia de que o padrinho é essencialmente um”pai”,é falsa.

Em um verso do Odù Owónrín Ìretè, onde Abesujiyan transmite três pedaços de sabedoria, para os quais ele nomeia seus padrões, o terceiro dele é:

“Agbabo o jo onbi. Omo olómo o leè j’omo taa bi ninu eni”.

“A tutela não é igual à filiação. Filho de outra pessoa não pode ser como uma criança de suas entranhas”.

O que é comprovado mais tarde no Odù quando Abesujiyan está prestes a ser condenado à morte e seu filho adotivo pede que seu pano (roupa) seja removido para que o sangue da execução não o manche.

Vamos deixá-lo livre.

Se esse menino fosse verdadeiramente seu filho.

E não uma criança adotada ele diria que o sangue de seu pai não estaria autorizado a ser derramado em sua roupa?

Podemos todos ver que realmente um Guardião não se iguala a um pai.

Um filho de outra pessoa não pode ser como um filho que sai de suas entranhas.

Através da sabedoria de Ifá o Odù, nos ensina:

Iniciação sozinha não dá caráter.

Iniciação sozinha não dá conhecimento.

Iniciação sozinha não dá uma antiguidade.

Iniciação sozinha não faz de alguém um verdadeiro sacerdote.

Ifá nos diz no Odù Ìwòrì méjì:

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você.

Se você fizer iniciação em Ifá (Îtelódù).

Esforce-se para usar a sua sabedoria e inteligência.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você.

Áwo, não use uma corda podre para subir uma palmeira.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você.

Áwo, não se entra em um rio sem saber nadar.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você.

Áwo, não manipule uma faca com raiva.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você.

Áwo, não tenha pressa para desfrutar sua vida.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você

Áwo, não tenha pressa para adquirir riquezas.

Ìwòrì ter um olhar crítico sobre o que afeta você

Áwo, não minta, não seja traiçoeiro.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você.

Áwo, não engana a fim de desfrutar sua vida.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você.

Áwo, não seja arrogante para com os idosos.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você.

Áwo, nunca perca a esperança.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você.

Áwo, não faça amor com o cônjuge do seu colega.

Ìwòrì tem um olhar crítico sobre o que afeta você

Áwo, quando você for iniciado em Ifá.

Inicie-se novamente usando sua sabedoria e inteligência.

Ìwòrì terá um olhar crítico sobre o que afeta você.

Neste e muitos outros Èsè Ifá, somos lembrados de que o caráter, a ética, o bom comportamento, a inteligência e o mais importante, não assumir a iniciação em si, faz com que o iniciado compreenda o papel e a responsabilidade de um sacerdote.

Lembrando-nos, mais e mais, este Èsè Ifá que diz:

“Olhar para o que (nos) afeta”.

Somos repetidamente lembrados de nossa responsabilidade em reavaliar constantemente o mundo que nos rodeia. Além disso, há um lembrete para os membros do sacerdócio a quem foi dado o acesso especial à sabedoria de Ifá. É nossa responsabilidade utilizar a nossa sabedoria e inteligência, ou seja, não assumir Ifá, é saber que a chave não é fornecida simplesmente através da iniciação.

Por último, Ìwòrì Mèjí nos lembra de um não menos importante ​​conceito para o Áwo Ifá:

“Iniciar-se novamente usando sua sabedoria e inteligência”.

É aqui, onde Ifá diz ao Áwo que a iniciação por si só não faz de você um Áwo verdadeiro. É somente através da reflexão e contemplação de Ifá que se pode alcançar uma compreensão da iniciação que você passou e através de análise e estudo, a auto iniciação se torna a consciência das verdades de Ifá que podem e devem ocorrer.

Nada disso quer dizer que não devemos respeitar uns aos outros, ou que certos pais não são dignos de respeito e os rituais/ direitos mostra isso.Porém, a iniciação por si só não dá a um sacerdote esses direitos, estes sim,devem ser conquistados.

A fixação do papel de “pai” e a ideia de que o pai “deu à luz” na diáspora enfatiza exageradamente o papel de mentor/guia do sacerdote.

A criação de cultos a personalidade, muitas vezes, embora nem sempre, com base em desempenho das iniciações e talvez na consulta, no qual eles estão interpretando e esclarecendo o conselho do Òrìsà para o adepto. Estes papéis e status anexos são efêmeros na melhor das hipóteses e só servem para desviar a nossa atenção para longe dos verdadeiros significados que estão por trás do papel de um pai.

Então o que faz um sacerdote digno de respeito e as ações associadas a este respeito?

O cumprimento de iniciação não significa absolutamente nada em si, como podemos dar valores de antiguidade para o ato da iniciação,quando é apenas um ato de habilitação,como um título e o potencial para acessar o Sagrado.

O Odu Èjì Ogbè nos diz:

Iniciamos você nos segredos de Ifá

Agora você deve reiniciar-se

Foi assim que Èjí Ogbè foi iniciado

Ele mergulhou na floresta

Agora iniciamos você nos segredos de Ifá

Você deve reiniciar-se

Se você chegar ao topo da palmeira.

Não deixe suas mãos soltas.

Èjì Ogbè, o mais elevado dos Odù, passou por auto iniciação, mesmo depois de ser levado ao bosque sagrado (igbòdù) para a iniciação (tè’fà), ele mergulhou de volta na floresta. Este ato mostra que mesmo um iniciado deve voltar para o bosque, a fim de ensinar a si mesmo. E, mesmo nesta curta estrofe, Ifá nos lembra de que, mesmo que cheguemos ao auge da compreensão e do conhecimento, nossa arrogância deve desaparecer e não ficar ao nosso lado, se você se perder, pode cair da palmeira.

Este trecho do Odù Èjí Ogbè também apoia esta ideia:

…Ọrùnmìlá foi à pessoa que iniciou Àkòdà.

Ele também iniciou Àsèdá.

Ele também iniciou Àràbà.

Apenas Ọrùnmìlá Àgbonnìrègún.

Foi à pessoa que não se sabe quem iniciou.

Agora, depois de ter sido iniciado.

Eu vou complementá-la com minha auto iniciação.

Todas essas coisas que são meus tabus.

Eu certamente vou evitá-los.

Eu fui iniciado.

Eu vou reiniciar-me, por mim…

Novamente Ifá nos lembra de que a necessidade de auto estudo e iniciação devem ser apenas o começo da estrada, mas há também outra verdade importante, a compreensão da verdade, é um ato solitário. Enquanto outros podem ajudar a guiar-nos ao longo do caminho, no final, deve-se enfrentar a verdade por conta própria. O ato solitário da visão sobre a verdadeira natureza da vida. É por isso que devemos percorrer o caminho final para a realização sozinho.

Através do estudo minucioso dos rituais, métodos de acesso à teologia, ao Sagrado, a filosofia, a ética e a aplicação adequada desses estudos, quando se inicia o longo caminho do sacerdócio. Só depois se pode acessar com êxito o Sagrado e interpretar essas mensagens, então, você pode ganhar o título de “Olórìsà ou Bàbáláwo”.

O Odu Òkànràn Òtúrúpon nos lembra de nossa necessidade de estudar ao dizer:

É através do estudo constantemente de Ifá que chegamos a compreender Ifá.

É através da falta de jeito que chegamos a conhecer o caminho.

É a estrada que nós nunca viajamos antes, que nos leva a vaguear aqui e ali.

Como alguém pode ser considerado um sacerdote de Ifá, se não entende Ifá?

Como se pode entender Ifá simplesmente por ser iniciado em Ifá?

Para ser pai é preciso compreender e o entendimento só pode vir através do estudo, como pode alguém que simplesmente se submeteu à iniciação ser considerado um sacerdote?

Enquanto a compreensão final nos escapa, só podemos vir a entender através do estudo e assim, sem estudo, nós somos sacerdotes do nada.

Caráter / Ética

Há uma infinidade de Ese Ifá sobre o caráter e a ética,mas aqui estão algumas que eu acredito que se destacam.

Em Ogbè Sooto (Ogbè Òsá) Ifá diz:

Ifá se um Bàbáláwo quer cavar seu tumulo.

Não deixe que ele goste.

Se um Onísègun está em necessidade.

Ele não deve ser desonesto.

Que ninguém exiba a desonestidade ou mentira

Por causa da responsabilidade quando se morre

Esta foi à declaração de Ifá para Ọrùnmìlá.

Quando pessoas desconhecidas travaram uma guerra contra ele

Ọrùnmìlá foi convidado a oferecer um sacrifício

Ele obedeceu.

Agora todos os manifestantes

Vocês todos foram expostos

Agora eu conheço a Píton

Que se assemelha a cobra

Reconheço agora a serpente do chocalho

Que se parece com a jiboia.

Agora posso ver através do Iwowo Ereke (imitador)

Quem finge ser Ọrùnmìlá.

Ifá aqui adverte leigos e sacerdotes duas vezes.

Primeiro que a nossa ética deve ser do mais alto padrão e que não mentimos para conseguir o nosso caminho como sacerdotes. E não importa se isso será para afirmar o poder, manipular os outros para o nosso benefício próprio ou para ganhar dinheiro. No final, seremos julgados.

O mais importante: Ifá nos lembra para não confundir uma coisa com outra e para não se confundir o sacerdote com Ọrùnmìlá!

Cuidado com os sacerdotes que começam a confundir-se com o Òrìsà.

Neste Odù, Ifá deixa claro que a comparação pode ser sutil, mas ambas as cobras de diferentes tipos, não se pode dizer abertamente que eles pensam de si mesmos como Òrìsà, mas suas ações desmentem os seus verdadeiros sentimentos. Nós, os sacerdotes não somos Òrìsà encarnados na Terra, nós somos servos humildes, pensar ou agir de outra forma não faz sentido.

Ifá nos ensina que devemos respeitar a todos, independentemente de status, sem o respeito, como se pode reivindicar o título de sacerdote?

Em Òsá Méjì Ifá diz:

A cabeça de uma pessoa com um futuro ruim, não é diferente das outras.

Ninguém é capaz de reconhecer as pegadas de um louco na estrada

Não se pode distinguir a cabeça de uma pessoa honrada em um conjunto de pessoas.

Este foi o ensinamento de Ifá para Mobowu

Quem era esposa de Ògún

Certamente, a cabeça que vai usar a coroa amanhã.

Ninguém pode reconhecê-la

Portanto, marido e mulher devem parar de ofender um ao outro.

E devem parar de falar tolamente um do outro.

O chefe que vai vestir a coroa amanhã.

Ninguém poderá dizer quem será.

Além de nos lembrar de que nunca saberemos quando vamos precisar da ajuda de alguém ou o que acontecerá, Ifá é claro, nós não temos esta previsão. Os líderes e igualmente os loucos de amanhã não são conhecidos hoje, então a partir de um ponto de vista prático, devemos tratar todas as pessoas com respeito.

A questão do caráter e seu efeito sobre o sacerdócio é ainda mais profundamente abordada no Odù Ifá Òfún Òtúrá onde afirma:

O mentiroso lança o obi e produz um mau presságio.

O desagregador se empenha em lançar o obi e não produz um bom resultado.

Mas a pessoa de bom coração lança o obi e o resultado é claramente promissor.

Sacerdotes fazem um pacto de defender e proteger Òrìsà/Ifá e seus princípios, de modo que os sacerdotes que quebraram este compromisso quando lança uma ferramenta de adivinhação neste caso o obi, (mas novamente é Ifá e suas metáforas, então para mim,qualquer forma de adivinhação, incluindo Ikin Ifá ou búzios) não vai render um bom resultado.

Isto significa que a ética/caráter do adivinho é de fato importante para o resultado e afeta o resultado da adivinhação. Se for esse o caso, como se pode dar a antiguidade e muito menos respeito a um sacerdote sem nenhum caráter.

Além disso,as orações e ações do pai antes da adivinhação são projetadas especificamente para despertara voz do Òrìsà e se não for feito corretamente, os objetos usados ​​para divinação permanecem exatamente da mesma forma,objetos inanimados e não conduzidos à palavra divina.

É importante lembrar que a consagração destes objetos não é única coisa que fazem os Ikin, Òpèlè e búzios “falarem”, neste caso bastaria ao pai rezar ou fazer qualquer coisa. Ele simplesmente lançaria estes objetos e iria embora.

Estes são apenas alguns dos muitos Ese Ifá que lidam com o caráter. Eles apontam e mostram que sem caráter e respeito, o título de sacerdote não faz sentido.

A idade / Sabedoria

Se a idade é contada em anos de iniciação ou anos na Terra, a idade por si só não faz um pai. Embora, certamente podemos deduzir que a idade não garante sabedoria,sem idade (anos na Terra) a sabedoria não poderá ser plenamente alcançada. É por isso que na cultura Yorùbá, os anos de iniciação nunca podem superar aos anos na Terra,de modo que seria um absurdo ver um dòbalè/ Kúnlè de uma pessoa de 45 anosa um rapaz de 20 anos, independentemente dos seus anos como sacerdote.

Também é digno denotar que os anos na terra (de vida)de um ancião não garantem a esta pessoa sua sabedoria sobre qualquer assunto.

O Odù Ogbè Ìwòrì diz:

Mau comportamento é o que é atribuído aos jovens.

Mau caráter é o que é atribuído aos idosos.

Ifá explica que na nossa juventude, quando fazemos algo ruim, a ação vem de não sabermos sobre várias coisas. Como ancião, a vida deveria ensinar-nos a ter mais experiência, por isso que, quando fazemos algo ruim, a vida já deveria ter nos ensinado e por isso, esta atitude reflete um mau caráter. Sem caráter, ser um ancião não significa nada, independentemente de como você meça esse tempo.

Ser um ancião ainda não significa que não se deva ter qualquer responsabilidade em ajudar aqueles que são juniores, que é outra demonstração de verdadeiro caráter.

O Odu Òyèkú Méjì declara:

Uma criança não é alta o suficiente para esticar a mão e alcançar a prateleira alta.

A mão do adulto não pode entrar na boca de uma cabaça.

O trabalho que um adulto pede para uma criança fazer

Ela não pode se recusar a fazer

Nós todos temos bons trabalho para cada um fazer.

Adivinhação de Ifá foi executada para Ọrùnmìlá.

Sobre um devoto

Que faria queixa à Òlódùmarè

Òlódúmarè, em seguida, mandou chamar Ọrùnmìlá.

Para explicar a razão pela qual

Ele não suportava seu devoto

Quando Ọrùnmìlá estava na presença de Òlódúmarè

Ele explicou que ele tinha feito tudo ao seu alcance por seu devoto

Mas o destino escolhido pelo devoto tornou seus esforços infrutíferos

Esta foi então a questão da matéria

Tudo se tornou bastante claro para Òlódùmarè

E ele estava feliz

Por que ele não pronunciou o seu juízo sobre a questão ouvindo apenas uma das partes.

Além disso, este Odù lembra-nos que o ancião é citado e respeitado por ser justo e sábio. Òlódúmarè recebeu dois juniores (Ọrùnmìlá e seu devoto) e foi sábio ao esperar e ouvir ambos os lados da história antes de pronunciar a sentença. Isto lhe permitiu perceber que nem tudo é como uma pessoa pode parecer ser, e assim prestou julgamento justo.

Ifá nos diz em Òràngún Méjì (Òfún Mèjí) o mais velho dos Odù que se tornou o júnior dos Odu após descer na terra:
Ònpabì niì j’èjì

Aquele que quebra um obí (com 4 gomos) vai comer dois gomos

Um ancião avarento é aquele que come três gomos

Depois de comer três gomos

Ele carrega sua carga sozinho e prossegue neste caminho

Estas foram às declarações de Ifá para a pessoa que vai à vanguarda (o líder / sênior)

Que mais tarde se tornaria a pessoa que viria atrás (o júnior / seguidor)

Ele foi aconselhado a oferecer sacrifícios

Ele se recusou a cumprir

É a sua falta de decoro e maneiras

É a sua falta de diplomacia

A pessoa da vanguarda

Havia se transformado na pessoa que se tornaria um seguidor

Por sua falta de decoro e boas maneiras

Mesmo um velho líder pode perder o seu status por falta de caráter, como disse Ifá em Òràngún Mèjí (Òfún méjì). O Mentor.

É papel de o sacerdote atuar como mentor e conselheiro do devoto, mas estas não são coisas que vêm facilmente, rapidamente ou imediatamente após a iniciação.

Em Òtúrá Eléjin (Òtúrá Ogbè) Ifá nos diz:

A criança estuda Ifá com trabalho e sofrimento

Quando ele cresce

Ele vai colher todos os frutos

Esta foi à declaração de Ifá para Òtúrá

Quando ele ia mergulhar a mão no barco da prosperidade

Eu mergulhei minhas mãos no barco

E eu retirei todas as coisas boas da vida

Quando Òtúrá mergulhou a mão no barco

Ele tornou um prospero à estada em sua casa.

Eu mergulhei minhas mãos dentro do barco

E eu retirei todas as coisas boas da vida

Na história da criação sobre o sistema de adivinhação Ọrùnmìlá Ifá, nos diz:

Ifá, iwo lara iwaju

Emi ni ero eyin Ara iwaju niì ko ero eyin lógbon

Iwo loo ko’mo l’óràn…

Ifá, você é o líder.

Eu sou o seguidor

O líder é aquele que ensina a sabedoria ao seguidor

Você é o único que ensina

Assim como ao próprio irmão…

É como os líderes que Ọrùnmìlá nos quer ensinar a sabedoria de Ifá aos seguidores e sendo assim, sem caráter, sem sabedoria e sem erudição, como poderemos conseguir isso?

Se não estudarmos, nós não mostramos caráter, nós não mostramos a liderança como poderemos realmente nos chamar sacerdotes e muito menos exigir o respeito e o status sênior?

Vou terminar com a nota sombria citada em uma estrofe do Odù Èjí Ogbè:

Vamos viajar de oceano a oceano

Antes de podermos ver a espécie pequenina do Touraco Azul (tipo de ave).

Vamos viajar de rio para rio

Antes de podermos ver a espécie pequenina do Touraco marrom (tipo de ave) com bócio (uma bolsa) no pescoço.

Vamos viajar de oceano a oceano e de lá no vento de rio a rio

Antes que nós possamos encontrar um Bàbáláwo verdadeiro.

Vamos chegar a Ilé-Ifè Akèlúbébé.

Essa é foi à declaração do oráculo ao Igbin (caracol).

Quando ia para a cidade de Iléyò para praticar Ifá.

Ele fez o do seu choro um grito.

Ele fez de sua música um canto fúnebre de lamentação.

Ele disse: Seres humanos (os verdadeiros) são escassos.

Os seres humanos são difíceis.

Antes que nós possamos encontrar um Bàbáláwo verdadeiro.

Vamos viajar para longe.

Aboru Aboye Ibosíse

Por Marcos Ifálola:

ifalola.blogspot.com.br

Ìwà Pèlè – Ómó sùúrù (O bom caráter é filho da paciência)

Ègbé,

Costumo sempre que possível perguntar aos abians e os mais novos o que eles sabem a respeito de nossa religião. O que realmente vieram colher, o que realmente irão cultuar e o que eles objetivam.

Para minha surpresa, ninguém conhece o cerne da questão.

Por que cultuamos òrìsá?

Qual a finalidade de tudo isto?

Onde fica o fim da estrada?

Eéwo (tabu), absolvição, punição, Èsú, o que será que tudo isto quer dizer?

O que devemos fazer dentro de um Ilè àse?

Lavar, passar, cozinhar, arrumar, guardar, olhar, falar, fofocar, concertar, desentupir, capinar, varrer, ajudar, comer, aprender, osé, acender vela, rezar, òfò e etc…

Quem poderia levantar o braço e dizer que a canção mais importante, é a que você está compondo?

Sua canção tem que ser linda e ela não pode ser dividida e nem ter parceria, letra e musica devem ter inspiração própria, você tem compromissos seriíssimos com sua evolução

O sentido de caridade e ajuda ao semelhante é magnífico, porém, devemos olhar nossa estrada, devemos objetivar evoluir, devemos ascender, devemos buscar a superação.

Dentro deste conceito, se analisarmos friamente, o grupo será beneficiado, se há evolução pessoal dentro do grupo, então existe um objetivo a ser alcançado pelos demais. Devemos servir de inspiração e não ajudantes de entrega ou meros ajudantes de estiva, ajudar o outro a carregar um peso que ele se desobriga a carregar, visto que chegou um auxilio luxuoso. Neste caso, você.

O conceito de evolução espiritual está na base de nosso culto, é a atividade fim de nosso sacrificio, o objetivo maior do ser humano. E esta base chama-se caráter. Caráter é muito importante dentro desta cadeia espiritual, uma pessoa desprovida de caráter sempre terá obstáculos a ser ultrapassados, sua vida sempre terá um plus nos problemas, sempre ouviremos aquelas famosas frases:

Mas como?

Eu dei comida, dei até bicho de quatro pés calçado e nada aconteceu.

E começa a transferência de responsabilidades, a mão do Ogan é ruim, o sacerdote não tem àse, me disseram que não foi feito direito, pelo que eu sei ficou faltando algo, enfim…

Uma gama de subterfúgios para poder mascarar o erro individual, o desvio de caráter. Não podemos em hipótese alguma fugir de nossas responsabilidades, não estamos aqui para simplesmente vestir, bailar e ralar dentro de uma casa de àse.

Nossas atitudes dentro e fora contaram muito, não se embriagar, a não promiscuidade, os maus costumes, os desvios de conduta, a falta de cuidado com o que não lhe pertence e muito mais exemplos que não são necessários exemplificar aqui, pois o conceito de certo e errado nasce com você, ele nós é ofertado na hora do sopro divino de Òlódúmarè (Emi), sabemos muito bem onde está o fiel da balança e para que lado ela pende conforme nossas atitudes no dia-a-dia.

Dito isto, espero que fique menos confuso a forma de se relacionar com os objetivos de nossa religião. Orí é o ponto a ser alcançado e o caráter é a base para se conseguir atingir a meta.

Lembrem: Se o ebo não fez efeito é por que faltou “folha” e esta folha muitas vezes pode ser o nosso caráter.

Ire gbogbo.

Fonte: Ómó Ifá Odé Gbàfáomi(Da Ilha)
Eewò – O instigador.

Eewó, o quebrador de tabu, convidou e abriu a porta para os Ajogun (forças negativas) entrarem vida de alguém.
Convidar os rivais de Ire (sorte) na vida de uns é a função que Eewo (Eewo é uma divindade) realiza. A quebra de Eewó pode ter conseqüências rápidas, como pode levar semanas, como podem também se tornarem fatais se não for visto a tempo. Muitas vezes as pessoas se perguntam o porquê de tantos problemas ocorrendo juntamente com doenças. As coisas que são faladas em uma divinação recente não acontecem (é previsto uma benção e ela não ocorre).
Em seguida, perguntam muitas coisas sobre o conhecimento ou mesmo a competência do adivinho, alguns até perguntam por que uma sorte vista no jogo não se manifesta ou leva muito tempo para se concretizar e também por que uma força negativa (Ajogun) ocorre na vida dele?
Isto às vezes pode ser causado pela questão do Eewo ou tabu.
Definição de Eewò/Tabu:

1. Proibido de ser usado, mencionados ou se aproximar por uma questão social ou cultural.
2. Algo que é separado por que é sagrado e ao mesmo tempo proibido de ser usado
3. A proibição de determinados tipos de comportamento ou linguagem, porque são considerados inaceitáveis.
4.. Um tipo de comportamento ou um assunto que é proibido ou reprovado porque é considerado inaceitável.
5. Comentar coisas particulares, de pessoas, ou tipos e roupas sagradas e portanto, proibido de serem usados.

Ifá nos ensina que a quebra de Eewò/tabu pode ter profundas implicações na vida e abrirá a porta para todos os tipos de negatividades.
Eewo pode tornar você muito mais vulnerável que a própria coisa, que você está tentando evitar.
Esta quebra de Eewó também inclui sacerdotes.
Como pode nos reduzir o nível espiritual.

Eewó não são apenas comidas, mas lugares, palavras, pessoas, cores ou outras coisas.
Pode ser tão simples como perder a paciência com alguém ou de reagir de uma maneira que te colocará em oposição à mensagem que seu adivinho (Ikins, Opelé, Erindinlogun/búzios ou Obi) te aconselha.

Também pode ser a falta muito sutil de mostrar o devido respeito aos mais velhos, professores ou qualquer posição dentro da hierarquia da nossa tradição.
Considere quebrar os tabus comparando a se expor a um vírus de gripe sem as precauções apropriadas, tais como: comer saudavelmente, hábitos de repouso, higiene pessoal. Vírus estão por toda parte e precisamos tomar cuidado para evitarmos ser atingido por eles. Mesmo que todos os Ajogun estejam em torno de qualquer um de nós, podendo a qualquer momento nos atacar. Nós devemos tomar precauções.
É verdade, nosso Ori, nossos Antepassados, os Irunmole e os Òrìsás, iram nos proteger, mas até certo ponto, porém as precauções necessárias ainda precisam ser tomadas. Não se pode menosprezar os Eewó dos demais, menosprezando as prevenções que eles tomaram, deve-se ter senso comum e equilíbrio, não tripudiar.

No Odu Ika’ofun, Ifá diz que só porque alguém fez cerimônia Itelodu (iniciação ao culto de Òrúnmìlá) ou Òrìsá não lhe dá o poder de pular em um rio caudaloso e profundo sem saber nadar!
Também em Eji Ogbe (Ejionile) Ifá diz: agora que você “subiu ao topo da Sagrada Palmeira, não solte suas mãos” o resultado final em ambos os casos pode ser desastroso .

Deve-se respeitar o tabu e usar o bom senso, se alguém sabe o que é venenoso, então essa pessoa deve fazer esforços para evitá-lo.
O mesmo se aplica à questão das relações pessoais e assuntos íntimos, isto é verdade, ainda precisamos usar o sentido, mesmo em assuntos do coração, ou seja, ao se envolverem em um relacionamento, ambos os sexos devem reconhecer as divindades que residem dentro de nós, e acabar com a “visão invertida”, que parece ser muito prevalecente na nossa comunidade.

A relação deve ser sincera, comentário difamatório e traição não têm lugar dentro da relação e para todos os efeitos devem ser considerados como Eewo e punível por Ifá. Um Odu Ifá ao lidar com a questão do tabu diz:
É a tartaruga, que acorda e coloca a bandeja de Ifá em sua cabeça
O caracol, é ele que viaja e usa sua casa como sua carga.
A formiga preta mascarada é a que sai em seus trajes voando.
Estes foram os Babalawo que lançaram Ifá para Olodumare depois de criar o mundo e atribuir os parâmetros para operá-lo, Olodumare fez do Eewò (tabu) um de seus reis.

Se submeter à iniciação do sacerdócio, sem o ser, acabará por prejuducá-lo.
Por favor, mais difícil é reconhecer tabu. (para sustentar a vida), o fardo mais delicado de todos eles (para observar).
É tabu matar pessoas no mundo.
Eles acusavam a morte (Ikù) falsamente. (dizem que ele morreu de causa natural), mas foram essas pessoas que usam magias para maldade.
Ifá diz que seu sucesso na vida, a sua capacidade para alcançar sucesso, felicidade e boa saúde depende inteiramente do quanto você é capaz de reconhecer e evitar os tabus.

Se você escolhe realizar sua própria iniciação com qualquer sacerdote, muito de como você vai viver sua vida depende da observância destes tabus.
Temos a capacidade, através de nossos meios para nos comunicar com as divindades para identificar nossos próprios tabus, mas devemos conhecer o caminho e como caminhar, perceba que são duas coisas muito diferentes. Sublinhando o modo como vivemos nossas vidas, o que fazemos na vida e quem somos, é a chave.
A posição que ocupamos na vida, é apenas uma nota de rodapé à questão muito maior.
Em conclusão, na jornada da vida consideremos as atitudes potenciais de quebrar um tabu. Quando você souber seus próprios tabus pessoais, devem-se fazer esforços para observá-los. Fazer a sua iniciação em Ifá ou Orisa é apenas uma parte deste, mesmo tendo adivinhações ordinárias e ouvido as mensagens, tudo isto é apenas uma parte de toda a imagem, o que vem no caminho ou não, é subjetivo e relativo à execução de sacrifício pleno e completo. Neste caso estou me referindo ao ebó (sacrifício) da observância pessoal e do ajuste pessoal.
As mensagens da Divindade e realização do sacrifício, é a vigilância que deve ser lançada sobre o Eewò (tabu). Estude sua vida, aprenda e domine seu próprio Odu (o jogo que foi feito durante a sua iniciação trás esta informação), faça uma auto-análise, profunda e incorpore as mensagens das Divindades em sua rotina diária e hábitos, isso vai ajudá-lo a viver bem e em conformidade com o seu próprio destino. É Eewo quem convida todos os Ajogun (forças negativas) para a vida daqueles que podem puxar o gatilho dos obstáculos de sua vida.

Por Awoyinfa Ifáloju